Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, as economias familiares, o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.
Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade.
Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização.
Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e que o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos.
Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período.
Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação.
Para contê-la, o governo subiu os juros… e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou.
Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro.
Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.
Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado!
Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores.
Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.
Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência.
Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.
Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.
Atualizado e Publicado em 18 de outubro de 2008 às 15:31
por EDUARDO GUIMARÃES
Na tarde desta sexta-feira, a polícia invadiu o apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, mantinha duas reféns havia mais de 100 horas, em Santo André, no ABC paulista. Foi jogada uma bomba pela polícia e ouviram-se muitos tiros.
A ex-namorada de Lindemberg, Eloá, e sua amiga, ambas de 15 anos, saíram de maca e “gravemente feridas”, segundo a tevê Globo. O seqüestrador saiu ileso, caminhando.
Na quinta-feira, Naiara, amiga de Eloá, voltou ao cativeiro, com autorização da polícia, depois de ter sido libertada dois dias antes pelo seqüestrador. A desculpa da polícia é a de que a família de Naiara teria “autorizado” a menina a voltar ao cativeiro.
O Conselho Tutelar paulista questionou a polícia paulista por permitir a volta de Naiara ao cativeiro, dizendo que nem a família dela poderia ter dado qualquer autorização, pois a decisão seria exclusiva das autoridades e não poderia ter sido essa.
Nunca, em minha vida, ouvi falar que a polícia tivesse devolvido uma vítima a um seqüestrador, ainda mais sendo a vítima menor de idade. O desfecho trágico dessa tragédia revela uma estratégia absurda da polícia, uma incompetência total.
Ao menos a amiga de Eloá poderia ter sido poupada da violência.
O apresentador do SP TV, Carlos Tramontina, que transmitiu os primeiros dados da ação desastrada, não fez absolutamente nenhum questionamento à polícia. Eloá levou dois tiros. Sua amiga, Nayara, levou um tiro na face.
Pouco depois das 19 horas, o mesmo Tramontina divulgou que a assessoria do governo José Serra disse que Eloá não resistiu aos ferimentos e faleceu. Minutos depois, o mesmo Tramontina desmentiu a informação e deu justificativas para a ação da polícia.
Momentos depois, a morte de Eloá foi confirmada pelo portal UOL, mas a Globo ainda desmentia a informação. Em seguida, o UOL passou a difundir o desmentido do governo paulista.
Apesar da dor, o momento é de responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nessa operação policial estúpida, independentemente de o desfecho de tudo isso ser mais ou menos trágico, pois o seqüestrador não é mais culpado que a polícia.
Já no Jornal Nacional, depois das 20 horas, Fátima Bernardes manteve o tom acrítico e um oficial da PM atribuiu a culpa pela volta da garota Naiara ao cativeiro a ela própria, que teria chegado perto demais da porta do apartamento.
A polícia permitiu, autorizou, facilitou a aproximação da garota do cativeiro. E a culpa é de uma menina de 15 anos. Para a Globo e para a polícia de Serra.
Num sotão, assim chamado Velho Num cérebro, assim chamado Louco A Voz, assim chamada Bela Repousa entre cacos e escombros.
Num verso, assim chamado Saudade Numa caneta, assim chamada Tecla Num papel, assim chamado Blog O grito da Voz vira Poesia.
II.
(A Voz não sou eu. A Voz está em mim.
A Voz me pede o gozo e me condena pelo abandono
A Voz que tudo teve E nada reteve
A Voz que foi energia E hoje é solidão
A Voz está em mim alojada . viva pulsante . calada, mas não quieta
A Voz que me pediu um orgasmo E me deu uma vida
A Voz não sou eu. Mas está em mim.)
III.
(Na calada da noite, A Voz Calada vem do fundo da minha mente com seu grunhido bestial Acusando-me "Poeta, tiraste-me o som Poeta, tiraste-me as cordas Mas Poeta, não tiraste-me a Vida E eu o amaldiçoo a nunca mais esquecer O som do meu êxtase, que foi seu e de tantos outros depois de ti. Escuta meu som animal, poeta Escuta meu esforço de gritar - Uma voz que tu tiraste - Escuta meus lamentos Escuta minhas pragas Escuta minha saudade. Viverei sempre em ti, calada, a despertar-te no frio, no chão, no medo. Medo de mim e do que fizeste comigo. Ouve Poeta, meu som gutural de ódio, de paixão e escárnio. Ouve Poeta, minha maldição final: Viverei sempre em ti Mas em mim não viverás jamais!"
E apenas na última sombra da madrugada, se vai Voz, de mãos dadas com a Morte.)
