02/05/2009

O DIA EM QUE TIREI UM SARRO DO JOSÉ SERRA, GOVERNADOR E VAMPIRO



Abertura do Ano da França no Brasil. Evento bonito no Parque da Luz, aqui em Sampa. Meia noite. Tochas iluminando o parque. Artistas franceses decoraram o velho Parque com instalações que misturavam fogo, fumaça e música. Muita gente para ver a bela exposição.
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Em meio à muvuca, cercado de repórteres e seguidores, eis que aparece o José Serra, o Vampiro Brasileiro, aquele que já se acha Presidente do País em 2010, ladeado por Kassab, seu filho draculino, visitando as obras expostas.
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Me aproximei e gritei alto, erguendo o polegar: "Serra!"
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Ele olhou e sorriu largo. Estava orgulhoso de si. Achava que eu era seu eleitor.
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Em seguida emendei: "Vai perder outra Eleição! 2010 é Dilma! Viva Lula!!!"
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Ao ouvir minhas palavras, a face do Governador sobreu metamorfose: seu sorriso quase humano sumiu, sua cara fechou-se, mostrando sua face Vampiresca. Ao seu lado, Kassab riu (RIU MESMO). As pessoas ficaram quietas, surpresas. Serra me encarando muito nervoso. Estávamos muito próximos. Achei que, se ele pulasse, conseguiria morder minha jugular. Ri de meu pensamento. Alguém gritou ao fundo "É Lula!!!"
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Dei as costas ao Governador e saí soberbo. Escutei ainda mulher gritar "Vai pra casa, otário", se referindo, imagino, a mim (ela tinha voz de tucana Cansada). MInha esposa emendou incisiva: "Ele já falou com o Porcão, não precisa falar com porquinhos."
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Saímos rindo enquanto minha filha dizia: "Ae Pai... uhúúúú´Mandou bem!!!" MInha afilhada bateu em minha mão e sorriu me dizendo "Tio, você é ótimo!"
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kkkkkkkk Não podia deixar de contar isso a vocês. O sorriso do Vampiro que se transformou numa fração de segundos numa cara amarrada. FOI LINDO.
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ESTOU ME AMANDO. hahahahahhahahahahah
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Abraços

29/04/2009

O Amanhã É Distante

O Amanhã É Distante

Composição: Bob Dylan/Versão: Geraldo Azevedo/Babau

E se hoje não fosse essa estrada
Se a noite não tivesse tanto atalho
O amanhã não fosse tão distante
Solidão seria nada pra você

Se ao menos o meu amor estivesse aqui
E eu pudesse ouvir seu coração
Se ao menos mentisse ao meu lado
Estaria em minha cama outra vez

Meu reflexo não consigo ver na água
Nem fazer canções sem nenhuma dor
Nem ouvir o eco dos meus passos
Nem lembrar meu nome quando alguém chamou
Se ao menos o meu amor estivesse aqui
E eu pudesse ouvir seu coração
Se ao menos mentisse ao meu lado
Estaria em minha cama outra vez

A beleza do rio do meu canto
A beleza em tudo o que há no céu
Porém nada com certeza é mais bonito
Quando lembro dos olhos do meu bem
Se ao menos o meu amor estivesse aqui
E eu pudesse ouvir seu coração
Se ao menos mentisse ao meu lado
Estaria em minha cama outra vez

24/04/2009

frio


- QUEM CLAMA? - A Voz veio de longe...
Senti medo. Parei de pedir ajuda por alguns momentos, mas meus ossos doíam no frio intenso e minha face era queimada pelo vendo.
Por todos os lados, o gelo branco. O maldito assobio do vento, sempre no mesmo tom, sempre na mesma nota, incessante, angustiante, enlouquecedor.
Gritei por socorro e por socorro e por clemência, mas só o eco me respondia... Até que a Voz fez-se novamente presente. Grutural, monstruosa, vinda da amplidão clara de gelo e neve.
- QUEM CLAMA?????
Não havia onde me esconder. Me agachei impulsivamente, como se me defendesse de um golpe e balbuciei:
- sou eu...
Silêncio. Segundos de silêncio que pesaram ainda mais meu terror e curvaram minha coluna escondendo minha cabeça entre os joelhos.
- NÃO TENS DIREITO A CLAMOR!!!!! - A Voz chacolhou a neve e o gelo - FOSTE SEMPRE VIL. FOSTE SEMPRE INCLEMENTE E AGORA CLAMAS POR SOCORRO????? ÉS UM ANIMAL E COMO TAL SERÁS AQUI TRATADO POR TODA A ETERNIDADE!!!!!!
Calou-se. O vento voltou a soprar sua canção monotônica e eu entendi, por fim, que o Inferno não era quente, pelo meno não naquela parte...


EDNALDO TORRES FELICIO
abril/09

21/04/2009

cadeira elétrica


The Mercy Seat
Johnny Cash



It all began when they took me from my home
And put me on Death Row,
a crime for which I am totally innocent, you know.

I began to warm and chill
To objects and their fields,
A ragged cup, a twisted mop
The face of Jesus in my soup
Those sinister dinner deals
The meal trolley's wicked wheels
A hooked bone rising from my food
All things either good or ungood.

And the mercy seat is waiting
And I think my head is burning
And in a way I'm yearning
To be done with all this weighing of the truth.
An eye for an eye
And a tooth for a tooth
And anyway I told the truth
And I'm not afraid to die.

I hear stories from the chamber
Christ was born into a manger
And like some ragged stranger
He died upon the cross
Might I say, it seems so fitting in its way
He was a carpenter by trade
Or at least that's what I'm told

My kill-hand's
tatooed E.V.I.L. across it's brother's fist
That filthy five! They did nothing to challenge or resist.

In Heaven His throne is made of gold
The ark of his Testament is stowed
A throne from which I'm told
All history does unfold.
It's made of wood and wire
And my body is on fire
And God is never far away.

Into the mercy seat I climb
My head is shaved, my head is wired
And like a moth that tries
To enter the bright eye
I go shuffling out of life
Just to hide in death awhile
And anyway I never lied.

