Você vai me seguir aonde quer que eu vá Você vai me servir, você vai se curvar Você vai resistir, mas vai se acostumar Você vai me agredir, você vai me adorar Você vai me sorrir, você vai se enfeitar E vem me seduzir Me possuir, me infernizar Você vai me trair, você vem me beijar Você vai me cegar e eu vou consentir Você vai conseguir enfim me apunhalar Você vai me velar, chorar, vai me cobrir e me ninar
Vivo en un país libre cual solamente puede ser libre en esta tierra, en este instante yo soy feliz porque soy gigante. Amo a una mujer clara que a muy me ama sin pedir nada o casi nada, que no es lo mismo pero es igual
Y si esto fuera poco, tengo mis cantos que poco a poco muelo y rehago habitando el tiempo, como le cuadra a un hombre despierto. Soy feliz, soy un hombre feliz, y quiero que me perdonen por este día los muertos de mi felicidad.
Era um bar comum, numa rua de São Paulo, com Cake tocando no rádio, flyers colados na parede, risos e cigarros. Sentei-me ao balcão.
Atendeu-me vestindo um espartilho preto e seus seios pulavam em direção aos meus olhos.
Tinha tatuada no braço esquerdo uma pin-up que bem poderia ser Dona Maria Padilha (Salve Pomba Gira!).
Seus seios eram copos de leite fartos, sua cintura era fina como se fosse a América Central unindo exuberantes continentes e suas ancas, redondas sob o jeans baixo, bailavam entre as mesas, enquanto ela atendia aos pagãos.
Sabia que a cobiçava e parecia divertir-se com isso.
Por vezes, cruzava o olhar com o meu e provocando, me encarava a alma, sorrindo maliciosa, antes de levar a cerveja à mesa ao lado.
E quando eu menos esperava, ela abraçou a dona do bar e lhe deu um beijo úmido, intenso e apaixonado. "Vou jantar." Olhou pra mim e sorriu, antes de sumir cozinha adentro.
Fiquei congelado alguns minutos, mudo.
Paguei a conta e saí. Sabia que tinha visto Nefertiti em sua forma mais bela.
Por que gosto tanto de ti? . Deve ser essa mania minha de achar diamante em meio à multidão, esse dom de ver estrelas em olhos doces e a infinita vontade de acreditar que pessoas essencialmente lindas existem. . Mas só um cego não enxerga tamanha luz no teu sorriso. Só um louco ignora as flores nascendo de teus passos, o calor do toque de tuas mãos e as asas prateadas que nascem desde suas costas, mas que escondes, por modéstia. . Não era difícil gostar de ti. . Como diabos não gostar dessa energia sagaz que transforma átomos em matéria, planos em ação, idéias em objetos? . Gostar de ti, afinal, foi obvio como aquecer-se sob o sol em fevereiro na Barra. Foi inevitável como a atração dos corpos celestes, foi a consequencia de eu ser o Poeta e você ser Poesia. . Poesia de Glória, descrita em prosa...
Ontem, depois de mais um show que ela fez quando fui visitar meus pais, descobri o adjetivo que mais lhe cabe: ABSURDA.
Minha irmã é absurda. Um aborto de sí mesma. Uma pessoa em constante boicote de si própria para se fazer de vítima perante o mundo.
Ela não é má. Ela não é louca. Ela não é esquizofrênica. Ela é absurda.
Se me descrevessem alguém como ela, eu acharia falso. Mas ela existe. ABSURDAMENTE ELA EXISTE.
Que pena que ela more com meus pais. Visito-os menos do que poderia porque não tenho saco de andar 30 km num transito doido para agüentar provocações de uma mulher absurda.
Embora ela tenha sido gerada pela mesma mãe e tenhamos o mesmo pai não somos irmãos.
