08/10/2007

CIVILIDADE

Moro em São Paulo. A maior metrópole do País. Uma das maiores do mundo.
Aqui tem teatro, tem cinema. Grandes restaurantes e botecos deliciosos. Tem Universidades importantes, tem Indústrias, tem escritórios... Tem quase tudo! Menos civilidade.
Não há gentileza nem cordialidade entre as pessoas.
Há pressa. Há cobiça. Há disputa.
Não há humanidade.
As pessoas não têm rostos, nem nomes, nem vizinhos, nem amigos. Têm posse. Têm ânsia por possuir mais. Têm fome de poder, mas não podem sentir fome, pois não há tempo. (comam sanduiches, Colonizados!)
O Rolex passa do pulso do apresentador para o poço do crime. Há pressa para chegar ao trabalho, há cobiça por mais glória, há disputa por mais ostentação, não há Humanidade no trato entre as pessoas.
O burguês maltrata o periférico cidadão, que inveja o burguês central. Ambos só se encontram no farol. Entre eles um rolex... e uma arma. Entre eles um abismo triste. Não percebem que são faces da mesma moeda esfacelada que virou nosa cidade.
Não há tempo para percepções, há pressa para acumular mais, há cobiça pela conquista alheia, há disputa pelo sonho dourado que o consumismo promete. Não há Humanidade nem Santidade numa São Paulo descrente de si mesma.

"Somos milhões de transatlânticos falidos em pleno mar da tranquilidade"
Zé Ramalho



ednaldo torres felício
09/10/2007

05/10/2007

NUIT - Raul Seixas

"E quão longa é a noite eterna do tempo
se comparada ao curto sonho da vida..."

Barraca de Beijos

Barraca de Beijos
Para Isabela

beijos doces
à granel.
A senhorita compra um
e ganha o céu...

beijos doces...
vai um mocinha?
mulher bonita não paga...
mas se embriaga...

EDNALDO TORRES FELÍCIO

02/10/2007

POST IMPORTANTÍSSIMO


O site Free Burma! está convocando para um protesto internacional na 5a feira, via internet, em apoio ao movimento popular em Mianmar (Burma) e contra a violência com que os protestos do povo estao sendo reprimidos. Será o International Bloggers' Day for Burma, quando blogs ao redor do mundo publicarao apenas 1 post - uma das imagens da campanha e o slogan 'One blogpost for Burma'. Veja a lista de quem ja aderiu aqui - sao mais de 1,200 nomes. Veja as imagens para serem publicadas aqui. (fonte Blue Bus)
Sou o nro 2885

24/09/2007

'Eu poderia ter tido classe. Eu poderia ter sido um lutador. Eu poderia ter sido alguém, ao invés do vagabundo que sou'
Marlon Brando, em Sindicato dos Ladrões

e a chuva promete não deixar vestígios... 4 da matina, insone

Titulo da Música: Check Up
Artista:Raul Seixas
Letra:

Acabei de dar um check up
na situação
o que me levou a re-ler Alice no País das Maravilhas
Ja chupei a laranja mecânica
e lhe digo mais
Plantei a casca na minha cabeça
Acabei de tomar meu Diempax, meu Valium 10 e outras pílulas mais.
Duas horas da manha, recebo nos peito um Triptanol 25 e vou dormir quase em paz.

E a chuva promete nao deixar vestigio.
E a chuva promete nao deixar vestigio.
E a chuva promete nao deixar vestigio...

14/09/2007

BUKOWSKI - O BÊBADO GENIAL

SPLASH

A ilusão é de que você está simplesmente
lendo este poema
a realidade é que isto é
mais que um
poema.
isto é o canivete de um mendigo
isto é uma tulipa
isto é um soldado marchando
através de Madrid.
isto é você em seu próprio
leito de morte
isto é Li Po rindo
lá embaixo
isto não é a porra de um
poema.
isto é um cavalo adormecido
uma borboleta em
sua mente
isto é o circo do
demônio
você não está lendo isto
numa folha
a folha está lendo
você
pode sentir?
é como uma serpente. é uma águia esfomeada rodando pela sala

isto não é um poema. poemas são chatos
fazem você dormir

estas palavras forçam você
a uma nova
loucura

você foi abençoado, você foi atirado em uma
cegante área de
luz

o elefante sonha
com você
agora
a curva do espaço
se dobra e
gargalha

você pode morrer agora
você pode morrer agora como
todas as pessoas deveriam
morrer:
grandes,
vitoriosas,
escutando a música,
sendo a música,
retumbando,
retumbando,
retumbando.

12/09/2007

6 e quinze da matina de uma quarta feira qualquer

Às vezes, sinto uma vontade enorme de me matar. Vontade tão intensa quanto a vontade de tomar um sorvete.
Acabo não satisfazendo nenhuma vontade nem outra.
Mas juro que por vezes imagino a lâmina da faca cortando meu pescoço.
Não me sinto motivado para nada, nem mesmo para o suicídio, quanto mais para a vida. Isso me incomoda.
Meu casamento é frio. Serão todos casamentos frios?
Sinto como se meu peito se enchesse de nuvem escura. Núvem de desassossego, núvem de tempestade que nunca cai, só esconde o sol. Quem dera ao menos chovesse em mim!!!
Hoje levantarei e visitarei meus clientes com a mesma alegria que um robô sente ao ser ligado para cumprir seu papel em qualquer linha de montagem, hoje passearei com o cão e cuidadrei do peixe (maldito peixe que não come!), hoje me arrastaree pelo dia sem objetivo traçado. Hoje vagarei errante pelas horas. E de noite não sentirei alegria nem tristeza. Nem medo, nem recompensa.
Tenho vontade de cortar os pulsos, de marcar a pele com a faca. Fazer cortes fundos no braço, no peito, no pescoço. Mas não tenho coragem. Não tenho saco de me cortar e ter que limpar o sangue.
Tenho pensado em colocar a cabeça no forno e ligar o gás. Funciona? Demora pra morrer?
Não quero sentir o mal estar que senti quando tentei me asfixiar, é ruim, tão ruim que você acaba desistindo.
Gostaria de algo rápido. Algo me me fizesse simplesmente desaparecer.
Vupt! Acabou...

10/09/2007

Belinha

Dizem que sempre falta uma palavra e é verdade. Nesses anos todos eu sei que sim, que sempre falta uma palavra, é verdade. Verdade. Pois procurei por Belinha, depois de 50 anos, 50 anos, para dizer para ela essa palavra. Sempre falta uma palavra, verdade verdadeira. E eu fui para dizer para Belinha essa palavra.

Vesti meu terno, pus o chapéu e saí. Saí, foi. Como nos tempos em que era moço, feliz. Nos tempos em que me apaixonei por ela. Eu nunca pensei que um amor assim pudesse me deixar perdido, quase louco. Amor grande. Amor para sempre. Pois é. Vesti meu terno, pus o chapéu e peguei um ônibus até Santo Amaro. Sentou-se uma moça ao meu lado e era uma moça bonita. Ah, e o perfume era muito bom e eu conversei com ela, conversei muito com ela, muito, até chegar à casa pr'onde eu ia. A casa que vi construída. Que vi, tijolo por tijolo. Eu nunca morei nela, mas era lá que Belinha morava, casada com outro. Que teve filhos e teve netos. Que vive hoje sozinha e que nem sabe que eu vou lá, entrar naquela casa, que vou dizer o que tenho pra dizer, depois de 50, 50 anos, que sempre falta uma palavra. Uma única palavra, que vou levando com meu terno e meu chapéu. E uma agonia no coração, profunda. Profunda. Que sempre falta uma palavra. Era agora.