And the mercy seat is waiting
And I think my head is burning
And in a way I'm yearning
To be done with all this weighing of the truth.
An eye for an eye
And a tooth for a tooth
And anyway I told the truth
And I'm not afraid to die

And the mercy seat is burning
And I think my head is glowing
And in a way I'm hopin'
to be done with all this twistin' of the truth.
An eye for an eye
And a tooth for a tooth
And any way there was no proof
And I'm not afraid to die

And the mercy seat is glowing
And I think my head is smoking
And in a way I'm hopin'
to be done with all these looks of disbelief.
A life for a life
And a truth for a truth
And I've got nothin' left to loose.
And I'm not afraid to die

And the mercy seat is smoking
And I think my head is melting
And in a way that's helpin'
to be done with all this twistin' of the truth
An eye for an eye
And a tooth for a tooth
And any way I told the truth
But I'm afraid I told a lie.

17/04/2009

pornográficos

Oh! Sejamos pornográficos

(docemente pornográficos).

Por que seremos mais castos

Que o nosso avô português?



Oh ! sejamos navegantes

Bandeirantes e guerreiros

Sejamos tudo que quiserem

Sobretudo pornográficos.



A tarde pode ser triste

E as mulheres podem doer

Como dói um soco no olho

(pornográficos, pornográficos).



Teus amigos estão sorrindo

De tua última resolução.

Pensavam que o suicídio

Fosse a última resolução.

Não compreendem, coitados,

Que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso a teu vizinho,

Ao condutor do teu bonde,

A todas as criaturas

Que são inúteis e existem,

Propõe ao homem de óculos

E à mulher da trouxa de roupa.


Dize a todos: Meus irmãos,

Não quereis ser pornográficos?


carlos drummond de andrade

16/04/2009

pernas




O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas

Para que tanta perna, meus Deus, pergunta o meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

(Poema de sete faces - Drummond)

Bento XVI - Não use camisinhas!

Sont les mots qui vont tres bien ensemble

Começo de namoro. Eu e a Cintia, minha atual esposa, passávamos a madrugada na sala da casa dela se amando ao som dos Beatles.

No velho 3 em 1 da Sony ouvíamos os caras de Liverpool cantando Michelle com alguns versos em francês. Nem sabíamos que era francês! Apenas gostávamos e nos amávamos. Nos amávamos muito, como continuamos nos amando mais de uma década depois.

Tenho certeza de que escolhi a melhor mulher que passou pela minha vida. A mais bonita, a mais elegante e a mais sofisticada.

Foi ao som dos caras de Liverpool que descobri tudo isso





Michelle, ma belle.
These are words that go together well,
My Michelle.

Michelle, ma belle.
Sont les mots qui vont tres bien ensemble,
Tres bien ensemble.

I love you, I love you, I love you.
That's all I want to say.
Until I find a way
I will say the only words I know that
You'll understand.

I need you, I need you, I need you.
I need to make you see,
Oh, what you mean to me.
Until I do I'm hoping you will
Know what I mean.

I love you.

I want you, I want you, I want you.
I think you know by now
I'll get to you somehow.
Until I do I'm telling you so
You'll understand.

I will say the only words I know that
You'll understand, my Michelle.

11/04/2009

NASSIF fala sobre o caso do Adriano, o Imperador

Nassif fez um espetacular comentário sobre como a mídia está tratando o caso do Adriano, o Imperador.




De volta pro meu aconchego
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Poucas vezes vi gesto mais humano, mais rico, do que o jogador Adriano explicando porque vai parar de jogar e voltar a favela. Nesses tempos em que a hipercompetição provocou as neuroses do trabalho, os workaholics (e quem escreve é um), a competição feroz, o craque de reputação internacional manda parar tudo e diz: quero voltar para a favela e conviver com meus amigos.
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Ele é o são. Doentes somos os que trabalham dia e noite, sem tempo para curtir amigos e família, os que eram felizes e não sabiam, os que vão atrás das turmalinas da vida, os que não tem tempo sequer para algumas rodadas de choro no bar do Alemão.
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E os doentes reagem. Jornais saem atrás de explicações estapafúrdias, envolvimento com tráfico, piração, depressão. Os doentes reagem violentamente contra os que expõem a eles próprios suas neuras, seu suicídio diário engolindo sapo, abandonando as raízes, esquecendo a família.
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Tempos atrás trabalhou comigo uma parente do Cafu que contava sobre a fundação que ele fez para amparar o bairro pobre onde ele nasceu. Sempre valorizei muito os que têm orgulho da sua origem. Não apenas orgulho, mas gratidão pelos valores recebidos, pelo círculo de afetos.
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Não tenha dúvida de que tanto Cafu quanto Adriano são grandes pessoas. E absolutamente normais, mesmo passando por crises, ao contrário dos que tentaram encontrar motivos anormais para seu gesto.
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http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/04/10/de-volta-pro-meu-aconchego/

08/04/2009

ESSE É O CARA!

CHUUUUUUPA OPOSIÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


LULA, O POLÍTICO MAIS POPULAR DA TERRA, by Obama



06/04/2009

CRUZADAS DE PERNAS

Nada como uma mulher linda cruzando as pernas na tua frente,quando vc menos espera...