Abertura do Ano da França no Brasil. Evento bonito no Parque da Luz, aqui em Sampa. Meia noite. Tochas iluminando o parque. Artistas franceses decoraram o velho Parque com instalações que misturavam fogo, fumaça e música. Muita gente para ver a bela exposição. . Em meio à muvuca, cercado de repórteres e seguidores, eis que aparece o José Serra, o Vampiro Brasileiro, aquele que já se acha Presidente do País em 2010, ladeado por Kassab, seu filho draculino, visitando as obras expostas. . Me aproximei e gritei alto, erguendo o polegar: "Serra!" . Ele olhou e sorriu largo. Estava orgulhoso de si. Achava que eu era seu eleitor. . Em seguida emendei: "Vai perder outra Eleição! 2010 é Dilma! Viva Lula!!!" . Ao ouvir minhas palavras, a face do Governador sobreu metamorfose: seu sorriso quase humano sumiu, sua cara fechou-se, mostrando sua face Vampiresca. Ao seu lado, Kassab riu (RIU MESMO). As pessoas ficaram quietas, surpresas. Serra me encarando muito nervoso. Estávamos muito próximos. Achei que, se ele pulasse, conseguiria morder minha jugular. Ri de meu pensamento. Alguém gritou ao fundo "É Lula!!!" . Dei as costas ao Governador e saí soberbo. Escutei ainda mulher gritar "Vai pra casa, otário", se referindo, imagino, a mim (ela tinha voz de tucana Cansada). MInha esposa emendou incisiva: "Ele já falou com o Porcão, não precisa falar com porquinhos." . Saímos rindo enquanto minha filha dizia: "Ae Pai... uhúúúú´Mandou bem!!!" MInha afilhada bateu em minha mão e sorriu me dizendo "Tio, você é ótimo!" . kkkkkkkk Não podia deixar de contar isso a vocês. O sorriso do Vampiro que se transformou numa fração de segundos numa cara amarrada. FOI LINDO. . ESTOU ME AMANDO. hahahahahhahahahahah . Abraços
Composição: Bob Dylan/Versão: Geraldo Azevedo/Babau
E se hoje não fosse essa estrada Se a noite não tivesse tanto atalho O amanhã não fosse tão distante Solidão seria nada pra você
Se ao menos o meu amor estivesse aqui E eu pudesse ouvir seu coração Se ao menos mentisse ao meu lado Estaria em minha cama outra vez
Meu reflexo não consigo ver na água Nem fazer canções sem nenhuma dor Nem ouvir o eco dos meus passos Nem lembrar meu nome quando alguém chamou Se ao menos o meu amor estivesse aqui E eu pudesse ouvir seu coração Se ao menos mentisse ao meu lado Estaria em minha cama outra vez
A beleza do rio do meu canto A beleza em tudo o que há no céu Porém nada com certeza é mais bonito Quando lembro dos olhos do meu bem Se ao menos o meu amor estivesse aqui E eu pudesse ouvir seu coração Se ao menos mentisse ao meu lado Estaria em minha cama outra vez
- QUEM CLAMA? - A Voz veio de longe... Senti medo. Parei de pedir ajuda por alguns momentos, mas meus ossos doíam no frio intenso e minha face era queimada pelo vendo. Por todos os lados, o gelo branco. O maldito assobio do vento, sempre no mesmo tom, sempre na mesma nota, incessante, angustiante, enlouquecedor. Gritei por socorro e por socorro e por clemência, mas só o eco me respondia... Até que a Voz fez-se novamente presente. Grutural, monstruosa, vinda da amplidão clara de gelo e neve. - QUEM CLAMA????? Não havia onde me esconder. Me agachei impulsivamente, como se me defendesse de um golpe e balbuciei: - sou eu... Silêncio. Segundos de silêncio que pesaram ainda mais meu terror e curvaram minha coluna escondendo minha cabeça entre os joelhos. - NÃO TENS DIREITO A CLAMOR!!!!! - A Voz chacolhou a neve e o gelo - FOSTE SEMPRE VIL. FOSTE SEMPRE INCLEMENTE E AGORA CLAMAS POR SOCORRO????? ÉS UM ANIMAL E COMO TAL SERÁS AQUI TRATADO POR TODA A ETERNIDADE!!!!!! Calou-se. O vento voltou a soprar sua canção monotônica e eu entendi, por fim, que o Inferno não era quente, pelo meno não naquela parte...
It all began when they took me from my home And put me on Death Row, a crime for which I am totally innocent, you know.
I began to warm and chill To objects and their fields, A ragged cup, a twisted mop The face of Jesus in my soup Those sinister dinner deals The meal trolley's wicked wheels A hooked bone rising from my food All things either good or ungood.
And the mercy seat is waiting And I think my head is burning And in a way I'm yearning To be done with all this weighing of the truth. An eye for an eye And a tooth for a tooth And anyway I told the truth And I'm not afraid to die.
I hear stories from the chamber Christ was born into a manger And like some ragged stranger He died upon the cross Might I say, it seems so fitting in its way He was a carpenter by trade Or at least that's what I'm told
My kill-hand's tatooed E.V.I.L. across it's brother's fist That filthy five! They did nothing to challenge or resist.
In Heaven His throne is made of gold The ark of his Testament is stowed A throne from which I'm told All history does unfold. It's made of wood and wire And my body is on fire And God is never far away.
Into the mercy seat I climb My head is shaved, my head is wired And like a moth that tries To enter the bright eye I go shuffling out of life Just to hide in death awhile And anyway I never lied.