DEDICO O POST ABAIXO PARA UM GRANDE AMOR EM MINHA VIDA, ADRIANA PENICHE
Alento Paulinho da Viola Composição: Paulo César Pinheiro
Alento
Violão esquecido num canto é silêncio Coração encolhido no peito é desprezo Solidão hospedada no leito é ausência A paixão refletida num pranto, ai, é tristeza Um olhar espiando o vazio é lembrança Um desejo trazido no vento é saudade Um desvio na curva do tempo é distância E um poeta que acaba vadio, ai, é destino
A vida da gente é mistério A estrada do tempo é segredo O sonho perdido é espelho O alento de tudo é canção O fio do enredo é mentira A história do mundo é brinquedo O verso do samba é conselho E tudo o que eu disse é ilusão
Talvez, ela tenha sido por alguns instantes, a mulher mais linda do mundo. Talvez, ela tenha sido por muito tempo, a mulher mais importante em minha vida. Talvez tenhamos sido apenas um ledo engano;
Fato é que nos desnudamos entre o tremor da alma e a fome da carne. Fato é que fui seu primeiro e ela minha primeira. Fato é que fomos "um só", pela primeira vez, juntos;
Em seus seios passeei minha boca, Em seus olhos refleti meu fogo, Em meu peito ela deitou seu rosto;
Entre o medo e o desejo ela se ofereceu a mim, Entre a timidez e a inocência a Mulher despertava, Entre suas pernas, eu - tolo atapalhado-, nos iniciava...
Eram minhas as digitais sob o vestido. Eram delas as digitas sobre a epiderme. Eram nossos, os sussurros noite adentro...
Não foi nossa única, Não foi nossa última, Foi nossa primeira, vez.
A primeira vez de tanto tempo A primeira noite de tantos anos A última saudade sinto agora, do que éramos e já não somos;
Hoje, não somos mais um do outro Hoje, nosso fogo é alheio Hoje, os adolescentes cresceram e adultos, nem se falam.
Seus seios, de outra boca Minha boca, de outros corpos Nossos corpos, de outros sonhos.
sonha ela em outros peitos...
Nos fizemos nos descobrimos e nos perdemos...
Mas fomos e seremos um do outro, os intensos, os primeiros.
Evoé!*
EDNALDO TORRES FELÍCIO 30/08/08
*evoé do Lat. evoe < Gr. euví interj., grito, brado das bacantes em honra de Dionísio (Baco), por ocasião das orgias.
Lá vai nosso herói Dr. Paxeco Com sua careca inconfundível A gravata e o paletó Misturando-se às pessoas da vida Lá vai Dr. Paxeco O herói dos dias úteis Misturando-se às pessoas que o fizeram
Formado, reformado, engomado Num sorriso fabricado Pela escola da ilusão Tem jeito de perfeito No defeito Sem ter feito com proveito Aproveita a ocasião
Dr. Paxeco, vai doutorar Dr. Paxeco, foi almoçar Do Do Do Do Do Doutor Do Do Do Do Do Doutor Paxeco
Perdido, dividido, dirigido Carcomido e iludido Tem nos olhos o cifrão Disfarça na fumaça e acha graça Sem saber que a rua passa Entre a massa e o caminhão
Dr. Paxeco não vai voltar Dr. Paxeco foi almoçar Dr. Paxeco não vai voltar Dr. Paxeco foi almoçar...
Não se preocupe com coisa alguma Porque tudo ficará bem.
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma Porque tudo ficará bem.
Acorde hoje pela manhã Sorria com o sol nascendo, Três passarinhos Estão em minha porta Cantando doces canções De melodias puras e verdadeiras, Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma Porque tudo ficará bem.
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma Porque tudo ficará bem.
Acorde hoje pela manhã Sorria com o sol nascendo, Três passarinhos Estão em minha porta Cantando doces canções De melodias puras e verdadeiras, Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh
Não se preocupe com isso, oh! Tudo vai estar bem. Não se preocupe!" "Não se preocupe com isso" – Eu não me preocuparei! "Tudo vai estar bem." Não se preocupe com isso, 'Tudo vai estar bem" – Eu não me preocuparei! Não se preocupe com isso, 'Tudo vai estar bem." Não se preocupe com isso! Tudo vai estar bem!
08/08/2008
"Tudo é tudo e nada é nada... Cada época é uma coisa mas é a mesma coisa, porque tudo é tudo e nada é nada." TIM MAIA
"Todo o chão de rodoviaria é igual, cheio de guimbas de cigarro e catarro" ON THE ROAD - JACK KEROUAK
E lá estava eu entre guimbas e catarro, agarrado à única coisa que me restou do casamento: uma mochila triste, com algumas cuecas, um par de camisas e uma solidao sem fim.
Nem fazia idéia de qual cidade do interior era aquela. Que importava? Fugia de mim mesmo, mas me encontrava em cada reflexo de janela de qualquer ônibus estacionado.