Tem um conto do Verríssimo em que ele paquera uma mulher na sala do dentista.
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Transcrevo uma parte:
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"Ele pensa: Que mulherão. Que pernas. Coisa rara, ver pernas hoje em dia. Sempre fui um homem de pernas. Pernas com meias. Meias de nylon. Como eu sou antigo. Bom era o barulhinho. Suish-suish. Elas cruzavam as pernas e fazia shuish-suish. Eu era doido por um shuish shuish."
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Mais pra frente ela repara que ele tá vendo as pernas dela
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"Ela: ele está olhando as minhas pernas por baixo da revista. Vou descruzar as pernas e cruzar de novo. Só pra ele aprender."
"Ele: ela descrusou e cruzou de novo! Ai meu Deus. Foi pra me matar. Ela sabe que eu to olhando. Também, a revista está de cabeça pra baixo. E agora? Vou ter que dizer alguma coisa..."
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E abaixo, a cruzada de pernas mais espetacular da História do cinema:



03/04/2009

I Hung my Head

Em breve uma manhã
Com tempo para matar
Eu peguei emprestado o rifle de Jebb
E sentei numa colina
Eu vi um cavaleiro sozinho
Atravessando a campina
Eu extraí uma gota dele
Para praticar minha mira

O rifle do meu irmão
Foi tirado de minha mão
Um tiro foi soado
Acima da terra
O cavalo manteve-se correndo
O cavaleiro estava morto
Eu abaixei minha cabeça
Eu abaixei minha cabeça

Eu saí a caminho correndo
Para acordar do sonho
O rifle do meu irmão
Foi para dentro do resplendor
Eu me mantive correndo
Pelas terras do sul
Aquelas que estão onde eles me acharam
Minha cabeça e minhas mãos

O xerife me perguntou
Por que eu corri
E então veio até mim
Apenas o que eu tinha feito
E tudo por nenhuma razão
Apenas uma paz de liderança
Eu abaixei minha cabeça
Eu abaixei minha cabeça

Aqui na casa da corte judicial
A cidade inteira estava ali
Eu vi o juíz
De alta posição na cadeira
Explicando à sala da corte
O que estava dentro de sua mente
E nós perguntaremos ao júri
Qual o veredito que eles encontraram

Eu senti o poder
Da morte pular sobre a vida
Eu deixei orfãs as crianças dele
Eu enviuvei a esposa dele
Eu pedi o perdão deles
Eu desejava que eu estivesse morto
Eu abaixei minha cabeça
Eu abaixei minha cabeça

Eu abaixei minha cabeça
Eu abaixei minha cabeça

Em breve uma manhã
Com tempo para matar
Eu vejo a forca
Acima da colina
E fora na distância
Um truque do cérebro
Eu vi um cavaleiro sozinho
Atravessando a campina

E ele veio me encantar
Para ver o que eu tinha feito
E nós corremos juntos
Para o reino voltamos
Eu rezei pela misericórdia Deus
Para que em breve eu pudesse estar morto
Eu abaixei minha cabeça
Eu abaixei minha cabeça

Eu abaixei minha cabeça
Eu abaixei minha cabeça


J. Cash


17/03/2009

ouvindo Cash e Nelson

Quero apenas pegar a estrada em qualquer direção e ver as árvores correndo para trás de meu caminho como flechas tristes que se perdem sem alvos ou, na pior das hipóteses, atingem alvos inocentes.

Que o asfalto seja negro, quente, crú e apático sob a titubeante roda de mim.

Quero ver a rodovia erma e seca rasgar-se diante de meus olhos como as pernas da prostituta perdida e indiferente ao homem que a possui... possui?

Quero ouvir o zumbido triste do vento etéreo e solitário gelando minha pele, minhas ilusões e meus sonhos.

Até compreender que a vida é uma farsa, no exato momento em que a curva chegar e eu não me desviar, me precipitando barranco abaixo.

Oh, meu Deus, mais que fingidor, o poeta é um covarde mentiroso!

EDNALDO TORRES FELICIO
solidão da Rua Augusta
17 de março de 2009 pouco antes do amanhecer



14/03/2009

uma madrugada inteira ouvindo Tim Maia

E vou postar duas sonzeiras... A segunda é um soul de primeira linha





VIVA A MÚSICA NEGRA BRASILEIRA! VIVA TIM MAIA!

13/03/2009

Lembranças de infância


Era eu menino. Muito menino. Acabara de ser alfabetizado.

Meu mano com idade mais próxima à minha era seis anos mais velho que eu. E ele tinha um livro de português...

Nas tardes enooooormes e vazias daquela Carapicuíba de ruas de terra, eu roubava seu livro e me esforçava para ler o livro que era para um série seis anos à frente da minha...

Como era difícil ler os contos, lia as poesias do livro. Foi assim que me tornei poeta.

Uma daquelas poesias, lidas nas tardes de chuva entre o jogo de botão e os carrinhos de plástico, reencontrei agora e descobri que é do genial MÁRIO QUINTANA.

Obrigado Mário, por preencher aquelas tardes distantes com sua poesia linda.

RECORDO AINDA

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

Mario Quintana


PS.: Na foto, meu mano correndo sobre a laje de casa

12/03/2009

Olha essas caricaturas

As caricaturas virtuais abaixo são simplesmente geniais. Peguei no blog http://photoshopvicio.blogspot.com/ vale a pena entrar e ver.





10/03/2009

SENHORAS E SONHORES, O FENÔMENO VOLTOU!

É possível sim, se levantar, mesmo quando a queda já é velha conhecida e insiste em estar presente na vida.

É possível sim, sorrir, mesmo quando todos dizem que você está acabado.

É possível sim, usar o exemplo do futebol para utilizar na própria vida.

Um gol aos 47 do segundo tempo, contra o maior rival do Corinthians. Um gol antológico. De um vencedor, de um Fenômeno.

Que consigamos também nos superar, quando nossos "meniscos" da vida romperem seus ligamentos frágeis e nos lembrar que somos Humanos, Humanos para cacete.


05/03/2009

VEGONHA - FOLHA DIZ QUE PAÍS TEVE DITABRANDA E NÃO DITADURA


Não se assuste: o desenho ao lado, do Latuff, é uma provocação, traduzindo o que a Folha de S. Paulo quis dizer por ‘ditabranda’, em editorial publicado no dia 17 de fevereiro passado. Para o jornal do dândi Otavinho Frias, o regime militar no Brasil foi moleza. E quem tentou deixar seu protesto na seção de cartas do jornal foi esculachado mais uma vez. Por isso no próximo dia 7, sábado, vamos reunir uma galera boa em frente ao prédio da Folha, na rua Barão de Limeira (SP) para um ato em repúdio à ‘ditabranda’. De lá vamos blogar, tuitar, iutubar, via celular, laptop e o que mais tivermos em mãos.