And the mercy seat is waiting And I think my head is burning And in a way I'm yearning To be done with all this weighing of the truth. An eye for an eye And a tooth for a tooth And anyway I told the truth And I'm not afraid to die
And the mercy seat is burning And I think my head is glowing And in a way I'm hopin' to be done with all this twistin' of the truth. An eye for an eye And a tooth for a tooth And any way there was no proof And I'm not afraid to die
And the mercy seat is glowing And I think my head is smoking And in a way I'm hopin' to be done with all these looks of disbelief. A life for a life And a truth for a truth And I've got nothin' left to loose. And I'm not afraid to die
And the mercy seat is smoking And I think my head is melting And in a way that's helpin' to be done with all this twistin' of the truth An eye for an eye And a tooth for a tooth And any way I told the truth But I'm afraid I told a lie.
Começo de namoro. Eu e a Cintia, minha atual esposa, passávamos a madrugada na sala da casa dela se amando ao som dos Beatles.
No velho 3 em 1 da Sony ouvíamos os caras de Liverpool cantando Michelle com alguns versos em francês. Nem sabíamos que era francês! Apenas gostávamos e nos amávamos. Nos amávamos muito, como continuamos nos amando mais de uma década depois.
Tenho certeza de que escolhi a melhor mulher que passou pela minha vida. A mais bonita, a mais elegante e a mais sofisticada.
Foi ao som dos caras de Liverpool que descobri tudo isso
Michelle, ma belle. These are words that go together well, My Michelle.
Michelle, ma belle. Sont les mots qui vont tres bien ensemble, Tres bien ensemble.
I love you, I love you, I love you. That's all I want to say. Until I find a way I will say the only words I know that You'll understand.
I need you, I need you, I need you. I need to make you see, Oh, what you mean to me. Until I do I'm hoping you will Know what I mean.
I love you.
I want you, I want you, I want you. I think you know by now I'll get to you somehow. Until I do I'm telling you so You'll understand.
I will say the only words I know that You'll understand, my Michelle.
Nassif fez um espetacular comentário sobre como a mídia está tratando o caso do Adriano, o Imperador.
De volta pro meu aconchego . Poucas vezes vi gesto mais humano, mais rico, do que o jogador Adriano explicando porque vai parar de jogar e voltar a favela. Nesses tempos em que a hipercompetição provocou as neuroses do trabalho, os workaholics (e quem escreve é um), a competição feroz, o craque de reputação internacional manda parar tudo e diz: quero voltar para a favela e conviver com meus amigos. . Ele é o são. Doentes somos os que trabalham dia e noite, sem tempo para curtir amigos e família, os que eram felizes e não sabiam, os que vão atrás das turmalinas da vida, os que não tem tempo sequer para algumas rodadas de choro no bar do Alemão. . E os doentes reagem. Jornais saem atrás de explicações estapafúrdias, envolvimento com tráfico, piração, depressão. Os doentes reagem violentamente contra os que expõem a eles próprios suas neuras, seu suicídio diário engolindo sapo, abandonando as raízes, esquecendo a família. . Tempos atrás trabalhou comigo uma parente do Cafu que contava sobre a fundação que ele fez para amparar o bairro pobre onde ele nasceu. Sempre valorizei muito os que têm orgulho da sua origem. Não apenas orgulho, mas gratidão pelos valores recebidos, pelo círculo de afetos. . Não tenha dúvida de que tanto Cafu quanto Adriano são grandes pessoas. E absolutamente normais, mesmo passando por crises, ao contrário dos que tentaram encontrar motivos anormais para seu gesto. .
Nada como uma mulher linda cruzando as pernas na tua frente,quando vc menos espera...