Desci no mesmo ponto e o ônibus se foi. E o bonde se foi, não tem mais. Nem a paz daquela rua. Só reconheço a esquina em que eu ficava, no bar, entre um café e outro, a ver a felicidade de Belinha, a casa agitada, os filhos pela calçada. Dei balas e brinquedos para eles, escondido, que ela nunca me via. Ficou um mistério, foi. Mas, no fundo, no fundo, Belinha sabia quem era. Eu tenho certeza, não me engano. Ela sabia que eu é que dava balas e brinquedos, escondido, nunca a abandonei, nunca deixei a vida dela sozinha. Que meu amor era eterno. Mas hoje ela vai ficar sabendo de uma vez. Eu vou dizer a palavra que eu guardei, que ficou engasgada durante 50, 50, 50 anos. Nos olhos de Belinha, é. Pra ela saber. Saber de uma vez o que eu quero dizer, depois de 50 anos.

O portão é amarelo, meio aberto. Há cheiro de jasmim, o mesmo cheiro, Meu Deus. A parede é amarela e meio aberta. A mesma parede. Eu fui invadindo, decidido como nunca. Mas eu sempre fui decidido. Fui moço forte, fibrento, de briga. No trabalho e na vida. Meu pai era assim e me ensinou. Mas o problema, posso dizer: foi ela. Belinha me deixou lento, sem força nenhuma. Sem decisão pra resolver aquela situação. Eu a amava tanto, ela me amava tanto e casou com outro. Na minha cara, na frente do meu nariz. Casou por vingança, não sei. Por dinheiro, não sei. Por indecisão. Porque quis fazer outro destino. Foi o fim, o começo do meu desasossego. Fiquei inseguro, fraco, acabado de tudo. Meu fim, tão moço que era. Minha morte no mundo.

Bati frato na porta, assim. Fraco. Mas não demorou muito para eu pensar em bater com todos os meus nervos na porta. E sacudir o nome dela. E tirar o chapéu porque eu havia suado muito. Um sol de muito tempo. Um sol antigo. Meu chapéu é quente. Meu chapéu e meu terno. O mesmo terno quente.

Disse o seu nome lá pra dentro. A casa escura, sem abrir. "Belinha", como sempre tive vontade de dizer. Não gritei, só disse. Estava ali para dizer a palavra que faltava, que sempre falta uma palavra depois de 50, mais de 50 anos.

Ela, ela.

Ela veio rastejando até a porta. Rastejando a sombra dos chinelos. Cansada e sozinha que ela estava. Veio e me olhou. Demorou olhando para mim. Olhou, olhou e me viu. O mesmo chapéu e o mesmo terno e o mesmo sol. Foi aí que Belinha me abraçou, abraçou. Meu Deus, Belinha me abraçou, me fechou naquela casa. Trancou. E era agora como nunca foi. Como nunca mais será. Uma palavra que ficou em mim, envelhecida e tratata. Pois é. Tratada como num coração de formol. De forma que resolvi dizê-la, ali mesmo da porta, sem entrar, não entrei, não sei, a mesma porta amarela, o mesmo jasmim, o mesmo jardim. Porque sempre falta uma palavra, depois de 40, 50, 60 anos, não sei. Sempre faltará uma palavra.

Ela disse que ouviu dizer de minha vida, sim. De mulheres, de famílias. Mentira. Que eu tive filhos. Mentira. Que eu tentei me matar. Mentira. Mesmo a morte eu esperava morrer com ela. Todo tempo havia esperança, havia. Esperança. Eu tinha pressa, depois de 50 anos eu tinha pressa. Ela me mandou sentar, tomar um café. Não quis. Passou a vontade, como passageira. Esperou eu falar. Pois é. E só depois de 50 anos, 50 anos ou mais, olhando para o fundo da boca, das mãos, dos olhos dela, no mesmo portão, porta amarela, com o cheiro de jasmim, eu disse a palavra, a palavra que faltava, que sempre falta uma palavra.

Falta.

outubro, 2005
Marcelino Freire nasceu em Sertânia-PE, no ano de 1967. Vive em São Paulo, vindo do Recife, desde 1991. É autor, entre outros, dos livros eraOdito (aforismos, 2ª edição, 2002) e BaléRalé (contos, 2003), ambos publicados pela Ateliê Editorial. Em 2004, idealizou e organizou a antologia Os cem menores contos brasileiros do século. Em 2005, lançou Contos Negreiros, seu primeiro livro pela editora Record. O conto "Belinha", acima, foi extraído do livro Angu de sangue (contos, 2000), também publicado pela Ateliê Editorial. Mais informações sobre autor e obra no eraOdito e aqui.

23/08/2007

Raul Seixas

Ontem, dia 21 de agosto, foi o dia da Saudade. Num dia 21 de agosto, Raul morreu. Celebramos essa data homenageando o maluco com uma passeata pelas ruas de Sampa, cantando suas canções e celebrando sua memória.
Postarei aqui uma homenagem. Raul foi o cara que mais influenciou minha juventude.
Viva Raul Seixas!!!

Magia de Amor
(Raul Seixas)

Me fascina tua morte mal morrida
E tua luta prá ficar em tal estado
E teu beijo, tão fatal, nunca me assusta
Pois existe um fim pelo sangue derramado

Me fascinam os teus olhos quando brilham
Pouco antes de escolher quem te seduz
E me fascinam os teus medos absurdos
A estaca, o alho, o fogo, o sol, a cruz

Me fascina a tua força, muito embora
Não consiga resistir à frágil aurora
E tua capa, de uma escuridão sem mácula

Me fascinam os teus dentes assustadores
E teus séculos de lendas e de horrores
E a nobreza do teu nome, Conde Drácula

17/08/2007

Auto-aviso

Não deixe que ela (sim, aquela que representa seu passado, a dor no peito, a forca no pescoço e o nó na garganta) estragar teus dias imediatamente vindouros.

Não deixer que ela estrague teu minuto seguinte.

Ela não vale isso.

Ela não vale nada.

Não deixe que ela te vença. Não deixe que ela faça com que você se sinta um maldito cruel. Você não é. Você não é. Você não é.

Não deixe que seu pensamento caia nela. Ela não merece sequer isso.

Ela te fudeu. Ela se fudeu. Ela que continue se fudendo.

Você, que continue lutando contra tua depressão. Sem se sentir vítima de nada, nem culpado por nada. AS COISAS SÃO. O QUE FICOU PARA TRAS ESTÁ ESCRITO! É HORA DE ESCREVER PARA FRENTE e nas páginas seguintes, ela não será citada.

Ela que fique no passado que é o lugar dela, amarelando como a foto no armário.

TODO CONTATO COM ELA É PERIGOSO.

Ela quer afastar você do que você mais ama.

Ela não vai conseguir, pois você não lhe dará espaço.

Ela foi um vício. Hoje é apenas incômodo.

Ok?

07/08/2007

Como estou agora...

A música do Chico, copiada abaixo, fala do momento que estou vivendo agora.
São estes conselhos que quero seguir para me (re)encontrar e (re)conquistar meus objetivos, ainda que, por enquanto eu não saiba ao certo qual(quais) é(são).
Está difícil, mas EU VOU CONSEGUIR SER O QUE SEMPRE FUI!!!!!!!
;-)

Espero que frases como "Está provado, quem espera NUNCA alcança" soem às almas de vocês, como soa à minha.

P.S.: Três posts seguidos com músicas do Chico... Talvez eu esteja um tanto Chicólatra, mas afinal...

BOM CONSELHO

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado ou você se cansa
Está provado que quem espera nunca alcança.

Venha meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com o seu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes
Antes de pensar
Vou atrás de tudo
Vindo não sei de onde
Devagar é que não se vai longe.

Eu ouço bem o vento
Na minha cidade
Vou para a rua
E bebo a tempestade

Vou para a rua
E bebo a tempestade

Para Marlene e Vágner

Essa música, o Chico Buarque fez para a Zuzú Angel, quando ela perdeu o filho assassinado pela ditadura.
Tenho uma cunhada que perdeu um filho com leucemia há uns 10 anos e nunca mais se recuperou. Sua vida perdeu o sentido e ela espera tristemente a própria morte. É talvez, a pesoa mais triste que eu conheço.
Ela nunca lerá esse blog e nem saberá que ao escutar essa música do Chico Buarque lembrei dela e lamentei pela morte de meu sobrinho e de minha cunhada, sabendo que a morte dela é pior, pois é uma morte em vida.

