Foi um vaso de cristal
Que partiu dentro de mim"
Chico Buarque e Francis Hime
Meu time caiu para a Segunda Divisão. Um tanto de dor e um tanto de amor nesse drink amargo de domingo.
Meu time caiu para a Segunda Divisão. Não chorei, a dor calou minhas lágrimas e o silêncio encheu a sala de casa, uma da milhares de casas quietas no fim de tarde deste 02/12/07.
Meu time caiu para a Segunda Divisão. Queda esperada. Time ruim. Clube por tempos acéfalo. Meninos que corriam assustados.
Meu time caiu... mas me orgulho de ser Corinthiano.
Cantamos, sonhamos, rezamos. Perdemos. Mas a Elis não dizia há décadas que "nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar"?
Tenho orgulho de ser Corinthiano. Nunca desistir de acreditar, de sonhar, de sorrir. Tenho orgulho de ser parte de um time do povo. Nem playboys nem mauricinhos, somos gente do Povo. Da periferia. Ou como cantam pejorativamente os adversários: da Favela (como se isso fosse demérito!).
Somos aquele tipo de gente que aguentou as gozações no trabalho, enquanto abria a marmita no almoço, ou na fila do ônibus - interminável fila - enquanto o ônibus demorava para chegar lotado, cuspindo gente pelas bordas. Somos aqueles que com o coração dilacerado de dor e tristeza, humilhado por gozações, tivemos forças para abrir um sorriso e dizer com fé em São Jorge: "ano que vem melhora".
"Ano que vem melhora..." E não é isso que espera o brasileiro ano a ano, crise à crise, disfarçando o nó na garganta, disfarçando o salário mirrado para comprar brinquedo para o filho, disfarçando a dor de todo um ano para três dias e meio de um Carnaval que sempre acaba em Cinzas?
Nas arquibancadas, o Corinthiano cantava para sí mesmo, pois ele É o time. O time de "maloqueiro e sofredor" que sofre, chora e sonha. Mas tem orgulho de suas raízes e da matéria bruta com que ele é feito: suor, esforço, garra.
Num canto, a torcida pede: "vamos, vamos meu Timão, não pára de lutar", pois ela (Torcida) nunca parará sua luta na fábrica, na periferia, na lotação, na agência de emprego, no cotidiano, na vida,
na Série B da vida.
"Aqui tem um bando de loucos, loucos por ti Corinthians..."
03/12/2007