Tem um conto do Verríssimo em que ele paquera uma mulher na sala do dentista. . Transcrevo uma parte: . "Ele pensa: Que mulherão. Que pernas. Coisa rara, ver pernas hoje em dia. Sempre fui um homem de pernas. Pernas com meias. Meias de nylon. Como eu sou antigo. Bom era o barulhinho. Suish-suish. Elas cruzavam as pernas e fazia shuish-suish. Eu era doido por um shuish shuish." . Mais pra frente ela repara que ele tá vendo as pernas dela . "Ela: ele está olhando as minhas pernas por baixo da revista. Vou descruzar as pernas e cruzar de novo. Só pra ele aprender." "Ele: ela descrusou e cruzou de novo! Ai meu Deus. Foi pra me matar. Ela sabe que eu to olhando. Também, a revista está de cabeça pra baixo. E agora? Vou ter que dizer alguma coisa..." . E abaixo, a cruzada de pernas mais espetacular da História do cinema:
Em breve uma manhã Com tempo para matar Eu peguei emprestado o rifle de Jebb E sentei numa colina Eu vi um cavaleiro sozinho Atravessando a campina Eu extraí uma gota dele Para praticar minha mira
O rifle do meu irmão Foi tirado de minha mão Um tiro foi soado Acima da terra O cavalo manteve-se correndo O cavaleiro estava morto Eu abaixei minha cabeça Eu abaixei minha cabeça
Eu saí a caminho correndo Para acordar do sonho O rifle do meu irmão Foi para dentro do resplendor Eu me mantive correndo Pelas terras do sul Aquelas que estão onde eles me acharam Minha cabeça e minhas mãos
O xerife me perguntou Por que eu corri E então veio até mim Apenas o que eu tinha feito E tudo por nenhuma razão Apenas uma paz de liderança Eu abaixei minha cabeça Eu abaixei minha cabeça
Aqui na casa da corte judicial A cidade inteira estava ali Eu vi o juíz De alta posição na cadeira Explicando à sala da corte O que estava dentro de sua mente E nós perguntaremos ao júri Qual o veredito que eles encontraram
Eu senti o poder Da morte pular sobre a vida Eu deixei orfãs as crianças dele Eu enviuvei a esposa dele Eu pedi o perdão deles Eu desejava que eu estivesse morto Eu abaixei minha cabeça Eu abaixei minha cabeça
Eu abaixei minha cabeça Eu abaixei minha cabeça
Em breve uma manhã Com tempo para matar Eu vejo a forca Acima da colina E fora na distância Um truque do cérebro Eu vi um cavaleiro sozinho Atravessando a campina
E ele veio me encantar Para ver o que eu tinha feito E nós corremos juntos Para o reino voltamos Eu rezei pela misericórdia Deus Para que em breve eu pudesse estar morto Eu abaixei minha cabeça Eu abaixei minha cabeça
Quero apenas pegar a estrada em qualquer direção e ver as árvores correndo para trás de meu caminho como flechas tristes que se perdem sem alvos ou, na pior das hipóteses, atingem alvos inocentes.
Que o asfalto seja negro, quente, crú e apático sob a titubeante roda de mim.
Quero ver a rodovia erma e seca rasgar-se diante de meus olhos como as pernas da prostituta perdida e indiferente ao homem que a possui... possui?
Quero ouvir o zumbido triste do vento etéreo e solitário gelando minha pele, minhas ilusões e meus sonhos.
Até compreender que a vida é uma farsa, no exato momento em que a curva chegar e eu não me desviar, me precipitando barranco abaixo.
Oh, meu Deus, mais que fingidor, o poeta é um covarde mentiroso!
EDNALDO TORRES FELICIO solidão da Rua Augusta 17 de março de 2009 pouco antes do amanhecer
Era eu menino. Muito menino. Acabara de ser alfabetizado.
Meu mano com idade mais próxima à minha era seis anos mais velho que eu. E ele tinha um livro de português...
Nas tardes enooooormes e vazias daquela Carapicuíba de ruas de terra, eu roubava seu livro e me esforçava para ler o livro que era para um série seis anos à frente da minha...
Como era difícil ler os contos, lia as poesias do livro. Foi assim que me tornei poeta.
Uma daquelas poesias, lidas nas tardes de chuva entre o jogo de botão e os carrinhos de plástico, reencontrei agora e descobri que é do genial MÁRIO QUINTANA.
Obrigado Mário, por preencher aquelas tardes distantes com sua poesia linda.
RECORDO AINDA
Recordo ainda... e nada mais me importa... Aqueles dias de uma luz tão mansa Que me deixavam, sempre, de lembrança, Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança Soprando cinzas pela noite morta! E eu pendurei na galharia torta Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui... Mas, aí, Embora idade e senso eu aparente Não vos iludais o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente! Sou um pobre menino... acreditai!... Que envelheceu, um dia, de repente!...
Mario Quintana
PS.: Na foto, meu mano correndo sobre a laje de casa
É possível sim, se levantar, mesmo quando a queda já é velha conhecida e insiste em estar presente na vida.
É possível sim, sorrir, mesmo quando todos dizem que você está acabado.
É possível sim, usar o exemplo do futebol para utilizar na própria vida.
Um gol aos 47 do segundo tempo, contra o maior rival do Corinthians. Um gol antológico. De um vencedor, de um Fenômeno.
Que consigamos também nos superar, quando nossos "meniscos" da vida romperem seus ligamentos frágeis e nos lembrar que somos Humanos, Humanos para cacete.