Pedaço de mim
Chico Buarque/1977-1978

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

O QUE SERÁ? (À FLOR DA TERRA)

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

03/08/2007

entenderá se for você...

Meu bem, meu bem
será que você não vê,
não houve nada?
Só o passado rondando minha porta
feito alma penada...

hahahahahahahahahaha

Trecho do livro O lobo da Estepe sobre Depressão e depressivos

(...)


Outra era a de que pertencia ao grupo dos suicidas. E aqui é necessário esclarecer que não se devem considerar suicidas somente aqueles que se matam. Entre estes há suicidas que só o chegaram a ser por mero acaso, e de cuja essência do suicídio não fazem realmente parte. Entre os homens sem personalidade, sem características definidas, sem destino traçado, entre os homens incapazes e amorfos, há muitos que perecem pelo suicídio, sem por isso pertencerem ao tipo dos suicidas, ao passo que há muitos que devem ser considerados suicidas pela própria natureza de seu ser, os quais, talvez a maioria, nunca atentaram efetivamente contra a própria vida. O "suicida" - e Harry era um deles - não precisa necessariamente viver em relações particularmente intensas com a morte; isto se pode fazer sem que se seja um suicida. É próprio do suicida sentir seu eu, certo ou errado, como um germe da natureza, particularmente perigoso, problemático e daninho, que se encontrava sempre extraordinariamente exposto ao perigo, como se estivesse sobre o pico agudíssimo de um penedo onde um pequeno toque exterior ou a mais leve vacilação interna seriam suficientes para arrojá-lo no abismo. Esta classe de homens se caracteriza na trajetória de seu destino porque para eles o suicídio é a forma de morte mais verossímil, pelo menos segundo sua própria opinião. A existência dessa opinião, que quase sempre é perceptível já na primeira mocidade e acompanha esses homens durante toda sua vida, não representa, talvez, uma particular e débil força vital, mas, ao contrário, encontram-se entre os suicidas naturezas extraordinariamente tenazes, ambiciosas e até ousadas. Mas assim como há naturezas que caem em febre diante da mais ligeira indisposição, assim propendem essas naturezas a que chamamos "suicidas" e que sempre são muito mais delicadas e sensíveis à menor comoção, a entregar-se intensamente à coragem a autoridade suficientes para ocupar-se do homem, em vez de fazê-lo simplesmente no mecanismo dos fenômenos vitais, se tivéssemos uma verdadeira Antropologia, uma verdadeira Psicologia, tais fatos seriam conhecidos de todos.

O que foi dito acima a propósito dos suicidas só diz respeito obviamente à superfície; é psicologia, portanto uma parte da física. Do ponto de vista metafísico, o assunto aparece de outra forma e muito mais claro, pois, vistos assim, os "suicidas" se nos apresentam como perturbados pelo sentimento de culpa inerente aos indivíduos, essas almas que encontram o sentido de sua vida não no aperfeiçoamento e moldagem do ser, mas na dissolução, na volta à mãe, a Deus, ao Todo. Muitas dessas naturezas são inteiramente incapazes de cometer suicídio real, porque têm uma profunda consciência do pecado que isso representa. Para nós, entretanto, são, apesar disso, suicidas, pois vêem a redenção na morte e não na vida; estão dispostos a eliminar-se e a entregar-se, a extinguir-se e a voltar ao princípio.

Assim como toda força pode converter-se em fraqueza (e em certas circunstâncias deve fazê-lo, necessariamente), assim, ao contrário, o suicida típico pode fazer de sua aparente debilidade uma força e um escudo, o que acontece aliás com certa freqüência. A estes pertenciam também Harry, o Lobo da Estepe. Como milhares de seus semelhantes, fazia da idéia de que o caminho da morte estava pronto para ele a qualquer momento, não uma quimera juvenil e melancólica, mas antes encontrava nesse pensamento um apoio e um consolo. É verdade que nele, como em todos os homens de sua espécie, cada comoção, cada dor, cada desesperada situação da vida, despertava imediatamente desejo de livrar-se de tudo por meio da morte. Mas, pouco a pouco, foi transformando em seu interior essa tendência numa filosofia que era, na verdade, propensa à vida. A profunda convicção de que aquela saída de emergência estava constantemente aberta lhe dava forças, fazia-o sentira curiosidade de provar seu sentimento até às últimas instâncias. E quando se via na miséria, podia às vezes sentir com furiosa alegria uma espécie de prazer em sofrer: "Estou curioso por saber até que ponto um homem pode resistir. E quando alcançar o limite do suportável, basta abrir a porta e escapar." Há muitos suicidas que extraem força extraordinária deste pensamento.

Por outra parte, a todos os suicidas é familiar a luta contra a tentação do suicídio. Cada um deles sabe muito bem, em algum canto de sua alma, que o suicídio, embora seja uma fuga, é uma fuga mesquinha e ilegítima, e que é mais nobre e belo deixar-se abater pela vida do que por sua própria mão. Tendo consciência disso, a mórbida consciência que é praticamente a mesma daqueles satisfeitos consigo mesmos, os suicidas em sua maioria são impelidos a uma luta prolongada contra o próprio vício. O Lobo da Estepe era bastante afeito a esse tipo de luta; nela já havia combatido com várias armas. Finalmente, aos quarenta e seis anos de idade, deu com uma idéia feliz, mas não inofensiva, que lhe causava, não raro, algum deleite. Fixou a data de seu qüinquagésimo aniversário como o dia no qual se permitiria o suicídio. Nesse dia, convencionara consigo mesmo, podia usar a saída de emergência, segundo a disposição que demonstrasse. Então poderia ocorrer-lhe o que fosse, enfermidades, miséria, sofrimentos e amarguras, que tudo teria um limite, nada poderia estender-se além daqueles poucos anos, meses e dias, cujo número era cada vez menor. E na realidade suportava agora com mais facilidade males que antes o teriam atormentado profundamente, males que o teriam comovido até as raízes. Quando por qualquer motivo as coisas iam particularmente más, quando novas dores e perdas se vinham juntar à desolação, ao isolamento e ao desespero de sua vida, podia dizer aos seus algozes: "Esperai mais dois anos e eu vos dominarei." E logo se punha a imaginar o dia de seu qüinquagésimo aniversário, quando, logo pela manhã, começariam a chegar as cartas de felicitações, enquanto ele, tomando da navalha, despedir-se-ia das dores e fecharia a porta atrás de si. Então a gota das juntas, a depressão do espírito e todas as dores de cabeça e do estômago poderiam procurar outra vítima.


Herman Hesse


25/07/2007

"PATRÃO VELHO" ou "OCULTAR-SE"

"Detesta o patrão no emprego,
Sem ver que o patrão sempre esteve em você"
RAUL SEIXAS


Quantas vejas sou cruel comigo a ponto de me tornar pequeno?
Quantas vezes coloco o dedo na ferida só para ter sangue pra lamber?
E o fórceps que usei para sair do útero onde me ocultava?

Quantas vezes é água ardente que coloco em minhas chagas?
Quantas vezes é medo e ódio (misturados) o que vejo no espelho?
Quanto de mim boicota o "eu" que posso ser?

Onde, em que ponto de minha mente, está o grande censor de mim?
Onde guardo minhas imperfeições para não sabê-las humanas?

De onde Diabos, tirei a idéia de que sou Deus
e que Deus não pode errar?

Como, afinal, terminar este... (poema?) ?
É preciso mesmo terminá-lo?

...?

EDNALDO TORRES FELÍCIO
26/07/07
02:08
26/07/07

19/07/2007

MÍDIA GOLPISTA 10 X 0 LULA

MÍDIA GOLPISTA 10 X 0 LULA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 523

. A mídia conservadora (e golpista) derrotou o Presidente Lula por 10 a zero, na queda do avião da TAM.

. O presidente Lula fala à Nação nesta sexta feira.