Fugia de mim, mas minhas memórias me perseguiam como se fossem um policial atrás de seu principal suspeito.
Era apenas mais um perdido na noite fria.
Ouvia ao longe adeus e olás, mas dentro de mim era a mesma fuga muda, cheia de medo e aflição.
Vinhos baratos corriam pelas veias e pela alma, mas nunca estive tão sóbrio.
A lembrança da casa e dos filhos distantes se confundiam com a última palavra Dela: Acabou.
Não me restava o trabalho "escravo", remunerado com esmolas, não me restava os vizinhos mudos ou a confusão da megalópole.
Lá estava eu: muleque perdido num exílio imposto por si mesmo. O fracasso das promessas diantes do Padre e do Juiz. O fracasso diante do espelho.
Agora, deitado atrás das cadeiras da rodoviaria de sei lá onde,não tinha de quem esconder o choro, mas não chorava.
O vento que cantava na orelha não me ninava e nem envergonhava. Eu era um que descera longe e não sabia para onde ia ou de onde viera.
Sem cigarros, sem álcool, sem futuro e com um passado distante, restava a mim o som de ônibus chegando a partindo em longos intervalos estéries com tristes silêncios etérios.
Nâo iria para lugar algum. Lá, naquele chão sujo, percebi que não tentava fugir Dela ou de Sampa ou do mundo: tentava fugir de mim. Mas onde fosse, meu fracasso e minha cobrança aguda me acompanhavam.
Curtos sonos interrompidos por novos ônibus.
Que me importa onde estava?
A Rodoviária e sua vida independente não me pertenciam, nem eu pertencia à Rodoviária. Naquela noite fui apenas o infeliz que dormiu atrás das cadeiras... Dormiu?
Fui o infeliz que despertou atrás das cadeiras e tentou uma nova vida, embarcando num ônibus novo, dalí para qualquer lugar, para qualquer destino, para qualquer morte, ou qualquer vida.
Não fazia ideia de onde o sol estivesse quando gastei meu último dinheiro para lugar nenhum...
O ônibus fechou a porta e pela janela ví a rodoviária ficando pra trás... Um punhado de luzes ficando menor a cada curva. Minha vida, um punhado de trevas ficando maior a cada esquina.
Nem sei onde estou. Não estou. Estive.
EDNALDO TORRES FELICIO Qualquer data e qualquer hora
Então, então você acha que consegue distinguir O céu do inferno Céus azuis da dor Você consegue distinguir um campo verde de um frio trilho de aço? Um sorriso de um véu? Você acha que consegue distinguir?
Fizeram você trocar Seus heróis por fantasmas? Cinzas quentes por árvores? Ar quente por uma brisa fria? Conforto frio por mudança? Você trocou Um papel de coadjuvante na guerra Por um papel principal numa cela?
Como eu queria Como eu queria que você estivesse aqui Somos apenas duas almas perdidas Nadando num aquário Ano após ano Correndo sobre este mesmo velho chão O que encontramos? Os mesmos velhos medos Queria que você estivesse aqui
Essa apresentação foi para arrecar jundos pras vítimas do tsunami
While My Guitar Gently Weeps (tradução) The Beatles (George Harrison)
Enquanto Minha Guitarra Gentilmente Chora
Eu olho você toda, vejo o amor que aí dorme Enquanto minha guitarra gentilmente chora Eu olho para o chão e vejo que precisa ser limpo Ainda minha guitarra gentilmente chora
Eu não seu porque ninguém te disse Como desdobrar seu amor Eu não sei como alguém te controlou Eles compraram e venderam você
Eu olho o mundo e eu noto que ele está girando Enquanto minha guitarra gentilmente chora Com todo erro certamente precisamos aprender Ainda minha guitarra gentilmente chora
Eu não sei como você foi divertida Você foi pervertida também Eu não seu como você foi invertida Ninguém te alertou
Eu olho você toda, vejo o amor que aí dorme Enquanto minha guitarra gentilmente chora Eu olho você toda Ainda minha guitarra gentilmente chora
DERCY NO CÉU "PORRA! Puta queo pariu São Pedro! Deus demorou pra caralho pra me tirar daquela merda! Fica com esses anjos pau no cú e não me tirava de lá!
Caralho! Ae São Pedro, traz uma gelada que eu to com a perereca ardendo! Caralheo, como é bonito aqui..."
São Pedro sorri e diz: "Bem vinda irmã, tente maneirar no linguagar."
E Dercy reponde: "Manerar o caralho! Vai tomar no cú, ô barbudo..."
Dercy passa pelos portões do céu sem perceber que por baixo da barba, São Pedro segura uma gargalhada...
