20/06/2009
12/06/2009
ao som de Zé Ramalho
Fugiu para o bar
Qualquer lugar era melhor do que aquela familia
Gente com auréola na cabeça
Gente que não fuma, não bebe, não fode, não erra.
Gente que coloca máscaras de plástico na face
E exibe um sorriso cordial sobre a verdadeira careta de escárnio.
Gente que se pendura na porta do céu e esmola entrada no Éden.
Fugiu pro bar.
E lá estavam os derrotados da vida:
A puta louca, sorrindo desdentada,
O negro velho, solitário com seu trago de cachaça,
O bluesman bêbado e alterado,
O idiota tomando água pensando que era cerveja...
Tudo ao som de Zé Ramalho.
O Bar era o ponto de encontro dos tristes
E dos que se mostram sem máscara.
O Bar era o olho mágico da porta do purgatório.
De lá, podiam ser vistos os coxos sociais, os sujos, os esquecidos...
E por Deus! Eles pareciam mais honrados e lindos do que a família de auréola de vidro!
Entre um trago e outro percebeu, entretanto,
Que não fazia parte de nenhum dos dois mundos daquela noite:
Nem do umbral dos rejeitados, nem da núvem frágil dos pseudo-eleitos.
Não fazia parte de mundo algum.
Deu as costas a tudo
e continuou caminhando...
Sozinho.
EDNALDO TORRES FELICIO
Qualquer lugar era melhor do que aquela familia
Gente com auréola na cabeça
Gente que não fuma, não bebe, não fode, não erra.
Gente que coloca máscaras de plástico na face
E exibe um sorriso cordial sobre a verdadeira careta de escárnio.
Gente que se pendura na porta do céu e esmola entrada no Éden.
Fugiu pro bar.
E lá estavam os derrotados da vida:
A puta louca, sorrindo desdentada,
O negro velho, solitário com seu trago de cachaça,
O bluesman bêbado e alterado,
O idiota tomando água pensando que era cerveja...
Tudo ao som de Zé Ramalho.
O Bar era o ponto de encontro dos tristes
E dos que se mostram sem máscara.
O Bar era o olho mágico da porta do purgatório.
De lá, podiam ser vistos os coxos sociais, os sujos, os esquecidos...
E por Deus! Eles pareciam mais honrados e lindos do que a família de auréola de vidro!
Entre um trago e outro percebeu, entretanto,
Que não fazia parte de nenhum dos dois mundos daquela noite:
Nem do umbral dos rejeitados, nem da núvem frágil dos pseudo-eleitos.
Não fazia parte de mundo algum.
Deu as costas a tudo
e continuou caminhando...
Sozinho.
EDNALDO TORRES FELICIO
10/06/2009
DR. SÓCRATES BRASILEIRO DA SILVA, meu ídolo

Da REVISTA BOEMIA
Por RODRIGO BRANDÂO
http://www.revistaboemia.com.br/Pagina/Default.aspx?IDPagina=148
Recentemente, em sua coluna na Folha, o jornalista Juca Kfouri, grande incentivador da Democracia Corinthiana, arriscou uma seleção composta por jogadores inteligentes: Rogério Ceni; Paul Breitner, Elias Figueroa, Beckenbauer e Sorín; Falcão, Sócrates e Cruijff; Cazely, Tostão e Valdano.
Sócrates é posterior ao elegante e diplomático Franz Beckenbauer, tricampeão europeu com o Bayern de Munique (1974, 75 e 76), campeão mundial com a Alemanha dentro e campo (1974) e fora dela (1990). Também é posterior ao irreverente e descolado Johann Cruijff, tricampeão europeu com o Ajax (1971, 72 e 73) e cérebro da Laranja Mecânica de Rinnus Mitchells. Aliás, Cruijff e Sócrates têm algo em comum além da inteligência: jamais ganharam uma Copa, mas suas seleções encantaram o mundo.
Cronologicamente, Sócrates pertence à geração dos argentinos Daniel Passarela, Mario Kempes e Diego Maradona (na única vez em que nos encontramos numa Copa, eu ganhei, relembra), do alemão Rummenigge, do francês Michel Platini, dos italianos Dino Zoff, Bruno Conti e Roberto Bettega, do polonês Boniek, do soviético Dasaev e dos brasileiros Júnior, Falcão, Cerezo e Zico.