(Em tempo: texto imperdível lá no Vi o Mundo, do Azenha - A Escolinha do Professor Kamel)

http://www.viomundo.com.br/opiniao/a-escolinha-do-professor-kamel/

04/03/2009

post para Cintia, meu amor



Ela desatinou
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando
Ela não vê que toda gente, já está sofrendo normalmente
Toda a cidade anda esquecida, da falsa vida, da avenida
Onde Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando
Quem não inveja a infeliz, feliz
No seu mundo de cetim, assim,
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado

03/03/2009

mais um do velho Bukowski

loucura?


olha, ele disse, admita.

o quê? perguntei.

quando você vê aquela gorda

no supermercado que está

escolhendo laranjas, não

se sente a fim de ir lá e

espremer aquelas ancas feias

bem forte

apenas para ouvi-la gritar?

do que diabos você está falando,

cara? perguntei.

e quando o garçom te traz

teu jantar, não pensa

por um instante que poderia

matá-lo?

não antes do jantar, respondi.

o que estou querendo dizer com isso,

ele continuou,

é que há uma linha muito tênue

entre o que chamamos sanidade e

o que chamamos loucura

e que o esforço que fazemos para

permanecer no lado são

só é feito para que não sejamos

punidos pela

sociedade.

senão, iríamos

frequentemente cruzar essa linha e

as coisas seriam muito mais

interessantes

eu não sei do que diabos

você está falando, cara,

eu disse a ele.

ele apenas suspirou, me olhou

e disse, deixa pra lá, amigo.

01/02/2009

MELHOR FILME QUE VI, ATÉ AGORA, EM 2009

O LUTADOR

com Mickey Rourke.

Música tema do Bruce Springsteen


Veja, ouça. E vá ao cinema

23/01/2009

Seu Cristiano e a Crise


FAZ três dias que Seu Cristiano não dorme.

Deita a cabeça no travesseiro e pensa e pensa e pensa... mas não dorme.

Faz tres dias que os maiores fantasmas do mundo moderno o amedrontam: O DESEMPREGO, AS CONTAS e O FRACASSO.

Cristiano não tem filhos. Mas tem uma mulher e ama. Cristiano morre de vergonha de sentir medo. E seu medo nasce da tola idéia de que sua mulher o ama porque ele tem sucesso.

- Que porra afinal é o sucesso? - pensa cristiano.

Começou moço na empresa. Garoto de recados, ajudante de contabilidade, auxiliar de controle de materiais, escriturário I, escriturário II, chefe da contabilidade e há uns tantos anos, contador.

Em 25 anos de trabalho, só chegou atrasado uma vez: quando morreu a mãe. Enterrou a velha e correu pra mesa: tinha relatórios a entregar.

Vinte e cinco anos de empresa e nenhum amigo. Porções de inimigos que lhe falavam pelas costas e riam-se de seu terno cinza e sua gravata preta e suas meias de algodão que cobriam um corpo delgado, sem músculos ou pelos, sem sonhos nem anseios.

Não casou por amor, casou por acaso, com uma moça tímida da expedição que foi obrigada a pedir demissão da empresa porque é inadimissível numa empresa séria como a PAPELINTER, dois funcionários de namoricos (namorico que rendeu um dos poucos puxões de orelha, do seu Narciso, o chefe geral). Mas com o tempo foi se apegando à moça. Ela cozinhava bem, coçava-lhe as costas e mais: era quieta.

Faz três dias que Seu Cristiano não dorme. Ele sabe que a crise, aquela que veio de fora com a força de uma marola, vai lhe tirar o emprego. Ele sabe mesmo, que maior que a crise foi a incapacidade gerencial do Seu Narciso de se prevenir para a marola, que fez com que as vendas despencassem, os pedidos minguassem e o lucro do patrão, o Seu Alaor, caísse.

- Filho da puta - pensa Seu Cristiano - o Narciso se comprometeu em importar e nem percebeu que o dólar ia subir?

Faz três dias que Seu Cristiano não dorme. Pela primeira vez na vida, será demitido. Pela primeira vez na vida, não terá o sobrenome PAPELINTER, pela primeira vez na vida será apenas o Seu Cristiano, sem filhos, sem sonhos e a partir de amanhã, sem emprego.

Deveria dormir, o Seu Cristiano. Ficar acordado na cama com preocupações nunca garantiu o emprego de ninguém...

PS.: Seu Narciso acumulará, durante a crise, o papel de Gerente Geral e Contador, e continuará cuidando da empresa do Seu Alaor como se fosse um caseiro cuidando de um sítio particular.

EDNALDO TORRES FELÍCIO
23/01/09
06:15hs

20/01/2009

!?

pois o cachorro morde teu pé
e não deixa você nadar
enquanto o sangue escorrendo da carne
te impulsiona para o alto
anjos disfarçados de mulheres
vigiam elefantes e te salvam

pois qualquer cigarro aceso
nunca deixa de ser Poeta
enquanto se consome em fogo
misto de câncer, amparo e solidão

pois qualquer barulho
com o mínimo de sincronia
no ouvido de um louco é blues
e quaisquer palavras
refletidas na retina de uma menina
é poesia

pois ninguém percebe
das janelas e janelas e janelas dos prédios
(e fora deles)
o muxoxo das rezadeiras
misturado aos gemidos falsos das prostitutas.

o sol se prepara pra nascer
enquanto tens à boca
um mamilo rosado
de uma santa pagã

EDNALDO TORRES FELICIO
20/01/09


hoje

hoje perdi meu emprego.

disseram que foi por causa da crise mundial.

fato é que perdi o emprego.

passei na experiência no dia 6 e hj dia 19 fui demitido.

não estou triste, nem desolado, nem perplexo.

realmente não tive nenhuma reação e ainda não tenho.

é isso...

07/01/2009

Há sol lá fora
há crianças brincando
há trabalho a ser feito
há vida transbordando do sol;

Há vento lá fora
cabelos negros esvoaçando
saias insistindo
em mostrar o que deveriam esconder;

Há cheiro de fumaça
de ônibus lotado de gente
de gente lotada de vida
de vida repleta de esperança;

Há cães fiéis aos seus donos
há donos fiéis aos seus cães
gatos sobre telhados
armando o bote nos passarinhos;

Há Igrejas enormes e vazias
há prisões pequenas e lotadas
há malandro espreitando ingênuos
há ingênuos perdidos em devaneios

Na penumbra de meu quarto escuro
tudo ouço
tudo sinto
mas não participo
Me furto de haver.