Era casada. Não tinha filhos e quase não tinha marido. Não consegui entender como alguém simplesmente não enlouquecia com aqueles seios exuberantes e aquela coxa morena e dormia como um tolo todas noites sem tocar a Deusa Morena... Mas enfim, talvez entendesse: eram casados há tantos anos que cada calcinha nova ou baby-doll transparente que ela usava para ele parecia mais uma piada de mal gosto do que uma tentativa desesperada de salvar um relacionamento. De toda forma, eu não tinha nada a ver com isso. Ela era linda e carente. Seus cabelos negros pediam por um chamego e sua boca pedia qualquer tipo de excitação. Ela queria se sentir desejada de novo. Como se fosse apenas para provar-se diante do espelho de si mesma que ainda era Mulher e ainda provocava cobiça. Minha sorte é que ela estava tão cega que não percebia a multidão de homens que a seguiam tropeçando em toda a sensualidade que brotava de um corpo de seios grandes e bunda farta, uma daquelas mulheres que seus olhos não conseguem deixar de ver no meio de uma multidão. Não, eu não tinha nada a ver com sua delicada forma de sentir desejo, seu tesão recolhido e não disfarçado, sua luxúria travestida de ternura. E ela não tinha nada a ver com o fato de eu ser um canalha. Típico poeta perdido de boteco, com sonhos guardados e uma porção de carícias na ponta dos dedos, daquelas que fazem virar os olhos das mulheres sensíveis e de libido fácil. Nas suas próprias palavras ela "casara com um bonzinho, mas queria na verdade um maldito". E o maldito era eu, por pura sorte (minha). Enfim, depois de mais uma noite de negativa do marido (obrigado marido), ela aceitou meu convite. Trocamos tanta energia e ela gritou como há tempos não gritava e ela gemeu como há tempos não gemia e seu corpo moreno, refletido no espelho era todo tremor e querência. Foi um despertar da Mulher escondida sobre os poros da epiderme arrepiada e um desnudar da roupa de esposa que escondia a Mulher. Como bom canalha, sumi. Talvez tenha aberto caminho para outros poetas canalhas (e todos são canalhas) ou para o reencontro entre o marido bobo e a Mulher. Não sei, não me importo. Ela me rendeu alguns delírios e um ponto final ou seriam reticências...?
Enquanto estou deitado na minha cama à noite Eu não quero crescer Nada nunca parece dar tornar certo Eu não quero crescer
Como você se vira num mundo de neblina Que está sempre mudando as coisas Faz eu desejar que eu pudesse ser um cachorro
Quando eu vejo o preço que você paga Eu não quero crescer Eu nunca quero ser desse jeito Eu não quero crescer
Parece que as pessoas tornam-se coisas Que elas nunca querem A única coisa para se viver é hoje
Eu vou fazer um buraco na minha TV Eu não quero crescer Abrir a cômoda dos remédios Eu não quero crescer
Eu não quero ter que gritar bem alto Eu não quero que o meu cabelo caia Eu não quero me encher de dúvida Eu não quero ser um bom escoteiro Eu não quero ter que aprender a contar Eu não quero ter a maior quantia Não, eu não quero crescer
Quando eu vejo meus pais brigarem Eu não quero crescer Todos eles saem e bebem a noite toda Eu não quero crescer
Eu prefiro ficar aqui no meu quarto Não lá fora, a não ser tristeza e melancolia Eu não quero viver num grande túmulo velho na rua majestosa
Quando eu vejo o noticiário das 5 Eu não quero crescer Pentear seus cabelos e engraxar seus sapatos Eu não quero crescer
Ficar por aí na minha velha cidade natal Não quero gastar nenhum dinheiro Eu não quero um grande empréstimo Trabalhar duro Eu não quero flutuar numa vassoura Me apaixonar, casar e aí crescer
Como diabos eu cheguei aqui tão depressa? Não, eu não quero crescer
"Ela era a secretária do gerente. Seu nome era Carmem – mas, apesar do nome espanhol, ela era loira e usava vestidos colados de tricô, sapatos de salto agulha, meias de nylon, cinta-liga, trazia a boca muito pintada, porém, ah, ela sabia rebolar, sabia mexer, ondulava os quadris quando vinha com os pedidos até a mesa, voltava do mesmo modo para o escritório, a rapaziada de olho em cada movimento, em cada contração de sua bunda; oscilando, serpenteando, rebolando. Não sou um galanteador. Nunca fui. Pra ser galã, é preciso ter a lábia doce. Nunca fui bom em passar a lábia numa mulher. Mas, finalmente, com Carmem me pressionando, levei-a até um dos transportes de carga que descarregávamos nos fundos do galpão e a peguei de pé, atrás de um desses caminhões. Foi bom, foi quente; pensei no céu azul e em praias amplas e limpas, porém ao mesmo tempo foi triste – faltava, na certa, algum sentimento humano que eu desconhecia ou com o qual não sabia lidar. Eu tinha erguido aquele vestido de tricô acima da minha boca contra seus lábios carregados de batom escarlate e gozei entre duas caixas lacradas com o ar cheio de cinzas e com ela pressionada contra um caminhão imundo e descascado na misericordiosa escuridão."