Mas Sócrates Brasileiro tem orgulho mesmo é de pertencer à geração de Zé Maria, Juninho, Wladimir, Biro-Biro, Zenon e Casagrande. "Nenhum ambiente, nem o de 82, me fez tão bem como o da Democracia Corinthiana. Não troco a alegria de ter sido capitão daquele Corinthians por nada". Orgulha-se ainda de integrar o time daqueles que lutaram pelas Diretas-Já, como os artistas Fafá de Belém, sua conterrânea, e Chico Buarque, as atrizes Fernanda Montenegro e Regina Duarte e os políticos Franco Montoro e Dante de Oliveira, cuja emenda em favor do movimento levava seu nome. Coincidência: o primeiro comício das Diretas-Já em São Paulo foi em frente ao estádio do Pacaembu, onde o Corinthians mandava seus jogos.
O futebol, para Sócrates, só tem importância se existe um contexto social. "As minhas vitórias políticas são infinitamente superiores às minhas vitórias como jogador profissional. Um jogo acaba em 90 minutos. A vida prossegue. E ela é real".
Em 1984, Sócrates transferiu-se para a Fiorentina. Um gesto de oposição à derrota das eleições diretas. Na Itália, sofreu com o frio e com a solidão. "Para você ter ideia, meu melhor amigo era um argentino [Daniel Passarela]. Ainda bem que ele era gente boa". Quando rompeu o contrato com a equipe de Florença, deixou de receber algo em torno de um milhão e meio de dólares. "Eu não queria o dinheiro. Queria felicidade". Língua afiada e um calcanhar único. Preciso. Desafeto público de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Sócrates não se importa de comprar brigas com adversários fortes e implacáveis. "Dentro de campo, lembro que evitava o contato porque não tinha vantagens físicas. Fora dele, porém, eu compro, e vou comprar sempre, todas as brigas que julgo importantes para o meu país. Os principais gols de minha vida nada têm a ver com o futebol".
Eu percebo que você evita falar sobre futebol.
Não é que eu evito. É que o futebol, para mim, antes de tudo, tem um contexto social. Se você falar assim, 'ah, o cara chutou a bola, cruzou a bola'… Isso não é nada para mim. É mais ou menos como caminhar. O verbo caminhar não vale nada. Agora, se você caminhar do Palácio do Planalto até o Congresso Nacional para levar uma medida provisória que mude o país, aí é diferente. O conteúdo tem de ser diferente.
Então, diante disso, a Democracia Corinthiana foi mais importante do que fazer parte do inesquecível time de 82?
Sem dúvida. Nem se compara. Aquele time [da Copa de 82] era muito legal. Mas era uma coisa futebolística. E só. Tínhamos os melhores caras da época, tínhamos a melhor seleção. E eu era o capitão. Ou seja, uma bela de uma homenagem e também uma grande responsabilidade. Mas era futebol. Só futebol. Apesar de a linguagem futebolística ser aquela que une nosso país, nós precisamos de muito mais. Precisamos de educação, de conhecimento, de informação. E, de repente, você conseguir provocar, por meio dessa linguagem, algum tipo de mudança, isso é do caralho.
E como funcionava a Democracia Corinthiana?
Na verdade, de tudo que eu li na vida, de tudo que vivi, não há nada parecido com a Democracia Corinthiana. Vamos imaginar que você tenha se casado com uma mulher, tenha filhos, tenha uma funcionária. E que todos decidam, por exemplo, a que horas almoçar. Todos! Não apenas você. E que o voto da sua funcionária tenha o mesmo peso que o seu. Isso é democrático. O resto é figuração. O voto do nosso roupeiro tinha o mesmo peso que o dos diretores de futebol do Corinthians.
Como foi a repressão ao movimento? Vivíamos o governo Figueiredo, que era um militar.
Na realidade, não houve repressão. Houve reação. Reação ideológica. E era até ótimo. Quanto mais discussão houver, mais você cresce. Vai melhorando o seu sistema com o olhar externo. Burro daquele que se acha sábio. Em qualquer coisa que se faça na vida, mais você reflete sobre aquilo que você é, que você faz. E então melhora aquilo que está pretendendo fazer. Se for unânime, é uma porcaria. Nelson Rodrigues disse que toda unanimidade é burra. E é verdade. Porque você fica burro. Nós estamos num meio, falando em futebol, popular. Ninguém mexe com isso. É a maior força. Não é um indivíduo. É uma multidão que está atrás de você.
Quais os legados da Democracia Corinthiana?
Vou citar um só. Temos um presidente metalúrgico.
Como a mídia jornalística reagiu à Democracia?