Não se assuste: o desenho ao lado, do Latuff, é uma provocação, traduzindo o que a Folha de S. Paulo quis dizer por ‘ditabranda’, em editorial publicado no dia 17 de fevereiro passado. Para o jornal do dândi Otavinho Frias, o regime militar no Brasil foi moleza. E quem tentou deixar seu protesto na seção de cartas do jornal foi esculachado mais uma vez. Por isso no próximo dia 7, sábado, vamos reunir uma galera boa em frente ao prédio da Folha, na rua Barão de Limeira (SP) para um ato em repúdio à ‘ditabranda’. De lá vamos blogar, tuitar, iutubar, via celular, laptop e o que mais tivermos em mãos.
(Em tempo: texto imperdível lá no Vi o Mundo, do Azenha - A Escolinha do Professor Kamel)
Ela desatinou Chico Buarque Composição: Chico Buarque
Ela desatinou, viu chegar quarta-feira Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando E ela inda está sambando Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando Ela não vê que toda gente, já está sofrendo normalmente Toda a cidade anda esquecida, da falsa vida, da avenida Onde Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando Quem não inveja a infeliz, feliz No seu mundo de cetim, assim, Debochando da dor, do pecado Do tempo perdido, do jogo acabado
Deita a cabeça no travesseiro e pensa e pensa e pensa... mas não dorme.
Faz tres dias que os maiores fantasmas do mundo moderno o amedrontam: O DESEMPREGO, AS CONTAS e O FRACASSO.
Cristiano não tem filhos. Mas tem uma mulher e ama. Cristiano morre de vergonha de sentir medo. E seu medo nasce da tola idéia de que sua mulher o ama porque ele tem sucesso.
- Que porra afinal é o sucesso? - pensa cristiano.
Começou moço na empresa. Garoto de recados, ajudante de contabilidade, auxiliar de controle de materiais, escriturário I, escriturário II, chefe da contabilidade e há uns tantos anos, contador.
Em 25 anos de trabalho, só chegou atrasado uma vez: quando morreu a mãe. Enterrou a velha e correu pra mesa: tinha relatórios a entregar.
Vinte e cinco anos de empresa e nenhum amigo. Porções de inimigos que lhe falavam pelas costas e riam-se de seu terno cinza e sua gravata preta e suas meias de algodão que cobriam um corpo delgado, sem músculos ou pelos, sem sonhos nem anseios.
Não casou por amor, casou por acaso, com uma moça tímida da expedição que foi obrigada a pedir demissão da empresa porque é inadimissível numa empresa séria como a PAPELINTER, dois funcionários de namoricos (namorico que rendeu um dos poucos puxões de orelha, do seu Narciso, o chefe geral). Mas com o tempo foi se apegando à moça. Ela cozinhava bem, coçava-lhe as costas e mais: era quieta.
Faz três dias que Seu Cristiano não dorme. Ele sabe que a crise, aquela que veio de fora com a força de uma marola, vai lhe tirar o emprego. Ele sabe mesmo, que maior que a crise foi a incapacidade gerencial do Seu Narciso de se prevenir para a marola, que fez com que as vendas despencassem, os pedidos minguassem e o lucro do patrão, o Seu Alaor, caísse.
- Filho da puta - pensa Seu Cristiano - o Narciso se comprometeu em importar e nem percebeu que o dólar ia subir?
Faz três dias que Seu Cristiano não dorme. Pela primeira vez na vida, será demitido. Pela primeira vez na vida, não terá o sobrenome PAPELINTER, pela primeira vez na vida será apenas o Seu Cristiano, sem filhos, sem sonhos e a partir de amanhã, sem emprego.
Deveria dormir, o Seu Cristiano. Ficar acordado na cama com preocupações nunca garantiu o emprego de ninguém...
PS.: Seu Narciso acumulará, durante a crise, o papel de Gerente Geral e Contador, e continuará cuidando da empresa do Seu Alaor como se fosse um caseiro cuidando de um sítio particular.
pois o cachorro morde teu pé e não deixa você nadar enquanto o sangue escorrendo da carne te impulsiona para o alto anjos disfarçados de mulheres vigiam elefantes e te salvam
pois qualquer cigarro aceso nunca deixa de ser Poeta enquanto se consome em fogo misto de câncer, amparo e solidão
pois qualquer barulho com o mínimo de sincronia no ouvido de um louco é blues e quaisquer palavras refletidas na retina de uma menina é poesia
pois ninguém percebe das janelas e janelas e janelas dos prédios (e fora deles) o muxoxo das rezadeiras misturado aos gemidos falsos das prostitutas.