(Clique aqui para ler o que o Presidente Lula deve dizer)

. O Governo reagiu atrasado, quando já estava na lona.

. Não há nenhuma relação entre a crise do apagão e a queda do avião da TAM – é o que mostram os primeiros indícios.

. Os primeiros indícios revelam que: ou o avião teve um problema mecânico, ou o piloto errou.

(O Jornal Nacional – o Jornal Nacional !!! – revelou que, desde sexta feira, o avião da TAM tinha um problema no reversor .... Deve ser culpa da falta de infra-estrutura do Governo Lula ...)

. Não tem nada a ver com grooving, com chuva, com intensidade do tráfego, com o tamanho da pista – nem nada daquilo que a Miriam Leitão chama de “logística” (e a falta de, no Governo Lula).

. Porém, a mídia conservadora (e golpista) só cobre a crise aérea e o apagão da infra-estrutura.

. Os indícios ? Não interessam.

. Para a mídia conservadora (e golpista) só interessa colar no Presidente Lula e no seu Governo a marca da ineficiência.

. A mídia conservadora (e golpista) ultrapassou, na queda do avião da TAM, todos os índices de fúria golpista que atingiu na crise do mensalão.

. Talvez porque:

. 1) a popularidade do presidente Lula continue inabalada, é o que demonstrará amanhã, sexta, nova pesquisa da revista Carta Capital;

. 2) porque já está assegurado que o crescimento da economia em 2007 será superior a quatro por cento, com inflação abaixo da meta – e o mesmo se deve repetir ano que vem, segundo a pesquisa Focus, que o Banco Central promove com cem agentes financeiros PRIVADOS.

. A mídia conservadora (e golpista) só tem uma saída: derrubar o Governo Lula num golpe.

. Como ? Começa na mídia e depois se vê...

. Chama-se o embaixador Gordon ...

. E o Governo não reage.

. O Governo do presidente Lula acredita, provavelmente, que a mídia vá promover uma auto-correção.

. É melhor acreditar em Papai Noel ...

. O Presidente Lula pensa que vive numa democracia, em que a imprensa é livre.

. Livre de que ?, como se pergunta a professora Marilena Chauí.

. Aquilo de que o Presidente Lula e este Governo mais precisam é de um porta-voz.

. Franklin Martins construiu – NO VÍDEO – uma imagem de credibilidade e de tranqüilidade.

. Porém, agora, parece ter submergido às tarefas – inúteis - de Ministro: cuidar da publicidade do Governo, e montar uma TV que tem tudo para ser um exercício de boas intenções com traço de audiência.

. E na hora em que a vaca vai pro brejo, aparece um porta-voz que ninguém conhece e que gagueja.

. Francamente, um porta-voz que gagueja ...

. Com o PT, o Governo Lula já sabe que não conta.

. Por exemplo, o Senador Aloísio Mercadante se especializou em engordar a mídia conservadora (e golpista) com a denúncia de que vai haver um apagão energético – o que a Ministra Dilma Roussef nega.

. O Senador Eduardo Suplicy, do PSDB, ainda que filiado ao PT, entrou para a bancada do presidente eleito José Serra.

. O Governo Lula parece a seleção feminina de vôlei – tem seis match points na mão e não fecha o jogo ...

07/07/2007

Velho eu de agora

18 e 32 anos. Idades diferentes. A mesma solidão.
Mudou o tédio, é verdade. Hoje ele é mais ácido, mas complexo, mais triste, menos esperançoso.
Mudou também o corpo. Mais adiposo, mais marcado, mais cáustico, menos humano.
Desço a rua e não sei o que procuro. Não me encontro. Não sei se sou o garoto ou o homem maduro. (maduro?)
Tudo se resume à escuridão da noite e à procura por mais trevas. Menos vida, mais escuro. Isso não mudou nada.

Para uma mulher com quem dividi o sono e o desertar

"Nada mais lindo e misterioso do que uma mulher acordando, seus gestos, a dramaturgia, o arranque para a vida ou a inércia nos teus braços.
Os barulhos de uma mulher acordando, a música dos ossos se espreguiçando, os gerúndios tantos das ações e silêncios, o chuveiro ao longe a nos dizer tantos desejos e coisas, meu Deus, aquela água já escorre linda e faz pocinhas líricas nas saboneteiras...
Quantas dúvidas e quantas certezas acordam juntas quando uma mulher acorda."

Xico Sá

23/06/2007

"REPOSTANDO"

Fala Galera!!!

Já postei essa, mas o sempre excelente texto do Xico Sá
( http://ponteaereasp.nominimo.com.br/ ) falando sobre a Augusta me fez subir meu poemeto.
Eis aqui minhas MENINAS DA AUGUSTA

MENINAS DA AUGUSTA


Meninas na Augusta brincam de putas
Se mastigam em chicletes, tietes.

Meninas na Augusta brincam injustas
Cobram beijos e afagos, diabos!

Meninas na Augusta sob luz que ofusca
Beijinhos e bundinhas, calcinhas.

Pára um carro: passa a mão
Beija a boca, enche a cara. E vai...

Eu passo e vejo tudo,
Passeando à noite com meu cachorro e minha poesia.

Meninas da Augusta...
Putas?

Sejamos seus filhos
Repousemos tranqüilos.

E que o manto negro da Noite como chuva fina
Proteja o trabalho de nossas meninas.

Na Augusta.
Na Vida.

EDNALDO TORRES FELÍCIO
10/04/07
00:45hs


espero que tenha gostado...

abçs!

19/06/2007

essa é a história de uma menino que tinha um amigo que voava...

Este Post é para minha filha e todos os meus sobrinhos e sobrinhas.


A História de Jorge

Jorge Ben Jor

Ei, xará!
Ei, xará!
Ei, xará!

Olha,
essa é a história de uma menino
Que tinha um amigo que voava
E Jorge se chamava

Ninguém acreditava no menino que não voava
Quando ele dizia que tinha uma amigo
que falava, brincava e até voava

Todo mundo dele caçoava

Um dia, Jorge soube de tudo
E voou para toda gente ver

O espanto foi geral
E o menino que não voava feliz da vida gritava:

"Voa, Jorge!
Voa, Jorge!

Voa, Jorge, voa
Voa, Jorge, Jorge voa

Voa bem alto, Jorge
E traz uma estrela pra mim

Jorge amigo meu
Meu amigo Jorge

Jorge amigo anjo
Anjo amigo Jorge

Voa bem alto, Jorge
E traz uma estrela pra mim

Jorge amigo meu
Meu amigo Jorge!

Jorge!!!!

Voa, Jorge, Jorge voa
Voa, Jorge, Jorge voa

Ei Xará, Jorge é meu amigo!!!!!
Jorge é meu amigo que voa, Xará

Eu tenho um amigo que voa, Xará!!!!!

Olha lá meu amigo voando!!!!

Voa
Jorge voa...

Voa
Jorge voa...

************************************************************************************

Amo vocês. Que amigos 'Jorge" sempre voem pra vocês.
;-)


14/06/2007

Relatos da madruga

Relatos da madrugada

São tres, quatro da manhã? O que importa!

Minha alma está deitada dentro do meu corpo, acanhada e preguiçosa.
O apartamento todo dorme. Dorme no escuro. A única luz é a da tela. Minh´alma também está escura.

Engraçado não é ter medo do escuro, mas ter medo da luz. Engraçado é ter um metro e noventa e se sentir pequeno. Engraçado é ser vertical, andar vertical e se sentir deitado.

Quais as origens de minhas dores? Se tudo é equilíbrio por que me sinto numa corda bamba sem rede de proteção?

Quanto tempo até afastar outro amor de mim? Quanto tempo até afastar todos e lamentar a solidão? Nem meu cão me suporta. Nem meu espírito me suporta.

Tres ou quatro da matina? Quem se importa! Dorme a Rua Augusta das putas tristes, dorme Sampa dos homens tristes e eu insone nem triste nem feliz - indiferente.