Em qualquer proposta ou filosofia diferenciada, você cria adesões e cria defecções. Aliás, é muito pertinente defecções. Lembra merda. Boa lembrança! Não só para um lado. Para o outro também. Seres humanos são criados para criar. Triste do homem que não cria. Que não cria diferenças, não cria novidades, que não discute nem provoca reflexões. Infelizmente, todo processo humanístico da metade do século passado até hoje é para que o homem vire uma rês. Seja vaca, seja boi ou seja touro. Uma rês. Infelizmente. E toda discussão que tivemos dentro do processo corinthiano era que, ali dentro, cada ser humano fosse respeitado como tal, como indivíduo. Que tivesse suas responsabilidades. Que fosse tratado como cidadão. Porque o jogador de futebol, o roupeiro menos ainda, o massagista também menos ainda, são tratados como meros coadjuvantes num processo que deveria ser humano e não é. É econômico, financeiro, político. É manipulado de todas as formas. A crise econômica que a gente passa hoje, por exemplo, é uma quebra dos tabus da virtualidade em que a economia foi apoiada. Cadê o humano? Cadê o trabalho? Cadê a profissão? Karl Marx, há quase 200 anos, escreveu basicamente isso que está acontecendo agora. Se você reler O Capital hoje, vai dizer: “pô, isso é uma mentira, o que vale é o ser humano, é o homem, é o produtor, é o cara que tá lá com a mão na massa, não é essa porcaria de bolsa de valores”. Isso é tudo virtual. Uma hora explode mesmo. E o pior é que o ser humano não aprende.
Naquele time, todo mundo aderiu? Como era sua relação com o Leão, por exemplo?
Uma merda. O Leão não é um ser humano. Estamos falando de seres humanos. O Leão, na verdade, é uma distorção da geração que Deus imaginou. Mas eu não tenho nada contra ele. As pessoas são o que são. Agora, ele é uma figura que carrega dentro de si alguns grandes defeitos humanos. Todos nós temos defeitos, ele tem múltiplos. Mas não é uma culpa dele, não. Ele nasceu com isso. Não é algo que foi emprestado pela sociedade. Está na genética.
Isso contradiz sua análise marxista.
Não quero mais falar sobre o Leão.
E sua relação com o resto da equipe? Todo mundo aderiu? Eram pessoas que discutiam também?
Aquilo só funcionou porque, de alguma maneira, iniciou-se uma convulsão. Juntaram-se várias pessoas no mesmo ambiente, na mesma época. Foi um acidente. Revoluções não acontecem na hora em que você quer. Che e Fidel não se juntaram por acaso. Alguém colocou os dois juntos. E com mais 14 ou 15 pessoas, eles fizeram aquela porcaria
funcionar e a realidade social de Cuba ficou a coisa mais linda do mundo. Um monte de gente se juntou em determinado momento e criou-se a condição para que se tivesse uma revolução. As pessoas, no começo, tinham muito medo. Mas tinham alma. Isso era o mais importante. Tinham medo porque nunca foram estimuladas a participar de nada, a ter voz ativa e, de alguma forma, a participar das decisões. Todo mundo tem medo disso. Até hoje. Qualquer sociedade é assim, qualquer empresa. Tem um dono que impede as pessoas de tomarem suas decisões antes de imaginar quais sejam. Ali, não. Ali era do caralho. As pessoas foram estimuladas o tempo todo a ter autonomia. Por isso que ninguém daquela turma está mal. Todo mundo virou gente, virou cidadão, conseguiu se entender como ser humano dentro de um processo social.A mídia participou? O Juca Kfouri participava? Quais jornalistas eram mais próximos?
Existiam dois grupos. Um, que era de esquerda, liderado pelo JB [Jornal do Brasil] e Folha, que apoiava. O Juca era um dos jornalistas que apoiava. Do outro lado havia Estadão e O Globo. É natural. Mas todos eles, de algum modo, foram importantes no processo. O debate era fundamental. Nós chegamos a um ponto, num país que estava há quase 20 anos sem votar para presidente… Foi demais. A primeira campanha do Lula, em 1982, nós bancamos dentro do Corinthians. Fizemos um jogo de manhã, um churrasco à tarde e um show à noite. Reunimos toda a galera para gerar recursos. É por isso que eu falo: se temos um metalúrgico na presidência é culpa nossa também.
Que avaliação você faz do governo dele?
Eu adoro fazer analogia. Namorar uma mulher e ela gozar cinco vezes é pouco. Governo Lula é isso. Mas é muito melhor do que não gozar.
Magrão, fale sobre o Cauim, que é um projeto de cunho social.