o sol se prepara pra nascer enquanto tens à boca um mamilo rosado de uma santa pagã
A bunda, que engraçada. Está sempre sorrindo, nunca é trágica Não lhe importa o que vai pela frente do corpo. A bunda basta-se. Existe algo mais? Talvez os seios. Ora - murmura a bunda - esses garotos ainda lhes falta muito que estudar. A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio. Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente. A bunda se diverte por conta própria. E ama. Na cama agita-se. Montanhas avolumam-se, descem. Ondas batendo numa praia infinita. Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz na carícia de ser e balançar. Esferas harmoniosas sobre o caos. A bunda é a bunda, redunda
Há lugares dos quais vou me lembrar por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado Alguns para sempre, e não para melhor Alguns se foram e outros permanecem
Todos esses lugares tiveram seus momentos Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar Alguns estão mortos e outros estão vivendo Em minha vida, já amei todos eles
Mas de todos esses amigos e amores Não há ninguém que se compare a você E essas memórias perdem o sentido Quando eu penso em amor como uma coisa nova
Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto por pessoas e coisas que vieram antes, Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas Em minha vida, eu amo mais a você
Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto por pessoas e coisas que vieram antes, Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas Em minha vida, eu amo mais a você Em minha vida... Eu amo mais a você
Gipsy woman told my mother before I was born You got a boy child comin', 'll be a son of a gun Gonna make pretty women jump and shout Then the world gonna know what it's all about
'cause I'm here Everybody knows I'm here I'm a hoochie goochie man Everybody knows I'm here
I got a black cat bone, I got a mojo too I got john the conqueror roots, I'm gonna mess with you I'm gonna make you girls lead me by the hand Then the world gonna know I'm a hoochie goochie man
I'm here Everybody knows I'm here Oh, I'm a hoochie goochie man Everybody knows I'm here
On the 7th hour On the 7th day On the 7th month The 7th doctor say He was born for good luck And that you'll see I got seven hundred dollars Don't you mess with me
'cause I'm here Everybody knows I'm here I'm a hoochie goochie man Everybody knows I'm here
Oh, I'm a hoochie goochie man Everybody knows I'm here
Yeah, I'm a hoochie goochie man Everybody knows I'm here
Hoochie goochie man I'm a hoochie goochie man I'm a hoochie goochie man I'm a hoochie goochie man Oh, I'm a hoochie goochie man I'm a hoochie goochie man I'm a hoochie goochie man I'm a hoochie goochie man I'm a hoochie goochie goochie goochie man I'm a hoochie goochie goochie goochie man I'm a hoochie goochie goochie goochie man I'm a hoochie goochie goochie goochie man I'm a hoochie goochie goochie goochie man...
Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, as economias familiares, o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.
Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade.
Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização.
Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e que o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos.
Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período.
Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação.
Para contê-la, o governo subiu os juros… e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou.
Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro.
Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.
Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado!
Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores.
Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.
Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência.
Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.
Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.
Atualizado e Publicado em 18 de outubro de 2008 às 15:31
por EDUARDO GUIMARÃES
Na tarde desta sexta-feira, a polícia invadiu o apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, mantinha duas reféns havia mais de 100 horas, em Santo André, no ABC paulista. Foi jogada uma bomba pela polícia e ouviram-se muitos tiros.
A ex-namorada de Lindemberg, Eloá, e sua amiga, ambas de 15 anos, saíram de maca e “gravemente feridas”, segundo a tevê Globo. O seqüestrador saiu ileso, caminhando.
Na quinta-feira, Naiara, amiga de Eloá, voltou ao cativeiro, com autorização da polícia, depois de ter sido libertada dois dias antes pelo seqüestrador. A desculpa da polícia é a de que a família de Naiara teria “autorizado” a menina a voltar ao cativeiro.
O Conselho Tutelar paulista questionou a polícia paulista por permitir a volta de Naiara ao cativeiro, dizendo que nem a família dela poderia ter dado qualquer autorização, pois a decisão seria exclusiva das autoridades e não poderia ter sido essa.
Nunca, em minha vida, ouvi falar que a polícia tivesse devolvido uma vítima a um seqüestrador, ainda mais sendo a vítima menor de idade. O desfecho trágico dessa tragédia revela uma estratégia absurda da polícia, uma incompetência total.
Ao menos a amiga de Eloá poderia ter sido poupada da violência.
O apresentador do SP TV, Carlos Tramontina, que transmitiu os primeiros dados da ação desastrada, não fez absolutamente nenhum questionamento à polícia. Eloá levou dois tiros. Sua amiga, Nayara, levou um tiro na face.
Pouco depois das 19 horas, o mesmo Tramontina divulgou que a assessoria do governo José Serra disse que Eloá não resistiu aos ferimentos e faleceu. Minutos depois, o mesmo Tramontina desmentiu a informação e deu justificativas para a ação da polícia.
Momentos depois, a morte de Eloá foi confirmada pelo portal UOL, mas a Globo ainda desmentia a informação. Em seguida, o UOL passou a difundir o desmentido do governo paulista.