"Reza, reza o rio, córrego pro rio, rio pro mar."
Caetano

Sabe, ainda vou estar em paz comigo mesmo, como já estive um dia (sim, sei que isso existe e é possível) pra escutar o prazer da água correndo pro mar, pelas pedras do rio...

20/05/2007

AVE LÚCIFER

Ave Lúcifer
MUTANTES

Composição: Arnaldo Dias Baptista - Ritta Lee Jones - Élcio Decário

As maçãs envolvem os corpos nus
Nesse rio que corre
Em veias mansas
Dentro de mim

Anjos e arcanjos
Repousam neste Éden infernal
E a flecha do selvagem
Matou mil aves no ar

Quieta, a serpente
Se enrola nos seus pés
É Lúcifer da floresta
Que tenta me abraçar

Vem amor
Que um paraíso
Num abraço amigo
Sorrirá pra nós
Sem ninguém nos ver
Prometo
Meu amor macio
Como uma flor
Cheia de mel
Pra te embriagar
Sem ningém nos ver

Tragam luvas negras
Tragam festas e flores
Tragam copos e dores
Tragam incensos e odores
Mas tragam Lúcifer pra mim
Em uma bandeja pra mim.

PABLO NERUDA

Vinte Poemas de Amor – XX

tradução de Fernando Assis Pacheco

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda

02/05/2007

O ÚLTIMO ROMÂNTICO

Este post é especial para minha amiga Andreza


O Último Romântico

Lulu Santos

Composição: Lulu Santos, Antônio Cícero e Sérgio Souza

Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único

Talvez eu seja o último romântico
Dos litorais desse Oceano Atlântico
Só falta reunir a zona norte à zona sul
Iluminar a vida já que a morte cai do azul

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande pra poder chorar

Me dá um beijo, então
Aperta minha mão
Tolice é viver a vida assim sem aventura
Deixa ser
Pelo coração
Se é loucura então melhor não ter razão

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande pra poder chorar

29/04/2007

BRIGA

Depois da pesada confusão ficou um silêncio mórbido.
Nem vencido nem vencedor.
Um cachorro assustado dormindo com medo.
A tensão muda espalhando rabiscos nas paredes e estragando os quadros.
Piano cerrado.

Da estória da briga, apenas estrias tristes na pele.
Nem um pio
nem uma prece
Nem um pranto.

Apenas silêncio aterrador
Transformando a casa
num túmulo de mortos-vivos.


EDNALDO TORRES FELÍCIO
29/04/06

Fernando Pessoa (Alvaro de Campos)

      TABACARIA

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    Álvaro de Campos, 15-1-1928

MONSTRO

Que espécie de monstro sou eu?
Um covarde. Deveria acabar logo comigo. Me enfiar no grande breu da morte e poupar os que amo do que eu sou.
Não tenho esperanças em relação a mim.
Não tenho não tenho e não tenho.
Não melhoro. Não aprendo, não apreendo.
Quando desperto e sou realmente o que sou fico na mais completa solidão e culpa.
Perdi meus sonhos. Perdi meu caminho.
O que eu quero pra mim daqui a tres anos? Não sei...
Não sei mais o que quero pra mim nem na próxima segunda feira!
Acordo, trabalho, me exponho e não tenho objetivo.
Carrego a vergonha de ser alimentado por quem eu deveria alimentar. Carrego o peso do fracasso. 32 anos e nenhum acerto. O que construí? O que deixarei?
Passarei meteórico e não deixarei rastros, senão alguns escombros.
Tinta queimada.
Andar sem direção ou esperança de um porto seguro. Andar sem destino.
Ah, como eu queria ser sozinho e não ter chance de magoar ninguém!
Não tenho coragem de me matar nem de continuar vivo.
Alienado, muleque, monstro.
Morto-vivo.

24/04/2007

um pouco de Mário Quintana...

Saibam: eu ia postar um poema triste pra caralho do Pablo Neruda chamado: "O menino perdido". Então pensei bem: vou é publicar Quintana e sua poesia cheia de ternura. É essa ternura que lhes ofereço, meus amigos e amigas. Bjos. Xô melancolia!!! Sampa, 5 e pouco da matina...


Mário Quintana


Bilhete


Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda

18/04/2007

continuemos nossa brincadeira - 5 visões

Olá!

Já escrevemos aqui nossas 5 lembranças olfativas, auditivas e tacteis. Quais seriam as 5 lembranças visuais que levaríamos para a eternidade, se apenas 5 pudessemos levar?
Essa é difícil!
Aqui vão as 5
- Minha filha recém-nascida, bailando no berçário
- O riso da minha esposa
- Golfinhos passeando perto do barco (em especial uma mamãe e seu bebê)
- Céu estrelado em São Tomé das Letras
- O mar de noite num dia frio de inverno (puta que medo!)

E vocês? Apenas 5 lembranças, 5 cenas, 5 visões... depois... o esquecimento...
;-)

lembranças olfativas de um assassino

Olá.
Após o novo massacre nos EUA, com aquele maluco que matou gente pacas na universidade, o jornalista Roberto Cabrine, da Bandeirantes, intrevistou o "atirador do shopping" , o cara que matou gente pra cacete num cimena em São Paulo.
Lembram-se dele? Em 1999, na sala 6 do cinema do MORUMBI SHOPPING, durante a sessão do filme CLUBE DA LUTA, lá pelo meio do filme, um maluco foi ao banheiro e voltou atirando na platéia. No final ficaram 3 mortos e 4 feridos. Seriam mais, se o maluco não fosse imobilizado por outras pessoas. Hoje cumpre pena num presídio de Sampa.
Pois bem, segue uma livre transcrição de um trecho da entrevista veiculada no JORNAL DA BAND:

"CABRINE: Você viu os corpos no chão?
aSSASSINO: Eu não lembro de muita coisa daquele dia. Lembro assim... Do barulho dos tiros... e do cheiro.
CABRINE: Cheiro? Que cheiro?
aSSASSINO: (silêncio) Eu senti cheiro de pólvora, de pipoca e de sangue."

Lembrei na hora da minha/nossa brincadeira neste blog sobre memórias olfativas. Algumas belíssimas tais como "cheiro da camisa de meu pai" ou "cheiro de suor de uma noite de amor" ou ainda "cheiro do travesseiro da minha mãe", entre tantos comentários deliciosos que meus amigos dividiram conosco.
O assassino (com "a" minúsculo, ele não merece um a maiúsculo, nem mesmo seu nome citado em meu blog), o assassino lembra-se de pólvora, pipocas e sangue...
Cada um guarda na memória as lembranças que pôde reter de acordo com o que viveu.
Postei esse texto porque tenho que dizer que adimiro e sou grato a todos que escreveram suas memórias (olfativas, gustativas, tacteis e auditivas) aqui. E pra dizer que a brincadeira vai continuar. No post acima, a brincadeira será com nossas lembranças visuais. Sei que serei brincadado com mais poesias de vocês e suas lindas e geniais lembranças.
Embora seja gay pacas, não me furto a mandar um beijo na alma de todos vocês.
Obrigado por existirem em minha vida.
Reflitamos, ainda assim, sobre a "pólvora, pipoca e sangue" e torçamos para que sejam mais ricas nossas lembranças.
Beijos nas minas, abraços nos manos.

15/04/2007

MENINA DA AUGUSTA

Olá!

Faz tempo que eu não posto, né?
Pois bem, a Rua Augusta em Sampa é conhecida pela Boemia e pelas garotas de programa que trabalham noite adentro. Apesar disso, é um endereço elegante da cidade, com cinemas de arte, teatro, bares e restaurantes descolados, lojas caras e raridades, como sebos de discos, lojas especializadas em botas ou chapéus.
Todos os dias à meia noite passeio com meu cachorro por esse mundo. Fiz esse poema após voltar pro meu apartamento, numa noite dessas. Espero que vocês gostem.
;-)

MENINAS DA AUGUSTA


Meninas na Augusta brincam de putas
Se mastigam em chicletes, tietes.

Meninas na Augusta brincam injustas
Cobram beijos e afagos, diabos!