“As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender, e tenho pena.” José Saramago
O vídeo abaixo é uma adaptação do livro "A MAIOR FLOR DO MUNDO". É lindo. Veja com seus filhos, seus sobrinhos ou simplesmente com a criança que existe dentro de você.
“Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?...” Saramago
Espero que a criança dentro de ti goste tanto quanto a criança que sou gostou.
Minha Namorada Carlos Lyra Composição: Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
Se você quer ser minha namorada Ah, que linda namorada Você poderia ser Se quiser ser somente minha Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha Que ninguém mais pode ser... Você tem que me fazer um juramento De só ter um pensamento Ser só minha até morrer... E também de não perder esse jeitinho De falar devagarinho Essas histórias de você E de repente me fazer muito carinho E chorar bem de mansinho Sem ninguém saber porque... E se mais do que minha namorada Você quer ser minha amada Minha amada, mas amada pra valer Aquela amada pelo amor predestinada Sem a qual a vida é nada Sem a qual se quer morrer Você tem que vir comigo em meu caminho E talvez o meu caminho Seja triste pra você... Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois E você tem que ser a estrela derradeira Minha amiga e companheira No infinito de nós dois.
Comfortably Numb (tradução) Pink Floyd Composição: Waters And Gilmour
CONFORTAVELMENTE ENTORPECIDO
Olá? Há alguém aí? Acene se você puder me ouvir Há alguém em casa? Agora, vamos, Ouvi dizer que você está mal Bom, eu posso diminuir sua dor Te deixar de pé de novo
Relaxe Eu preciso de algumas informações primeiro Apenas coisas básicas Você pode me dizer onde dói?
Não há dor, você está desaparecendo Como a fumaça de um navio Distante no horizonte Sinto você apenas em ondas Seus lábios se movem mas Não consigo ouvir o que você diz Quando eu era criança eu tive uma febre Minhas mão pareciam dois balões E agora eu tenho essa sensação novamente Eu não consigo explicar, você não entenderia Esse não sou eu Eu me sinto confortavelmente entorpecido
Ok Apenas uma picada Não haverá mais... Aaaaaahhhhh! Mas você pode sentir um mal estar Você pode se levantar? Eu acredito que esteja funcioando. Ótimo. Isso manterá você em pé Vamos, agora você tem que ir
Não há dor, você está desaparecendo Como a fumaça de um navio Distante no horizonte Sinto você apenas em ondas Seus lábios se movem mas Não consigo ouvir o que você diz Quando eu era criança eu tive uma visão fugaz No canto do meu olho Eu me virei para olhar mas já tinha sumido Eu não consigo alcançá-la agora A criança cresceu e o sonho se foi Eu me sinto confortavelmente entorpecido
Tardes longas, solitárias e distantes, nas quais eu sentava em frente a T.V. esperando mais uma luta do SAVAMÙ. Esse desenho era uma série genial e foi um dos primeiros desenhos a tratar as crianças daquele longínquo anos 80 como seres pensantes.
MInha casa era a típica casa da periferia de antigamente: cômodos pequenos, parede de reboque a mostra, um cachorro que corria pelo quintal para latir pra qualquer barulho. Sob a laje quente eu ficava sozinho enquanto meus pais trabalhavam. Savamú era um dos heróis que me faziam sonhar.
Hoje revi a abertura do desenho, que posto aqui.
Quem se julgar da natureza o rei O dono e senhor das tempestades Jogar sem muita certeza Contra deuses e demônios
Ah! Ele se julgava o demolidor (x5)
Mas não sabia que seu mundo era pequeno E os insetos que vagam pelos charcos Tem poucas chances de alcançar o oceano
Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor!