EDNALDO TORRES FELICIO

05/01/2009

1o post de 2009




A Bunda, que Engraçada

Drummond

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda


18/12/2008

QUIETO


Hoje estou quieto
sem rima e sem rumo



EDNALDO TORRES FELICIO
Há um silencio dentro de mim, esse silencio tem sido a fonte de minhas palavras.

CLARISSE LISPECTOR

30/11/2008

cintia, te amo



In My Life (tradução)
The Beatles

Composição: Lennon / McCartney

Em minha vida

Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns se foram e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns estão mortos e outros estão vivendo
Em minha vida, já amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você
Em minha vida...
Eu amo mais a você

21/11/2008

saidadeira




Gipsy woman told my mother before I was born
You got a boy child comin', 'll be a son of a gun
Gonna make pretty women jump and shout
Then the world gonna know what it's all about

'cause I'm here
Everybody knows I'm here
I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

I got a black cat bone, I got a mojo too
I got john the conqueror roots, I'm gonna mess with you
I'm gonna make you girls lead me by the hand
Then the world gonna know I'm a hoochie goochie man

I'm here
Everybody knows I'm here
Oh, I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

On the 7th hour
On the 7th day
On the 7th month
The 7th doctor say
He was born for good luck
And that you'll see
I got seven hundred dollars
Don't you mess with me

'cause I'm here
Everybody knows I'm here
I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

Oh, I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

Yeah, I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

Hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
Oh, I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man...

madrugada blues 2

madrugada blues

29/10/2008

para meu cumpadre e amigo Rogério



Caminhava pela rua morta.

Não estava mais perdido na cidade

Do que em si mesmo.



Deserta, escura e triste,

Era a rua que caminhava nele.



A rua oferecia-lhe as esquinas,

Os becos, os bares fechados,

Os fantasmas bizarros.



A rua mostrava-se como uma prostituta fria,

Seus pés apenas davam passagem ao asfalto,

À calçada, aos faróis,

À ladainha de um ou outro motor solitário que por vezes passava por ele.



Talvez ele sempre estivera ali

Esperando pelo amor na próxima esquina,

Pela esquina no próximo farol,

Pelo farol na eterna escuridão.



A rua passava por ele, pois estava perdida.

A rua estava perdida na cidade.

Não lhe cabiam as placas, a poeira e o tédio.

Não lhe cabia a solidão.



A rua acariciou-lhe os pés,

Antes que ele dobrasse a esquina,

E a deixasse.





EDNALDO TORRES FELICIO
(RUA AUGUSTA - SAMPA)

PEÇO DESCULPAS

Frei Betto

Estou gravemente enfermo.

Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, as economias familiares, o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.

Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade.

Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização.

Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e que o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos.

Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período.

Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação.

Para contê-la, o governo subiu os juros… e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou.

Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro.

Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.

Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado!

Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores.

Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.

Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência.

Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.

Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.

26/10/2008

EU VOLTEI, AGORA PRA FICAR

Hoje, eu estava no Pacaembu com minha família.

E meu time ganhou.

E meu time voltou para a divisão da qual ele nunca deveria ter saído.

E eu fiquei muito, muito feliz.

GRande festa, grande dia.

GRANDE CORINTHIANS.


21/10/2008

tirado do Blog do Azenha

100 HORAS DE INCOMPETÊNCIA

Atualizado e Publicado em 18 de outubro de 2008 às 15:31

por EDUARDO GUIMARÃES



Na tarde desta sexta-feira, a polícia invadiu o apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, mantinha duas reféns havia mais de 100 horas, em Santo André, no ABC paulista. Foi jogada uma bomba pela polícia e ouviram-se muitos tiros.



A ex-namorada de Lindemberg, Eloá, e sua amiga, ambas de 15 anos, saíram de maca e “gravemente feridas”, segundo a tevê Globo. O seqüestrador saiu ileso, caminhando.



Na quinta-feira, Naiara, amiga de Eloá, voltou ao cativeiro, com autorização da polícia, depois de ter sido libertada dois dias antes pelo seqüestrador. A desculpa da polícia é a de que a família de Naiara teria “autorizado” a menina a voltar ao cativeiro.



O Conselho Tutelar paulista questionou a polícia paulista por permitir a volta de Naiara ao cativeiro, dizendo que nem a família dela poderia ter dado qualquer autorização, pois a decisão seria exclusiva das autoridades e não poderia ter sido essa.



Nunca, em minha vida, ouvi falar que a polícia tivesse devolvido uma vítima a um seqüestrador, ainda mais sendo a vítima menor de idade. O desfecho trágico dessa tragédia revela uma estratégia absurda da polícia, uma incompetência total.



Ao menos a amiga de Eloá poderia ter sido poupada da violência.



O apresentador do SP TV, Carlos Tramontina, que transmitiu os primeiros dados da ação desastrada, não fez absolutamente nenhum questionamento à polícia. Eloá levou dois tiros. Sua amiga, Nayara, levou um tiro na face.



Pouco depois das 19 horas, o mesmo Tramontina divulgou que a assessoria do governo José Serra disse que Eloá não resistiu aos ferimentos e faleceu. Minutos depois, o mesmo Tramontina desmentiu a informação e deu justificativas para a ação da polícia.



Momentos depois, a morte de Eloá foi confirmada pelo portal UOL, mas a Globo ainda desmentia a informação. Em seguida, o UOL passou a difundir o desmentido do governo paulista.



Apesar da dor, o momento é de responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nessa operação policial estúpida, independentemente de o desfecho de tudo isso ser mais ou menos trágico, pois o seqüestrador não é mais culpado que a polícia.



Já no Jornal Nacional, depois das 20 horas, Fátima Bernardes manteve o tom acrítico e um oficial da PM atribuiu a culpa pela volta da garota Naiara ao cativeiro a ela própria, que teria chegado perto demais da porta do apartamento.