Apesar da dor, o momento é de responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nessa operação policial estúpida, independentemente de o desfecho de tudo isso ser mais ou menos trágico, pois o seqüestrador não é mais culpado que a polícia.
Já no Jornal Nacional, depois das 20 horas, Fátima Bernardes manteve o tom acrítico e um oficial da PM atribuiu a culpa pela volta da garota Naiara ao cativeiro a ela própria, que teria chegado perto demais da porta do apartamento.
A polícia permitiu, autorizou, facilitou a aproximação da garota do cativeiro. E a culpa é de uma menina de 15 anos. Para a Globo e para a polícia de Serra.
Num sotão, assim chamado Velho Num cérebro, assim chamado Louco A Voz, assim chamada Bela Repousa entre cacos e escombros.
Num verso, assim chamado Saudade Numa caneta, assim chamada Tecla Num papel, assim chamado Blog O grito da Voz vira Poesia.
II.
(A Voz não sou eu. A Voz está em mim.
A Voz me pede o gozo e me condena pelo abandono
A Voz que tudo teve E nada reteve
A Voz que foi energia E hoje é solidão
A Voz está em mim alojada . viva pulsante . calada, mas não quieta
A Voz que me pediu um orgasmo E me deu uma vida
A Voz não sou eu. Mas está em mim.)
III.
(Na calada da noite, A Voz Calada vem do fundo da minha mente com seu grunhido bestial Acusando-me "Poeta, tiraste-me o som Poeta, tiraste-me as cordas Mas Poeta, não tiraste-me a Vida E eu o amaldiçoo a nunca mais esquecer O som do meu êxtase, que foi seu e de tantos outros depois de ti. Escuta meu som animal, poeta Escuta meu esforço de gritar - Uma voz que tu tiraste - Escuta meus lamentos Escuta minhas pragas Escuta minha saudade. Viverei sempre em ti, calada, a despertar-te no frio, no chão, no medo. Medo de mim e do que fizeste comigo. Ouve Poeta, meu som gutural de ódio, de paixão e escárnio. Ouve Poeta, minha maldição final: Viverei sempre em ti Mas em mim não viverás jamais!"
E apenas na última sombra da madrugada, se vai Voz, de mãos dadas com a Morte.)
DEDICO O POST ABAIXO PARA UM GRANDE AMOR EM MINHA VIDA, ADRIANA PENICHE
Alento Paulinho da Viola Composição: Paulo César Pinheiro
Alento
Violão esquecido num canto é silêncio Coração encolhido no peito é desprezo Solidão hospedada no leito é ausência A paixão refletida num pranto, ai, é tristeza Um olhar espiando o vazio é lembrança Um desejo trazido no vento é saudade Um desvio na curva do tempo é distância E um poeta que acaba vadio, ai, é destino
A vida da gente é mistério A estrada do tempo é segredo O sonho perdido é espelho O alento de tudo é canção O fio do enredo é mentira A história do mundo é brinquedo O verso do samba é conselho E tudo o que eu disse é ilusão
Talvez, ela tenha sido por alguns instantes, a mulher mais linda do mundo. Talvez, ela tenha sido por muito tempo, a mulher mais importante em minha vida. Talvez tenhamos sido apenas um ledo engano;
Fato é que nos desnudamos entre o tremor da alma e a fome da carne. Fato é que fui seu primeiro e ela minha primeira. Fato é que fomos "um só", pela primeira vez, juntos;
Em seus seios passeei minha boca, Em seus olhos refleti meu fogo, Em meu peito ela deitou seu rosto;
Entre o medo e o desejo ela se ofereceu a mim, Entre a timidez e a inocência a Mulher despertava, Entre suas pernas, eu - tolo atapalhado-, nos iniciava...
Eram minhas as digitais sob o vestido. Eram delas as digitas sobre a epiderme. Eram nossos, os sussurros noite adentro...
Não foi nossa única, Não foi nossa última, Foi nossa primeira, vez.
A primeira vez de tanto tempo A primeira noite de tantos anos A última saudade sinto agora, do que éramos e já não somos;
Hoje, não somos mais um do outro Hoje, nosso fogo é alheio Hoje, os adolescentes cresceram e adultos, nem se falam.
Seus seios, de outra boca Minha boca, de outros corpos Nossos corpos, de outros sonhos.
sonha ela em outros peitos...
Nos fizemos nos descobrimos e nos perdemos...
Mas fomos e seremos um do outro, os intensos, os primeiros.
Evoé!*
EDNALDO TORRES FELÍCIO 30/08/08
*evoé do Lat. evoe < Gr. euví interj., grito, brado das bacantes em honra de Dionísio (Baco), por ocasião das orgias.