Isso é a vida real? Isso é só fantasia? Pego na minha terra Sem poder escapar da realidade Abra seus olhos Olhe para o céu e veja Eu sou apenas um pobre menino, Eu não preciso de nenhuma compaixão Porque eu venho fácil, fácil vou E possuo altos e baixos De qualquer jeito que o vento soprar, para mim não me importa realmente para mim
Mamãe, acabei de matar um homem Coloquei uma arma em sua cabeça Puxei o gatilho, agora ele está morto Mamãe, a vida acabou de começar Mas agora eu vou ter que jogar tudo fora Mamãe, ooo Não foi minha intenção te fazer chorar Se eu não voltar outra vez esta vez amanhã Continue, continue, Como se nada realmente importasse
Tarde demais, chegou minha hora Sinto arrepios em minha espinha Meu corpo está doendo toda hora Adeus a todos - eu agora tenho que partir Tenho que deixar todos vocês para trás E encarar a verdade Mamma, ooo - (de qualquer maneira o vento sopra) Eu não quero morrer Às vezes eu desejo nunca ter nascido
Eu vi uma pequena silhueta de um homem Palhaço, palhaço você fará o fandango Trovões e relâmpagos - me assustam muito Gallileo, Gallileo, Gallileo, Gallileo, Gallileo Figaro - magnífico;
Mas eu sou apenas um pobre menino e ninguém me ama Ele é só um pobre menino de uma pobre família Poupe sua vida desta monstruosidade O que vem fácil, vai fácil - você vão me deixar ir? Em nome de Deus! Não - nós não o deixaremos ir – Deixe-o ir Em nome de Deus! Nós não o deixaremos ir - deixe-o ir Em nome de Deus! Nós não o deixaremos ir - deixe-me ir Não o deixe ir - deixe-me ir (nunca) Nunca deixe-o em vão - deixe-me ir Nunca deixe-me em vão – ooo Não, não, não, não, não, não, não – Oh mamma mia, mamma mia, mamma mia deixe-me ir Belzebu, tem um diabo reservado pra mim pra mim? pra mim? Então você acha Que pode me parar e cuspir em meus olhos? Então você acha que pode me amar E me deixar morrer? Oh baby - não pode fazer pra mim, baby Apenas saia – Apenas saia logo daqui!
Ooh yeah, ooh yeah Nada realmente importa Qualquer um pode ver Nada realmente importa Nada realmente importa Pra mim...
Estava conversando com minha mulher na sala de nosso apartamento que fica no 5o andar, eu na cadeira do micro e ela no sofá. Senti o chão tremer, mas achei que era a cervejada que tomei a tarde.
Minha esposa disse: "O apartamento tá tremendo!"
Eu sorri e ela insistiu: "Tá sim, olha a televisão!"
Nossa TV fica sobre uma banqueta e balançava muito. Nesse momento, senti a cadeira balançar. Colocamos a coleira no cachorro e saímos assustados de casa.
Demorou bastante. A sensação é horrível, no chaveiro o molho de chaves balançava. Pensei que o prédio ia cair.
Fomos para a rua e esperamos um tempo até voltarmos para casa e ver pela TV a notícia do tremor.
O pior é que eu aposto que a Veja ou o Estadão vão dizer que a culpa foi do Lula...
Ah, na TV falou que o tremor foi de 5,2 na escala Richter (é assim que escreve?), mas deu um 7.0 de cagaço na minha escala cogoçônica...
Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder O que não dá mais pra ocultar e eu não quero mais calar Já que o brilho desse olhar foi traidor E entregou o que você tentou conter O que você não quis desabafar e me cortou
Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim Como se fosse o sol desvirginando a madrugada Quero sentir a dor desta manhã
Nascendo, rompendo, rasgando, tomando meu corpo e então eu Chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando Feito louca, alucinada e criança Sentindo o meu amor se derramando Não dá mais pra segurar explode coração
Essa personagem de Os Simpsons disse num episódio: "O blues não foi feito para você ficar feliz, mas para as pessoas se sentirem tristes." Excelente definição.
Essa música do Belchior me lembrou Pessoa e esse poema lindo, que vimos com amigos numa peça há muito tempo, quando ainda tinhamos sonhos.
ANIVERSÁRIO No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto. Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma, De ser inteligente para entre a família, E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, O que fui de coração e parentesco. O que fui de serões de meia-província, O que fui de amarem-me e eu ser menino, O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... A que distância!... (Nem o acho...) O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa, Pondo grelado nas paredes... O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), O que eu sou hoje é terem vendido a casa, É terem morrido todos, É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, Por uma viagem metafísica e carnal, Com uma dualidade de eu para mim... Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---, As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça! Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus! Hoje já não faço anos. Duro. Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada. Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
Só para loucos, isso é só para loucos... Caretas não! Só para loucos, isso é só para loucos... Ahaaaa...
Colhendo cogumelos na varanda de cristal A avenida paralela toma forma de aspiral Colhendo cogumelos pra fazer um chá legal Ficar muito louco curtindo um visual
Só para loucos, isso é só para loucos... Caretas não! Só para loucos, isso é só para os raros...
Confesso abestalhado nunca vi nada igual O banheiro era refúgio, recanto espiritual Lá em cima no instante que eu guardava livros raros, em cima da mesa, perto do vaso Colhendo sempre flores do espaço do universo, espinhos do destino fazem parte dos meus versos
João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
Há dias em que não sinto forças para levantar. Simples assim. Há dias em que não sinto nenhuma vontade de lutar. Não vejo sentido. Simples assim.