Meninas na Augusta sob luz que ofusca
Beijinhos e bundinhas, calcinhas.

Pára um carro: passa a mão
Beija a boca, enche a cara. E vai...

Eu passo e vejo tudo,
Passeando à noite com meu cachorro e minha poesia.

Meninas da Augusta...
Putas?

Sejamos seus filhos
Repousemos tranqüilos.

E que o manto negro da Noite como chuva fina
Proteja o trabalho de nossas meninas.

Na Augusta.
Na Vida.

EDNALDO TORRES FELÍCIO
10/04/07
00:45hs

22/03/2007

MIL PERDÕES

Chico Buarque mostra nesta canção o sarcasmo, arma cruel e potente...


MIL PERDÕES
Chico Buarque

"Te perdôo
Por fazeres mil perguntas que em vidas que andam juntas ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão por me amares demais,
Te perdôo
Te perdôo por ligares pra todos os lugares de onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão, por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair,e rodar exuberante, me perder de ti.
Te perdôo
Por quereres me ver aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu Choro de rir
Te perdôo
por te trair.

***********************************************************************************

Genial, não é?

E tuas traições, foram perdoadas por ti mesmo?

17/03/2007

ESCOLHAS

Tem um ditado que diz mais ou menos isso: "Tenho cem portas para escolher apenas uma. Sei que depois da escolha me perguntarei sobre o que havia nas outras 99 portas." Isso é uma verdade, mas no seu cerne É ESTÚPIDO E IMPRODUTIVO.

Entre duas opções, escolhe-se a que mais lhe agrada no momento. Não há como pensar no que se passou, o que viria ou em como seria.

Ao invéz de pensar nas 99 portas, é mais produtivo concentrar na porta escolhida e aproveitar o que ela traz, ainda que seja pouco.

Aproveitar o que se conseguiu e não lamentar pelo que poderia ter sido.

A decisão foi tomada, agora é hora de atavessar a porta.

Fodam-se as outras 99!

Nenhuma porta dá em nada. No mínimo, ela dará em outras cem portas, para outras escolhas e outros recomeços.

Pensando desta forma, os ecos da minha cabeça se calarão.

O OLHO DO LAGO

O olho do lago

(Cid Campos)

CD: No Lago do Olho
Gravadora: Dabliú
Ano: 2001

No lago do olho
De lado no lodo
De olho no lado
No lodo do lago
Lágrima afunda
Profunda lama

Olho
Lodo
Lado
Lago
Lama

14/03/2007

CONTINUANDO A BRINCADEIRA... 5 TOQUES

Já escrevemos 5 sons e cinco cheiros que levaríamos para a eternidade. Vamos continuar a brincadeira... Você podem levar 5, apenas 5, sensações de tato com vocês para a eternidade. O que vcs levariam?
Aliás, a gente dá pouca importância ao tato. Cabe aqui uma história:
"Ano passado, me vesti de Papai Noel para distribuir presentes entre crianças de uma creche em uma comunidade carente de São Paulo. Junto com outros Papais Noel, reclamávamos de ter esquecido a luva. Então um senhor cego, que também se vestia de Papai Noel nos ensinou: ' É melhor esquecer a luva... Assim, a gente sente a energia das crianças passando pela nossa mão'. "
Pensemos no tato, e nas nossas boas lembranças que ele nos proporcionou.
Meus cinco tatos são:
- Corpo de mulher;
- Minha filha dentro da barriga da mãe dela, quando se mexia debaixo da minha mão;
- O pelo do meu labrador, Rec Muleque;
- Brincar na areia;
- Veludo.

Quais as cinco sensações de tato que vc levaria para a eternidade?

;-)

TUDO NOVO!!!!

Casa nova, emprego novo!

Comecei na semana passada minha nova vida.

PUTA QUEO PARIU, como estou feliz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

02/03/2007

agora que tal...5 CHEIROS?????????????

A brincadeira é a mesma, só muda o sentido: agora brinquemos com nossas lembranças olfativas:
Se você guardar para a eternidade apenas 5 memórias OLFATIVAS, ou seja, 5 cheiros, quais eles seriam?
Os meus seriam:
- Cheiro de um bom vinho francês... um Bordeux!;
- Cheiro de minha filha qando era bebê;
- Cheiro da comida da minha mãe;
- Cheiro de pescoço de mulher;
- Cheiro de mata verde.

E seu nariz?

Não está entre os 5, mas eu adoro cheiro de cachorrinho novo!

MUDANÇA!

UEBA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Amanhã, sábado, 03/03 eu mudo pra meu apartamento novo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


uhúúúúúúúúúúúúúúúúúúúú!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

25/02/2007

5 sons

Se você morresse e lhe dissessem que você pode levar para a eternidade a lembrança de cinco sons de sua vida. Apenas cinco. Quais seriam?
Os meus seriam:
1) Minha filha rezando antes de dormir;
2) Barulho de cachoeira na mata, após uma looooonga caminhada;
3) O mar;
4) Chuva no telhado;
5) Minha esposa cantando pra mim na beira da praia.

Quais são os seus sons? Divida conosco suas lembranças e escute-os na sua memória ao escrevê-los.

Beijos

p.S.: Este post foi inspirado no belíssimo filme japonês chamado "Depois da Vida".

BOAS NOVAS

Um dia, entrarei na indústria de entretenimentos e formarei uma banda só de mulheres chamada: BOAS NOVAS!
hahahahaha

Mas este post se refere à outras boas novas!

Estou feliz pacas!
Vou trabalhar a partir do próximo mês como representante das CHAMPANHES GEORGES ALBERT.
Estou feliz pacas!
Na próxima semana, mudo pra minha casa nova! Acabou a pré-reforma. O piso deve ficar pronto nesta semana!
Estou feliz pacas!
Meu cachorro já está morando com a gente. Ele quase não dá problemas. Mija e caga só na rua e só destruiu a casa uma vez! kkkkkkkkk
Estou feliz pacas!
Sinto que estou vencendo a depressão. Meu psiquiatra me estimula à escrever um livro sobre o tema. Jã fiz alguns ensaios... Quem sabe?
;-)

Estou feliz pacas!

Que venham boas novas!!!!! E que sejam solteiras e liberais!!!!!
houahohuahouhaouahouahouahouahouahoau

27/01/2007

FELIZ ANIVERSÁRIO!!!!

32 anos.
Este é o meu post 32.


Sou um cara de sorte. Minha filha está dormindo em casa essa semana. Há anos, minha esposa dorme comigo. A mãe da minha filha ainda me ama. Ela cuida bem da minha menina. Minha esposa me ama e cuida bem de mim.
São 2:32hs da matina. Estou aniversariando.
Pensar que há 7 meses eu tentei me matar... Eu tava muito doente, mas agora to voltando ao normal.
É normal sentir vontade de viver, de olhar o céu, de escrever poesia, de amar o mundo.
Estou muito feliz. Minha esposa me deu de presente um DVD dos Mutantes: du karai.
Bebemos um champanhe pra comemorar minha vida. Estou feliz pacas.
Depois escrevo qualquer outra coisa. Tô feliz demais pra ficar sentado na frente desta tela.
Feliz Aniversário para mim!!!!!

17/01/2007

SÓ POR HOJE

Só por Hoje

Legião Urbana

Composição: Renato Russo

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz

Hoje já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer
O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver um dia de cada vez

Só por hoje eu não vou me machucar
Só por hoje eu não quero me esquecer
Que há algumas pouco vinte quatro horas
Quase joguei a minha vida inteira fora

Não não não não
Viver é uma dádiva fatal!
No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas -
Vamos com calma !