Lá vai nosso herói Dr. Paxeco Com sua careca inconfundível A gravata e o paletó Misturando-se às pessoas da vida Lá vai Dr. Paxeco O herói dos dias úteis Misturando-se às pessoas que o fizeram
Formado, reformado, engomado Num sorriso fabricado Pela escola da ilusão Tem jeito de perfeito No defeito Sem ter feito com proveito Aproveita a ocasião
Dr. Paxeco, vai doutorar Dr. Paxeco, foi almoçar Do Do Do Do Do Doutor Do Do Do Do Do Doutor Paxeco
Perdido, dividido, dirigido Carcomido e iludido Tem nos olhos o cifrão Disfarça na fumaça e acha graça Sem saber que a rua passa Entre a massa e o caminhão
Dr. Paxeco não vai voltar Dr. Paxeco foi almoçar Dr. Paxeco não vai voltar Dr. Paxeco foi almoçar...
Não se preocupe com coisa alguma Porque tudo ficará bem.
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma Porque tudo ficará bem.
Acorde hoje pela manhã Sorria com o sol nascendo, Três passarinhos Estão em minha porta Cantando doces canções De melodias puras e verdadeiras, Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma Porque tudo ficará bem.
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma Porque tudo ficará bem.
Acorde hoje pela manhã Sorria com o sol nascendo, Três passarinhos Estão em minha porta Cantando doces canções De melodias puras e verdadeiras, Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh
Não se preocupe com isso, oh! Tudo vai estar bem. Não se preocupe!" "Não se preocupe com isso" – Eu não me preocuparei! "Tudo vai estar bem." Não se preocupe com isso, 'Tudo vai estar bem" – Eu não me preocuparei! Não se preocupe com isso, 'Tudo vai estar bem." Não se preocupe com isso! Tudo vai estar bem!
08/08/2008
"Tudo é tudo e nada é nada... Cada época é uma coisa mas é a mesma coisa, porque tudo é tudo e nada é nada." TIM MAIA
"Todo o chão de rodoviaria é igual, cheio de guimbas de cigarro e catarro" ON THE ROAD - JACK KEROUAK
E lá estava eu entre guimbas e catarro, agarrado à única coisa que me restou do casamento: uma mochila triste, com algumas cuecas, um par de camisas e uma solidao sem fim.
Nem fazia idéia de qual cidade do interior era aquela. Que importava? Fugia de mim mesmo, mas me encontrava em cada reflexo de janela de qualquer ônibus estacionado.
Fugia de mim, mas minhas memórias me perseguiam como se fossem um policial atrás de seu principal suspeito.
Era apenas mais um perdido na noite fria.
Ouvia ao longe adeus e olás, mas dentro de mim era a mesma fuga muda, cheia de medo e aflição.
Vinhos baratos corriam pelas veias e pela alma, mas nunca estive tão sóbrio.
A lembrança da casa e dos filhos distantes se confundiam com a última palavra Dela: Acabou.
Não me restava o trabalho "escravo", remunerado com esmolas, não me restava os vizinhos mudos ou a confusão da megalópole.
Lá estava eu: muleque perdido num exílio imposto por si mesmo. O fracasso das promessas diantes do Padre e do Juiz. O fracasso diante do espelho.
Agora, deitado atrás das cadeiras da rodoviaria de sei lá onde,não tinha de quem esconder o choro, mas não chorava.
O vento que cantava na orelha não me ninava e nem envergonhava. Eu era um que descera longe e não sabia para onde ia ou de onde viera.
Sem cigarros, sem álcool, sem futuro e com um passado distante, restava a mim o som de ônibus chegando a partindo em longos intervalos estéries com tristes silêncios etérios.
Nâo iria para lugar algum. Lá, naquele chão sujo, percebi que não tentava fugir Dela ou de Sampa ou do mundo: tentava fugir de mim. Mas onde fosse, meu fracasso e minha cobrança aguda me acompanhavam.
Curtos sonos interrompidos por novos ônibus.
Que me importa onde estava?
A Rodoviária e sua vida independente não me pertenciam, nem eu pertencia à Rodoviária. Naquela noite fui apenas o infeliz que dormiu atrás das cadeiras... Dormiu?
Fui o infeliz que despertou atrás das cadeiras e tentou uma nova vida, embarcando num ônibus novo, dalí para qualquer lugar, para qualquer destino, para qualquer morte, ou qualquer vida.
Não fazia ideia de onde o sol estivesse quando gastei meu último dinheiro para lugar nenhum...
O ônibus fechou a porta e pela janela ví a rodoviária ficando pra trás... Um punhado de luzes ficando menor a cada curva. Minha vida, um punhado de trevas ficando maior a cada esquina.
Nem sei onde estou. Não estou. Estive.
EDNALDO TORRES FELICIO Qualquer data e qualquer hora