Minha filha cresceu. Encolhi.
Ela ainda precisa de mim? Como ajudá-la se não sinto vontade de sair da cama?
Amanhã tenho que encontrar parentes de minha esposa. Não queria, não quero. Não quero ver ninguém. Não quero fazer nada por ninguém. Eles não são minha família. O que é a minha família? Minha filha só me vê de quinze em quinze dias... é justo? Talvez não seja justo comigo, mas sei que é o melhor para ela. Ela prefere assim.
Ai saco, hoje é daquelas noites em que não me sinto útil para ninguém nem para nada.
Sei que estou passando por uma racaída da depressão. Um crise das crises intermitentes. Estou farto delas, mas cada vez que elas chegam, me sinto menos disposto a lutar contra elas.
Não sinto vontade de morrer. Apenas de ficar quieto.
Amanhã adoraria passar o dia com minha filha, somente com ela. Fazia tempo que ela não me via, mas tenho que ir a uma porra de um almoço com gente que não me pertence nem me importa.
O que aconteceria comigo se me jogasse dessa janela? Tá, machucados, ossos quebrados, hemorragia interna... e a morte. Mas... e daí? Será que eu pararia de sofrer?
Não posso fazer isso com minha filha. Esse é um pensamento que deve ser afastado.
No final das contas, amanhã cedo pegarei uma máscara no armário sujo e esconderei meus verdadeiros dramas, como tem sido desde que a depressão me derrubou. De máscara no rosto me protegerei da indiferença alheia.
Sabe de uma coisa? Vejo minha filha de quinze em quinze dias, não vou perder um desses dias sagrados para fazer média com ninguém (nem com minha esposa), não vou a porra de almoço nenhum e que se foda. Simples assim.
Amanhã vai fazer sol e vou aproveitar o sábado com a pessoa mais importante de minha vida. Minha filha. Simples assim.
Augusta, graças a deus, Graças a deus, Entre você e a angélica Eu encontrei a consolação Que veio olhar por mim E me deu a mão. Augusta, que saudade, Você era vaidosa, Que saudade, E gastava o meu dinheiro, Que saudade, Com roupas importadas E outras bobagens. Angélica, que maldade, Você sempre me deu bolo, Que maldade, E até andava com a roupa, Que maldade, Cheirando a consultório médico, Angélica. Augusta, graças a deus, Entre você e a angélica Eu encontrei a consolação Que veio olhar por mim E me deu a mão. Quando eu vi Que o largo dos aflitos Não era bastante largo Pra caber minha aflição, Eu fui morar na estação da luz, Porque estava tudo escuro Dentro do meu coração.
Esse vídeo foi dirigido pelo mesmo diretor de "Quero ser John Malkovich", o excelente Spike Jonze. Tem também o genial Christopher Walken (O franco-atirador, A lenda do cavaleiro sem cabeça) interpretando um homem que se aproveita da falta de pessoas para dançar num luxuoso hotel ao som de Fatboy Slin.
Excelente! Dança e som!
Aliás, o Fat tem vídeos fodásticos. Dia desses posto outro. Se vc se interessar, procure "Praise You" no youtube. É ótimo.
Eu não sei o que o meu corpo abriga Nestas noites quentes de verão E nem me importa que mil raios partam Qualquer sentido vago de razão Eu ando tão down Eu ando tão down Outra vez vou te cantar, vou te gritar Te rebocar do bar E as paredes do meu quarto vão assistir comigo A versão nova de uma velha história E quando o sol vier socar minha cara Com certeza você já foi embora Eu ando tão down Eu ando tão down Outra vez vou me esquecer Pois nestas horas pega mal sofrer Da privada eu vou dar com a minha cara De panaca pintada no espelho E me lembrar, sorrindo, que o banheiro É a igreja de todos os bêbados Eu ando tão down Eu ando tão down Eu ando tão down Down... down
Eu ando tão down
(Essa música diz meu estado de espírito nestes últimos dias...)
Todo o ano todo mundo diz que o Oscar não vale porra nenhuma, afinal Kubrick nunca ganhou um Oscar, Cidadão Kane não ganhou Oscar de melhor filme... Mas todo o ano, todo mundo fica de olho na TV para ver os ganhadores, assiste os filmes indicados e torce por um ou mais deles.
Não vou fugir à regra. Eis minha modesta lista. Escolhi apenas algumas categorias (as mais relevantes) e coloco os que gostaria que ganhassem e os que acho que vão ganhar. É sempre divertido.
A gente tem que destacar que uma BLOGUEIRA pode ganhar Oscar de roteiro. Sim, a Ex-stripper Diablo Cody começou a escrever sua história num blog e o escrito deu origem ao excelente filme JUNO, que concorre a roteiro original. Sorte pra ela em nome de todos os blogueiros!