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu não vou me destruir
Posso até ficar triste se eu quiser
É só por hoje, ao menos isso eu aprendi

15/01/2007

PERDIDO. INFELIZ. INSONE. SUICIDA. 5:30 da manhã de segunda

São 5:30hs da manhã de segunda-feira. Estou insone. Estou infeliz. Estou perdido.
Não tenho idéia de que caminho seguir, de como seguir ou se devo seguir qualquer caminho.
O sonho se repete: perdido numa estrada íngrime, desço com meu carro (às vezes de moto) e me perco. Não consigo achar o caminho de volta. Subir é muito difícil, perco a força do motor da moto ou do carro e volto à mesma cidade pequena e desconhecida. Desço vertiginosamente pela estrada e me perco ainda mais.
Esse sonho tem se repetido muito. Ele revela meu atual estado de espírito.
Hoje é segunda-feira e eu deveria ir procurar emprego. Emprego de quê? Odiava o que fazia na minha empresa anterior, mas acho que não tenho capacidade de fazer algo diferente. Terei virado um vagabundo?
Até quando minha esposa aturará essa situação? Serei mesmo um fraco? Onde está o garoto que enfrentou o mundo? Eu era o garoto que enfrentou o mundo ou sou o adulto que se esconde no quarto sem abrir a janela sequer para ver se faz sol?
O mundo continuará sendo mundo se eu me matar. Minha mãe continuará azeda, minha família esparramada, minha esposa se livrará de um fardo, a mãe da minha filha se livrará de uma lembrança amarga, mas e minha filha? Ela só tem 10 anos e me ama com intensidade espantosa! Mal sabe que ama um fracassado, um cara de 31 anos perdido como um menininho perdido da mãe na feira. Um cara que não sabe que caminho pegar, pois não consegue enxergar caminho algum!
Não posso me matar. Às vezes sinto uma vontade enorme de fazê-lo: pular da janela do meu apartamento e cair... Meu Deus, o que diriam à minha filhota: "Seu pai se matou por covardia" ou "Não chora, Ana, mas seu pai enlouqueceu e pulou da janela do apartamento."? Como isso soaria em sua cabeça e que malefícios traria para sua vida? Não, não posso fazer isso...
Parece que minha alma está agachada dentro do meu corpo. Me sinto pesado, como deve se sentir um morto. Regredi nas últimas semanas. Quando virou o ano eu estava tão esperançoso, mas lá se vão 15 dias de janeiro e eu ainda não mandei nenhum currículo! Mandar currículo para onde? Emprego de quê? Aguentar pressão por venda, de novo?
6:00hs da matina. Que vergonha! Estou acordado sem ter um trabalho para ir, sem ter como cumprir minha função de homem que é trazer dinheiro pra casa, sustentar minha mulher... Que homem sou eu? Que exemplo estou dando pra minha filha? Por que não consigo me encontrar????
Estou angustiado. Meu peito dói. Minha alma dói. Estou chorando. Chorar é uma atitude de um fraco. Me sinto um fraco.
Parece que estou perdido no meio de um deserto. Não vejo caminhos. Não vejo esperança. Vejo apenas desolação.
Meu psiquiatra falou que quando a gente escreve que vai se matar, geralmente não se mata, pois desabafou na escrita a dor. Realmente não me matarei. Não devo e não posso. Minha esposa precisa de mim, minha filha precisa de mim.
Vou me curar. Deve haver sim, um caminho. Estou cansado de ficar perdido. Estou cansado de ficar no quarto. Estou cansado de não ver alternativas, de não saber pra tipo de vaga mando meu currículo. Estou cansado de ficar no escuro. Estou cansado dessa dor.
Não sei como terminar essa postagem, essa está sendo um madrugada muito difícil.

13/01/2007

TÔ TRISTE PACAS!!!!!

TO TRISTE PACAS!!!!!

Não é bem triste... é indeferente à tudo, à vida... Parece que não tenho força nos músculos da alma. Tenho tido vontade apenas de deixar de existir. Mais que se matar. Deixar de existir e fazer com que minha memória suma de tudo, de todos. Tenho me esforçado pra ficar bem, mas parece que tudo é mais alto que eu, inclusive esse cinza e essa escuro que campeia minha visão.


A Via Láctea

Legião Urbana

Composição: Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz

Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor

Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa

Amanhã é um outro dia
Não é?

Eu nem sei porque me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção

Mas obrigado por pensar em mim

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho

Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou

Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim

Não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim

04/01/2007

para minha amiga Tahis

outro dia li uma estória linda:
'Perguntaram pra um monge qual era a diferença entre o céu e o inferno e o monge respondeu: "Pouca... No inferno,as pessoas ficam em volta de um prato de arroz, mas os pauzinhos (rachis) que eles têm nas mãos são muito grandes e ele não conseguem levar o arroz até a boca"

"No céu - continuou o monge - as pessoas também estão em volta do mesmo prato de arroz, com os mesmos pauzinhos muito grandes, mas a diferença é que ao invéz de tentar alimentar a si mesmos, eles alimentam uns aos outros. É essa a diferença..."

15/12/2006

COMO PUDE TENTAR ME MATAR?

Como uma mente enlouquecer a ponto de boicotar-se?
Como pode um cérebro entrar em pane de forma a querer destruir o corpo em que habita?
Que dor aguda faz com que o medo da dor seja maior que o medo morte?
Que frio congela os pensamentos e enrijece a esperança?
Que escuro profundo tenta apagar a chama da vida?
Suicídio.
O corpo que se penduraria em uma corda balançando estará com certeza mais confortável em uma rede, assim como os pulsos cortados seriam melhor aproveitados apoiando as mãos que digitam a poesia.
Há tanta vida e tanta estrada...
Há rostos que riem, há flores que nascem, há ondas que chegam à praia... Como ausentar-se da chance de participar do espetáculo?
Lutar contra a vida não é natural ou mesmo coerente. Não há lógica na vida, mas há lógica em cortar os pulsos?
É preciso abrigo para se proteger da chuva, é preciso ajuda para sobreviver à depressão. Mas para achar abrigo e ajuda, é preciso humildade, coragem e bom senso para aceitar a mão que se estende em auxílio, a porta que se abre em acolhida.
Foi-se o tempo em que a cura para a depressão era o suicídio. Foi-se o tempo em que o suicídio era a única saída. Foi-se o tempo em que a única cor era cinza.
Deixemos o sol entrar pela retina dos olhos iluminando nossas sombras interiores, deixemos que a fé seja antes de tudo em nossa melhora, deixemos que o corpo lute para se curar e continuar a jornada.
Nunca nos foi dito que seria fácil - aliás nada no mundo é fácil. Borboletas passam boa parte da vida rastejando antes de voar sobre flores, baleias atravessam mares para procriar, por que conosco seria diferente? Encontremos forças nas adversidades e levantemos a cabeça. Olhos são projetores do espírito, não faz sentido se eles estiverem voltados para o chão. Levantemos nosso olhar e nossa fé.
É muito bom viver.
E por enquanto, não há mais nada a ser dito.

EDNALDO TORRES FELÍCIO
Dez/06

10/12/2006

morreu Pinochet

Lamento escrever o nome do ditador escroto do Chile em meu blog. A reportagem abaixo, fala sobre o golpe que esse pilantra deu no Chile. Fala sobre Salvador Allende. Fala sobre liberdade.

Título Original:
El Golpe de Estado en Chile - El otro 11 de Septiembre

Por: Oscar Amado
Publicado en: ARGENPRESS

(Fecha publicación:10/09/2002)
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Recuerdos del otro 11 de setiembre, el de 1973, cuando Estados Unidos, la ITT, los momios, el Opus Dei y los militares chilenos, derrocaron al presidente constitucional de la República de Chile, Salvador Allende, llevándolo a la muerte.


Fue el día de la sublevación de las Fuerzas Armadas contra el Poder Civil, la mañana de la proclama militar que llamaba a renunciar al presidente Salvador Allende y minutos después la aviación militar bombardeaba instalaciones de radio Portales y radio Corporación, la Marina de Guerra había comenzado su accionar volviendo de un simulado ejercicio, el Unitas, con la armada de EE.UU., anclada a pocas millas en aguas territoriales chilenas y los tanques se aprestaban a atacar La Moneda.


El día que dividió y sepultó la vida de los chilenos en 17 años de dictadura.