A polícia permitiu, autorizou, facilitou a aproximação da garota do cativeiro. E a culpa é de uma menina de 15 anos. Para a Globo e para a polícia de Serra.

19/10/2008

ELOÁ

Todo mundo faz cagadas quando tem 21, 22 anos.

Eu, com 20 anos engravidei minha namorada.

O Linderberg, com 22 matou a ex dele.

Tudo uma merda.


Culpado?

Quem votou contra o desarmamento, quem consome produtos como o programa da Sonia Abrão, quem votou no Serra...

Todos temos um pouco do sangue dela nas mãos. Ela não teve escola, não teve projeto de futuro, não teve nada.

O imbecil do ex namorado achava que a vida é com um video game, ou um filme de cinema.

Com a idade dele, quase fiz o aborto de minha filha com minha ex, ele matou a ex dele.

Tem um pouco de mim nele.

Tudo uma merda.

Dias tristes.

10/10/2008

A VOZ

I.

Num sotão, assim chamado Velho
Num cérebro, assim chamado Louco
A Voz, assim chamada Bela
Repousa entre cacos e escombros.

Num verso, assim chamado Saudade
Numa caneta, assim chamada Tecla
Num papel, assim chamado Blog
O grito da Voz vira Poesia.

II.

(A Voz não sou eu.
A Voz está em mim.

A Voz me pede o gozo
e me condena pelo abandono

A Voz que tudo teve
E nada reteve

A Voz que foi energia
E hoje é solidão

A Voz está em mim
alojada
. viva
pulsante
. calada, mas não quieta

A Voz que me pediu um orgasmo
E me deu uma vida

A Voz não sou eu.
Mas está em mim.)

III.

(Na calada da noite,
A Voz Calada vem do fundo da minha mente
com seu grunhido bestial
Acusando-me
"Poeta, tiraste-me o som
Poeta, tiraste-me as cordas
Mas Poeta, não tiraste-me a Vida
E eu o amaldiçoo a nunca mais esquecer
O som do meu êxtase,
que foi seu
e de tantos outros depois de ti.
Escuta meu som animal, poeta
Escuta meu esforço de gritar
- Uma voz que tu tiraste -
Escuta meus lamentos
Escuta minhas pragas
Escuta minha saudade.
Viverei sempre em ti,
calada, a despertar-te
no frio, no chão, no medo.
Medo de mim
e do que fizeste comigo.
Ouve Poeta,
meu som gutural
de ódio, de paixão e escárnio.
Ouve Poeta, minha maldição final:
Viverei sempre em ti
Mas em mim não viverás
jamais!"

E apenas na última sombra da madrugada, se vai Voz, de mãos dadas com a Morte.)



EDNALDO TORRES FELICIO
10/10/08

06/10/2008

UM PASSO ACIMA

Amanhã darei um grande passo.

Estou com medo, mas acima de tudo estou ancioso.

Caminhar é preciso, viver não é preciso, que me perdoe Pessoa.

acima.
É mais uma passo. Só um passo. Mas é um passo

01/10/2008

HOMENAGEM PRA CINTIA (MEU AMOR)

E não é que faz 8 anos que moramos juntos??????


E como homenagem A VOCÊ, posto a canção de nossa primeira ópera no Municipal.


Te amo e te amo cada dia mais


09/09/2008

Post dedicado a Adriana Peniche, um de meus amores

DEDICO O POST ABAIXO PARA UM GRANDE AMOR EM MINHA VIDA, ADRIANA PENICHE


Alento
Paulinho da Viola
Composição: Paulo César Pinheiro

Alento


Violão esquecido num canto é silêncio
Coração encolhido no peito é desprezo
Solidão hospedada no leito é ausência
A paixão refletida num pranto, ai, é tristeza
Um olhar espiando o vazio é lembrança
Um desejo trazido no vento é saudade
Um desvio na curva do tempo é distância
E um poeta que acaba vadio, ai, é destino

A vida da gente é mistério
A estrada do tempo é segredo
O sonho perdido é espelho
O alento de tudo é canção
O fio do enredo é mentira
A história do mundo é brinquedo
O verso do samba é conselho
E tudo o que eu disse é ilusão


30/08/2008

Perdendo a virgindade


Talvez, ela tenha sido por alguns instantes, a mulher mais linda do mundo.
Talvez, ela tenha sido por muito tempo, a mulher mais importante em minha vida.
Talvez tenhamos sido apenas um ledo engano;

Fato é que nos desnudamos entre o tremor da alma e a fome da carne.
Fato é que fui seu primeiro e ela minha primeira.
Fato é que fomos "um só", pela primeira vez, juntos;

Em seus seios passeei minha boca,
Em seus olhos refleti meu fogo,
Em meu peito ela deitou seu rosto;

Entre o medo e o desejo ela se ofereceu a mim,
Entre a timidez e a inocência a Mulher despertava,
Entre suas pernas, eu - tolo atapalhado-, nos iniciava...

Eram minhas as digitais sob o vestido.
Eram delas as digitas sobre a epiderme.
Eram nossos, os sussurros noite adentro...

Não foi nossa única,
Não foi nossa última,
Foi nossa primeira, vez.

A primeira vez de tanto tempo
A primeira noite de tantos anos
A última saudade sinto agora, do que éramos e já não somos;

Hoje, não somos mais um do outro
Hoje, nosso fogo é alheio
Hoje, os adolescentes cresceram e adultos, nem se falam.

Seus seios, de outra boca
Minha boca, de outros corpos
Nossos corpos, de outros sonhos.

sonha ela em outros peitos...

Nos fizemos
nos descobrimos
e nos perdemos...

Mas fomos e seremos
um do outro,
os intensos,
os primeiros.

Evoé!*


EDNALDO TORRES FELÍCIO
30/08/08

*evoé
do Lat. evoe < Gr. euví
interj.,
grito, brado das bacantes em honra de Dionísio (Baco), por ocasião das orgias.