O Cauim é um sonho. Eu sou novato no Cauim. Primeiro, descobri o Kaxassa [Fernando, fundador do Cauim]. Um cara que eu pus o nome de Kaxassa com “k”, “x” e dois “esses”. Ele foi o genitor do cinema, que não tem bilheteria, com propostas educativas para um público que nunca teve acesso. Tem gente, meu amigo, que não tem como pagar R$ 50,00 para ir ao cinema, assim como não tem para ir ao teatro, a um show de R$ 200,00. Se eu fosse dono desta merda [provavelmente alguma área pública], e eu não sou e não vou ser nunca, eu ofereceria um espaço público para o Chico Buarque vir cantar. Quem tem condições, paga R$ 150,00. Mas ele tem obrigação, e ele toparia, de fazer um show para o povão, de graça. Porque o espaço é público. Todo mundo paga. Uns pagam mais, outros pagam menos, porque existem as castas. No meu sonho, todos têm as mesmas oportunidades. Mas não temos porque esta merda é voltada para a exploração do homem pelo homem. Lembrei agora da Revolução dos Bichos, de George Orwell. Qualquer criança tinha que aprender a ler com aquilo.
Vou voltar um pouco para o futebol. Quem foi o cara no Corinthians: Rivelino, Sócrates, Neto ou Marcelinho Carioca?
Cláudio [Cristóvão do Pinho, campeão paulista pelo Corinthians em 1954]. Tem uma história ótima dele. Eu só estive uma vez com o Cláudio, ele já tinha 60 e tantos anos. Foi num jogo, numa festa que fizeram no Pacaembu. Corinthians inglês, um time amador, contra os antigos jogadores do Corinthians brasileiro. Na hora que terminou o jogo, o Cláudio conversou com o Juca: “agora eu descobri por que o Magrão foi campeão pelo Corinthians. Porque ele joga com a gente”. Foi a maior homenagem que eu recebi na minha vida.
E a relação com a Fiel, já que você tem uma vocação popular e a torcida traduz muito isso? Tinha conversa, diálogo?
Outro dia me perguntaram a mesma coisa. Não sei se eu tinha vocação popular. Quem me fez ser o que eu sou foi a Fiel, que é a cara do Brasil, a cara do brasileiro. Eu sou o que sou por causa da Fiel. Eles me fizeram assim. Eu sou um cargo de mandato sem mandato. Pô, cara!, vou brigar com este povo que me deu tanta coisa, me ensinou e ensina tanta coisa?
Magrão: qual foi o jogo e qual o gol da sua vida?
O maior jogo da minha vida está para acontecer ainda. Agora, em cima da sua pergunta, a emoção maior que eu tive na vida até hoje, como profissional de futebol, foi ouvir o Hino Nacional brasileiro, em Sevilha, no primeiro jogo da Copa do Mundo de 82, como capitão, representante da geração. Uma coisa é ter um filho. E eu sei, sou apaixonado por eles todos. Outra coisa é você ter milhões de filhos naquele momento.
Sua consciência também foi levada para o grupo da seleção?
Nós tínhamos um grupo em que todo mundo era ídolo nos seus clubes. Naquela época, quem era o melhor jogador do Brasil? Na verdade, existiam quatro grandes jogadores: um gaúcho, o Falcão, que jogava em Roma; o Zico, no Rio; eu, em São Paulo; e o Cerezo, em Minas. Se você deixa a rivalidade correr nos bastidores, não consegue formar uma equipe. Porque vira competição. A gente saía e dizia em público: o melhor jogador do Brasil é o Zico. E era mesmo.
Melhor do que o Falcão?
Tá de sacanagem, cara?!!! Era melhor do que todo mundo, porra! Melhor do que eu. O Zico era foda. O Zico decidia, velho. E, sendo o melhor, ele era o rei. Quando há um rei, o resto briga para chegar perto do rei. Quando não há rei, todo mundo se mata. Vira tudo súdito. Em qualquer sociedade é assim. Você briga para chegar até ele. Se deixar sem líder, ninguém faz nada. Não é uma visão minha, é uma visão filosófica da sociedade. Não é minha, é maquiavélica. O Príncipe dizia isso. Eu só usei.
Muitos dos de 82 estiveram em 86, que foi um grande time e também chegou perto.
Desculpe, mas não existe essa comparação. É aquela coisa: você conquista a mulher da sua vida. Em 82 era isso. Em 86 podia até ser uma mulher muito mais gostosa e bonita. Para os outros, não para você. Não era a mulher da sua vida.
Quando o Raí ganha a Copa em 1994, houve uma sensação de complemento?