El día que se instaló el estado de sitio a un pueblo que vivía bajo un gobierno elegido democráticamente tres años antes, en 1970 y reafirmado en las elecciones parlamentarias de marzo de 1973, aumentando su caudal de votos a su favor del 36% al 43%.


El día que se conculcaron todos los derechos como ciudadanos y la pérdida por parte de los trabajadores de todas sus conquistas.


El día que se ocuparon militarmente las universidades y la censura llegó a radios y diarios incluyendo la clausura.


El día de la muerte y la tortura, en el que se establecieron los campos de concentración y los asesinos llevaron a la práctica lo aprendido en su instrucción militar en la Escuela de las Américas.


El día que se hizo efectiva la orden del presidente Richard Nixon, asesorado por Henry Kissinger, al jefe de la CIA (Agencia Central de Inteligencia), William Colby, de terminar con el gobierno constitucional sin medir las formas y los costos, estos incluían las vidas de miles de chilenos.


El día que culminó un largo boicot que contribuyó a una crisis político-económica, producto de huelgas y desabastecimiento, financiada por EE.UU. y llevada a cabo por la derecha económica chilena, para instalarse y depredar hasta nuestros días.


El día que salió a la luz el jefe de una de las dictaduras más sangrientas de América Latina, Augusto Pinochet Ugarte, el mismo que había ofrecido a Salvador Allende y su familia un avión para dejar Chile y salvar su vida, pero que en realidad escondía una nueva traición, ya que se conocería una grabación donde ordenaba su muerte: "Pero el avión se cae, viejito, cuando vaya volando. Muerto el perro se acabó la rabia", el mismo que hoy se esconde de la justicia detrás de las polleras de una demencia senil.


El día que Salvador Allende se despidió del pueblo chileno diciendo: "...Ante estos hechos sólo me cabe decirle a los trabajadores: yo no voy a renunciar. Colocado en un trance histórico pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregaremos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos no podrá ser segada definitivamente. En nombre de los más sagrados intereses del pueblo, en nombre de la patria, los llamo a ustedes para que tengan fe. La historia no se detiene ni con la represión ni con el crimen. Esta es una etapa que será superada. Este es un momento duro y difícil, es posible que nos aplasten. Pero el mañana será del pueblo, será de los trabajadores. La humanidad avanza para la conquista de una vida mejor".

PAI SOLTEIRO

PAI SOLTEIRO

Fiquei mais de meia hora ao telefone ajudando minha filha com sua lição de casa. Me orgulho disso.

Me orgulho de participar de seu crescimento e partilhar de suas conquistas.

Ainda que estejamos separados fisicamente, o amor nos une. O amor é a força mais incrível do Universo. E o amor tem nome em minha vida. O amor chama-se Ana Beatriz.

Enquanto ela lia o texto que eu havia ditado ao telefone, recordei o dia em que ela venceu seu medo e subiu num brinquedo alto, no parque. Ela tinha 5 anos e eu dizia: "vai filha, o pai está aqui e você é capaz".

Me emociono ao escrever isso. Me emociono ao saber que outros medos ela vencerá e que, ao chegar do alto de suas conquistas, assim como ela chegou no alto do brinquedo, ela vai poder olhar para mim e dizer num sorriso: "pai, consegui".

Ainda que ela more em outra casa e eu a veja menos do que queria, nada me impedirá de prepará-la para seguir seus próprios caminhos com passos próprios.

Essa é a magia da vida. Estou enfeitiçado.

Estou feliz. Sou feliz. Sou pai.

EDNALDO TORRES FELÍCIO
19/10/2005

06/12/2006

PARA ALGUÉM POR QUEM A CHUVA BATE PALMAS

A Rosa
Pixinguinha

Tu és, divina e graciosa estátua majestosa
do amor, por Deus esculturada
e formada com o ardor,
da alma da mais linda flor, de mais ativo olor
e que na vida é a preferida pelo beija-flor.
Se Deus lhe fora tão clemente aqui neste oriente de luz
formada numa tela deslumbrante e bela,
teu coração, junto ao meu lanceado
pregado e crucificado sobre a rosa cruz do arfante peito teu
Tu és a forma ideal, estátua magistral
oh alma perenal, do meu primeiro amor, sublime amor.
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação de todo o coração
cintilas um amor
o riso, a fé, a dor em sândalos olentes cheios de sabor
em vozes tão dolentes quanto um sonho em flor
És láctea estrela, és mãe da realeza
és tudo enfim que tem de belo,
todo o resplendor da santa natureza
Perdão se ouso confessar-te, eu hei de sempre amar-te
Oh flor! Meu peito não resiste,
Ah, meu Deus o quanto é triste,
a incerteza de um amor que mais me faz penar
em esperar em conduzir-te um dia aos pés do altar
Jurar, aos pés do onipotente
em versos comoventes de luz,
e receber a unção da tua gratidão,
depois de remir, teus desejos
em nuvens de beijos hei de envolver-te
até o meu padecer, de todo fenecer.

30/11/2006

MANUEL BANDEIRA

Balõezinhos


Na feira do arrabaldezinho
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
— "O melhor divertimento para as crianças!"
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres,
Fitando com olhos muito redondos os grandes balõezinhos muito redondos.


No entanto a feira burburinha.
Vão chegando as burguesinhas pobres,
E as criadas das burguesinhas ricas,
E mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.


Nas bancas de peixe,
Nas barraquinhas de cereais,
Junto às cestas de hortaliças
O tostão é regateado com acrimônia.


Os meninos pobres não vêem as ervilhas tenras,
Os tomatinhos vermelhos,
Nem as frutas,
Nem nada.


Sente-se bem que para eles ali na feira os balõezinhos de cor são a única mercadoria útil e verdadeiramente indispensável.


O vendedor infatigável apregoa:
— "O melhor divertimento para as crianças!"
E em torno do homem loquaz os menininhos pobres fazem um círculo inamovível de desejo e espanto.

07/11/2006

AS SETE FACES DO DOUTOR LAU

SETE FACES DO DOUTOR LAU

Tenho sete faces em uma alma.
Sete faces e uma faca.
Sete fossas e uma foice.
Sete faces e uma farsa.

Tenho sete vidas
Tenho sete anos (desde a última vez que morri)
Tenho sete contas, num rosário.

Tenho sete faces de dócil tato.
Tenho sete faces difíceis, doces.
Tenho sete mortes
E setecentas vidas.
Sete pecados
e outras tantas feridas.

Sou o sétimo.
o último
o múltiplo
o ÚNICO.

EDNALDO TORRES FELÍCIO

Nana

Nana
Companheira e amiga petista da internet

ao mesmo tempo

esposa,
mãe,
mulher,
vento,
fogo,
mar agitado,
brisa,
violeta,
figueira,
átomo,
cosmo,
igreja,
leito,
terreiro,
labuta,
pele,
alma,
corpo,
chama...

Nana


EDNALDO TORRES FELÍCIO
07/11/06 2:00hs

05/11/2006

10 motivos para que eu esteja bem

1) MINHA FILHA VAI FAZER TEATRO COMIGO!!!!!!
2) Minhas crises de depressão têm sido menos frequentes e menos intensas;
3) Meu pai tá cuidando de um cachorro lindo pra mim, ele é um labrador e está me fazendo muito bem!!!!
4) O Corinthians não tem mais chances de cair pra segunda divisão;
5) O Palmeiras tem chances de cair pra segunda divisão! hahahahahaha
6) Minha vida é cheia de mulheres interessantes e inteligentes, que me amam e que eu amo muito;
7) Já montei minha árvore de Natal, desta forma, minha casa está ilumidada por Jesus criança;
8) Tive sorte de ler em seqüencia 3 grandes livros: "On the road", do Kerouack, "Contos de José Luis Borges", do Borges e "Sidarta", do Herman Hesse;
9) Tenho visto graaaaandes filmes, tais como o infantil "Kiriku", de um cineasta africano, "Oliver Twist, do Polanski e um filme do Akira Kurossaua chamado "Vida";
10) Estou animado a ponto de fazer uma lista de 10 motivos para que eu estaja bem.