25/08/2008

PRAZER, MEU NOME É COCAÍNA

Não tenho nada a acrescentar aos vídeos abaixo:




e esse outro, com a Claudia Ohana

23/08/2008

post dedicado a uma mulher especial (só ela sabe que é para ELA)

Renata Maria
Chico Buarque


Ela era ela era ela no centro da tela daquela manhã
Tudo o que não era ela se desvaneceu
Cristo, montanhas, florestas, acácias, ipês

Pranchas coladas na crista das ondas, as ondas suspensas no ar
Pássaros cristalizados no branco do céu
E eu, atolado na areia, perdia meus pés

Músicas imaginei
Mas o assombro gelou
Na minha boca as palavras que eu ia falar
Nem uma brisa soprou
Enquanto Renata Maria saía do mar

Dia após dia na praia com olhos vazados de já não a ver
Quieto como um pescador a juntar seus anzóis
Ou como algum salva-vidas no banco dos réus

Noite na praia deserta, deserta, deserta daquela mulher
Praia repleta de rastros em mil direções
Penso que todos os passos perdidos são meus

Eu já sabia, meu Deus
Tão fulgurante visão
Não se produz duas vezes no mesmo lugar
Mas que danado fui eu
Enquanto Renata Maria saía do mar

21/08/2008

HOMENAGEM A RAUL SEIXAS


“Dr. Pacheco”

Lá vai nosso herói Dr. Paxeco
Com sua careca inconfundível
A gravata e o paletó
Misturando-se às pessoas da vida
Lá vai Dr. Paxeco
O herói dos dias úteis
Misturando-se às pessoas que o fizeram


Formado, reformado, engomado
Num sorriso fabricado
Pela escola da ilusão
Tem jeito de perfeito
No defeito
Sem ter feito com proveito
Aproveita a ocasião


Dr. Paxeco, vai doutorar
Dr. Paxeco, foi almoçar
Do Do Do Do Do Doutor
Do Do Do Do Do Doutor
Paxeco


Perdido, dividido, dirigido
Carcomido e iludido
Tem nos olhos o cifrão
Disfarça na fumaça
e acha graça
Sem saber que a rua passa
Entre a massa e o caminhão


Dr. Paxeco não vai voltar
Dr. Paxeco foi almoçar
Dr. Paxeco não vai voltar
Dr. Paxeco foi almoçar...

14/08/2008

three little birds

Three Little Birds (tradução)
Bob Marley

Composição: Bob Marley

Três Passarinhos

Não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.

Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.

Acorde hoje pela manhã
Sorria com o sol nascendo,
Três passarinhos
Estão em minha porta
Cantando doces canções
De melodias puras e verdadeiras,
Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh

Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.

Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.

Acorde hoje pela manhã
Sorria com o sol nascendo,
Três passarinhos
Estão em minha porta
Cantando doces canções
De melodias puras e verdadeiras,
Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh

Não se preocupe com isso, oh!
Tudo vai estar bem. Não se preocupe!"
"Não se preocupe com isso" – Eu não me preocuparei!
"Tudo vai estar bem."
Não se preocupe com isso,
'Tudo vai estar bem" – Eu não me preocuparei!
Não se preocupe com isso,
'Tudo vai estar bem."
Não se preocupe com isso!
Tudo vai estar bem!

08/08/2008

"Tudo é tudo e nada é nada... Cada época é uma coisa mas é a mesma coisa, porque tudo é tudo e nada é nada."
TIM MAIA


04/08/2008

RODOVIÁRIA

"Todo o chão de rodoviaria é igual, cheio de guimbas de cigarro e catarro"
ON THE ROAD - JACK KEROUAK

E lá estava eu entre guimbas e catarro, agarrado à única coisa que me restou do casamento: uma mochila triste, com algumas cuecas, um par de camisas e uma solidao sem fim.

Nem fazia idéia de qual cidade do interior era aquela. Que importava? Fugia de mim mesmo, mas me encontrava em cada reflexo de janela de qualquer ônibus estacionado.

Fugia de mim, mas minhas memórias me perseguiam como se fossem um policial atrás de seu principal suspeito.

Era apenas mais um perdido na noite fria.

Ouvia ao longe adeus e olás, mas dentro de mim era a mesma fuga muda, cheia de medo e aflição.

Vinhos baratos corriam pelas veias e pela alma, mas nunca estive tão sóbrio.

A lembrança da casa e dos filhos distantes se confundiam com a última palavra Dela: Acabou.

Não me restava o trabalho "escravo", remunerado com esmolas, não me restava os vizinhos mudos ou a confusão da megalópole.

Lá estava eu: muleque perdido num exílio imposto por si mesmo. O fracasso das promessas diantes do Padre e do Juiz. O fracasso diante do espelho.

Agora, deitado atrás das cadeiras da rodoviaria de sei lá onde,não tinha de quem esconder o choro, mas não chorava.

O vento que cantava na orelha não me ninava e nem envergonhava. Eu era um que descera longe e não sabia para onde ia ou de onde viera.

Sem cigarros, sem álcool, sem futuro e com um passado distante, restava a mim o som de ônibus chegando a partindo em longos intervalos estéries com tristes silêncios etérios.

Nâo iria para lugar algum. Lá, naquele chão sujo, percebi que não tentava fugir Dela ou de Sampa ou do mundo: tentava fugir de mim. Mas onde fosse, meu fracasso e minha cobrança aguda me acompanhavam.

Curtos sonos interrompidos por novos ônibus.

Que me importa onde estava?

A Rodoviária e sua vida independente não me pertenciam, nem eu pertencia à Rodoviária. Naquela noite fui apenas o infeliz que dormiu atrás das cadeiras... Dormiu?

Fui o infeliz que despertou atrás das cadeiras e tentou uma nova vida, embarcando num ônibus novo, dalí para qualquer lugar, para qualquer destino, para qualquer morte, ou qualquer vida.

Não fazia ideia de onde o sol estivesse quando gastei meu último dinheiro para lugar nenhum...

O ônibus fechou a porta e pela janela ví a rodoviária ficando pra trás... Um punhado de luzes ficando menor a cada curva. Minha vida, um punhado de trevas ficando maior a cada esquina.