Enfim, minhas apostas:
ANIMAÇÃO
GANHA: Ratatouille GOSTARIA QUE FOSSE: Persépolis COMENTÁRIO: Persópolis é genial e conta a problemática do induísmo no Irã. Mas o filme do Rato tem a franquia da Disney e sabe como é...
ATRIZ COADJUVANTE
GANHA: Cate Blanched (Não estou lá) GOSTARIA QUE FOSSE: Cate Blanched ;-) (Não estou lá) COMENTÁRIO: Ela não vai ganhar a estatueta de melhor atriz, mas vai levar coadjuvante interpretando o Bob Dylan sem ser piegas. A mina é o cara!
ATOR COADJUVANTE
GANHA: Javier Bardem (Onde os fracos não têm vez) GOSTARIA QUE FOSSE: Javier Bardem (Onde os fracos não têm vez) COMENTÁRIO: Não tem pra ninguém. Ele tem uma cara de louco assustadora como matador no filme "Onde os fracos não têm vez". Está genial. Ele é um puta ator, quem viu "Mar adentro" sabe do que estou falando.
ATRIZ
GANHA: ??? Marion Cottilard ????? (Piaf) GOSTARIA QUE FOSSE: Ellen Page (Juno) COMENTÁRIO: A Ellen está muito bm nesse filme, mas o filme é muito pop pra academia premiá-lo. Não vi a Marion, mas pelo que lí ela está impecável como Piaf.
ATOR
GANHA: Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) GOSTARIA QUE FOSSE: Johnny Depp (Sweeney Tood) COMETÁRIO: Johnny Deep é o ator mais genial de nosso tempo. Multi-faces, inteligente e cult (embora pop), ele se coloca acima da média no último filme do Tim Burton, uma espécie de Edwards Mãos de Tesoura do Mal. Entretanto, a Academia vai preferir o Daniel Day-Lewis pois seu filme é mais "americano", assim como seu personagem no excelente "Sangue Negro", o que facilita a identificação com o filme.
DIRETOR
GANHA: Paul anderson (SANGUE NEGRO) GOSTARIA QUE FOSSE: Paul anderson (SANGUE NEGRO) COMENTÁRIO: Sangue Negro é mais "fechado" que os demais. "Onde os fracos..." se perde no caminho, o que é culpa dos diretores.
FILME
GANHA: Sangue Negro GOSTARIA QUE FOSSE: PERSÉPOLIS (que nem indicado pra melhor filme foi...) COMENTÁRIO: Gostaria que fosse Juno, mas Sangue Negro também merece. "Juno" é muito legal, mas para ganhar Oscar de melhor filme, tem que ser um filmão. O que "Sangue Negro" realmente é e "Onde os fracos não têm vez" quase é. Persépolis é melhor que todos eles junto!
Às folhas tantas Do livro matemático Um Quociente apaixonou-se Um dia Doidamente Por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável E viu-a, do Ápice à Base, Uma Figura Ímpar; Olhos rombóides, boca trapezóide, Corpo octogonal, seios esferóides. Fez da sua Uma vida Paralela à dela Até que se encontraram No Infinito. "Quem és tu?" indagou ele Com ânsia radical. "Sou a soma do quadrado dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa." E de falarem descobriram que eram O que, em aritmética, corresponde A almas irmãs Primos-entre-si. E assim se amaram Ao quadrado da velocidade da luz Numa sexta potenciação Traçando Ao sabor do momento E da paixão Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais. Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas E os exegetas dc Universo Finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. E, enfim, resolveram se casar. Constituir um lar. Mais que um lar, Uma Perpendicular. Convidaram para padrinhos O Poliedro e a Bissetriz. E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro Sonhando com uma felicidade Integral E diferencial. E se casaram e tiveram uma secante e três cones Muito engraçadinhos. E foram felizes Até aquele dia Em que tudo, afinal, Vira monotonia. Foi então que surgiu O Máximo Divisor Comum Freqüentador de Círculos Concêntricos. Viciosos. Ofereceu-lhe, a ela, Uma Grandeza Absoluta, E reduziu-a a um Denominador Comum. Ele, Quociente, percebeu Que com ela não formava mais Um Todo, Uma Unidade. Era o Triângulo, Tanto chamado amoroso. Desse problema ela era a fração Mais ordinária. Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade E tudo que era expúrio passou a ser Moralidade como, aliás, no resto da Sociedade.
Ai que prazer não cumprir um dever. Ter um livro para ler e não o fazer! Ler é maçada, estudar é nada. O sol doira sem literatura. O rio corre bem ou mal, sem edição original. E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma. Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol que peca Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças, Nem consta que tivesse biblioteca...