Nem sei onde estou. Não estou. Estive.


EDNALDO TORRES FELICIO
Qualquer data e qualquer hora

26/07/2008

PARA DONA TURMALINA, amiga.


São 1:13 da matina
Estou alcoolico
estou feliz

Minha vida é boa
Minha esposa é boa
Meu som é bom
Bom é meu cão

Agora, 1:14hs
ouço Clapton
e imagino Deus
no alto de suas núvens
rindo de suas criações:

Crianças que nunca crescem...

Deus é um velho brincalhão.

Somos todos crianças, Suas criações, Seus crianções...

Tudo o que Ele quer ser, e não pode...

Bjos Dona Turmalina, Pedra do Serrado



EDNALDOTORRESFELICIO

22/07/2008

BB King, Albert King & Stevie Ray Vaughan- The Sky is Crying






VIVA O BLUES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Roger Waters & Eric Clapton - Wish you were Here AO VIVO

Wish You Were Here (tradução)

Queria que Você Estivesse Aqui


Então, então você acha
que consegue distinguir
O céu do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir
um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui





Essa apresentação foi para arrecar jundos pras vítimas do tsunami

21/07/2008

George Harrisson, Eric Clapton, Ringo Starr, Phil Collins and Elton John



While My Guitar Gently Weeps (tradução)
The Beatles (George Harrison)

Enquanto Minha Guitarra Gentilmente Chora

Eu olho você toda, vejo o amor que aí dorme
Enquanto minha guitarra gentilmente chora
Eu olho para o chão e vejo que precisa ser limpo
Ainda minha guitarra gentilmente chora

Eu não seu porque ninguém te disse
Como desdobrar seu amor
Eu não sei como alguém te controlou
Eles compraram e venderam você

Eu olho o mundo e eu noto que ele está girando
Enquanto minha guitarra gentilmente chora
Com todo erro certamente precisamos aprender
Ainda minha guitarra gentilmente chora

Eu não sei como você foi divertida
Você foi pervertida também
Eu não seu como você foi invertida
Ninguém te alertou

Eu olho você toda, vejo o amor que aí dorme
Enquanto minha guitarra gentilmente chora
Eu olho você toda
Ainda minha guitarra gentilmente chora




19/07/2008

DERCY CHEGANDO AO CÉU


DERCY NO CÉU
"PORRA! Puta queo pariu São Pedro! Deus demorou pra caralho pra me tirar daquela merda! Fica com esses anjos pau no cú e não me tirava de lá!

Caralho! Ae São Pedro, traz uma gelada que eu to com a perereca ardendo! Caralheo, como é bonito aqui..."

São Pedro sorri e diz: "Bem vinda irmã, tente maneirar no linguagar."

E Dercy reponde: "Manerar o caralho! Vai tomar no cú, ô barbudo..."


Dercy passa pelos portões do céu sem perceber que por baixo da barba, São Pedro segura uma gargalhada...

"Bem vinda, Dercy..." - pensa o Santo.

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Que Deus dê serenidade aos familiares da Dercy.

A morte, afinal, é sempre sem graça.


P.s.: Foto com Grande Otelo no filme A BARONEZA TRANSVIADA, de 1957

16/07/2008

Mulher desnuda



Era casada. Não tinha filhos e quase não tinha marido.
Não consegui entender como alguém simplesmente não enlouquecia com aqueles seios exuberantes e aquela coxa morena e dormia como um tolo todas noites sem tocar a Deusa Morena... Mas enfim, talvez entendesse: eram casados há tantos anos que cada calcinha nova ou baby-doll transparente que ela usava para ele parecia mais uma piada de mal gosto do que uma tentativa desesperada de salvar um relacionamento.
De toda forma, eu não tinha nada a ver com isso. Ela era linda e carente. Seus cabelos negros pediam por um chamego e sua boca pedia qualquer tipo de excitação. Ela queria se sentir desejada de novo. Como se fosse apenas para provar-se diante do espelho de si mesma que ainda era Mulher e ainda provocava cobiça. Minha sorte é que ela estava tão cega que não percebia a multidão de homens que a seguiam tropeçando em toda a sensualidade que brotava de um corpo de seios grandes e bunda farta, uma daquelas mulheres que seus olhos não conseguem deixar de ver no meio de uma multidão. Não, eu não tinha nada a ver com sua delicada forma de sentir desejo, seu tesão recolhido e não disfarçado, sua luxúria travestida de ternura.
E ela não tinha nada a ver com o fato de eu ser um canalha. Típico poeta perdido de boteco, com sonhos guardados e uma porção de carícias na ponta dos dedos, daquelas que fazem virar os olhos das mulheres sensíveis e de libido fácil. Nas suas próprias palavras ela "casara com um bonzinho, mas queria na verdade um maldito". E o maldito era eu, por pura sorte (minha).
Enfim, depois de mais uma noite de negativa do marido (obrigado marido), ela aceitou meu convite. Trocamos tanta energia e ela gritou como há tempos não gritava e ela gemeu como há tempos não gemia e seu corpo moreno, refletido no espelho era todo tremor e querência.
Foi um despertar da Mulher escondida sobre os poros da epiderme arrepiada e um desnudar da roupa de esposa que escondia a Mulher.
Como bom canalha, sumi. Talvez tenha aberto caminho para outros poetas canalhas (e todos são canalhas) ou para o reencontro entre o marido bobo e a Mulher.
Não sei, não me importo. Ela me rendeu alguns delírios e um ponto
final
ou seriam
reticências...?


EDNALDO TORRES FELICIO
17/07/08
13:19hs

15/07/2008

"O banheiro é a igreja de todos os bêbados."

Vai se fuder CAzuza, que frase do caralho!

02/07/2008

bukowski



CONFISSÃO

esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama

sinto muita pena de
minha mulher

ela vai ver este
corpo
rijo e
branco

vai sacudi-lo e
talvez
sacudi-lo de novo:

“Henry!”

e Henry não vai
responder.

não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.

no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado

e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas

e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:

eu
te amo.