O Raí é muito diferente de mim. Ele é tímido pra caramba. Eu também sou, mas ele é o tímido que não briga. Ele é articulador, mas não briga. Ele é mais polido, eu sou mais agressivo. Em 1994, eu jamais sairia do time. Eu falo para ele: “porra, Raí, caralho, capitão do time não sai. Briga. Põe a merda pra correr”. Eu jamais sairia. Até porque era injusto. Se viesse jogando mal, tudo bem. Mas ele não merecia sair. Ele era o capitão. E um capitão sair durante a Copa do Mundo, eu não lembro de nenhum. Agora, tem coisa mais linda? Ele aceitou, ficou no banco, tudo pelo coletivo. E foi campeão. Eu não aceitaria. No mínimo, no mínimo, eu pegaria um voo de volta. Se você é o capitão da seleção, você é o representante mor daquela porra. Representante do time e da nação. Isso não muda em uma semana. É uma conquista que tem uma história. E ninguém pode pisar na sua história. Pisaram na história dele. Se fosse um jogador comum… Não, ele era o capitão. Sacanearam o Raí.
O que eu quis dizer foi o seguinte: o Raí foi campeão mundial com o São Paulo em 1992 e, logo, deu, digamos assim, um título mundial ao Telê. Depois, foi campeão mundial com a seleção. É essa sensação de complemento a que me refiro. Foi um cala-boca nos que cobram vitória?
Sinceramente, eu não vejo assim. Em 82 existia um sonho de jogar bola bonito. O Telê preservava isso. Agora, eu não acredito em vitória. Nem em sucesso. É tudo especulação. Nós somos frágeis, somos fracos, somos carentes. Todos nós. Existem sobrevidas. Mas a maior parte da vida é de carência, sofrimento, dor, de ir buscar um monte de coisa que a gente não conquistou. E conquistar não quer dizer ganhar, não quer dizer ter sucesso. Conquistar é aquilo que lhe dá prazer, que lhe faz bem, que lhe dá felicidade. Eu não acredito nesse discurso da sociedade contemporânea, tudo voltado para a Ilha de Caras. Falsidade do caralho. Mostram coisas muito bonitas, muito ricas. Se você pegar a maior parte das pessoas que tiram foto naquela revista, elas não estão em casa. Na casa delas é muito mais difícil. A vida é muito maior do que o sucesso. A vida é real, cara. A casa delas é que vale, é onde elas choram.
03/06/2009
Testamento
Manuel Bandeira
O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!
(29 de janeiro de 1943)
Manuel Bandeira
O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!
(29 de janeiro de 1943)
02/06/2009
velhice
01/06/2009
meu Eu sujo
Quando a gente fala da gente só fala bem. Tô puto comigo e resolvi escrever sobre MEU EU SUJO. Aposto que você também tem um, com diferente sujeira, mas com o mesmo asco.

1. Tenho medo excessivo do fracasso;
2. Não lido bem com críticas;
3. Já magoei muito pessoas que me amavam demais;
4. Por diversas vezes, menti só pra satisfazer meu ego;
5. Tenho muita dificuldade de levantar das quedas;
6. Sou volúvel;
7. Sou mulherengo;
8. Sou indeciso;
9. Fujo dos meus próprios problemas;
10. Não sou um bom filho;
11. Poderia ser um esposo melhor;
12. Tenho vontade frequente de deixar de existir;
13. Sou gordo;
14. Sou desorganizado;
15. Acho que mais atrapalho do que ajudo quem do ama;
16. Escrevo mal;
17. Me sinto perdido em relação à minha carreira;
18. Me sinto perdido em relação a que rumo dar a minha vida.

1. Tenho medo excessivo do fracasso;
2. Não lido bem com críticas;
3. Já magoei muito pessoas que me amavam demais;
4. Por diversas vezes, menti só pra satisfazer meu ego;
5. Tenho muita dificuldade de levantar das quedas;
6. Sou volúvel;
7. Sou mulherengo;
8. Sou indeciso;
9. Fujo dos meus próprios problemas;
10. Não sou um bom filho;
11. Poderia ser um esposo melhor;
12. Tenho vontade frequente de deixar de existir;
13. Sou gordo;
14. Sou desorganizado;
15. Acho que mais atrapalho do que ajudo quem do ama;
16. Escrevo mal;
17. Me sinto perdido em relação à minha carreira;
18. Me sinto perdido em relação a que rumo dar a minha vida.
31/05/2009
twittosfera
O Twitter é um sala ampla, com milhões de pessoas que não se conhecem e gritam simultâneamente. Mas você só ouve quem você quer ouvir e só te escutam os que te acham interessante.
Olhou a sala ampla, com pessoas sentadas em cadeiras dispostas de forma aleatória, de olhos fechados, estando alí sem estar alí.
De repente, alguém levantou-se da cadeira e falou algo antes de sentar-se novamente e emudecer. Desordenadamente, várias passoas se levantaram, falaram e se calaram, seguidas por outras, que eram seguidas por outras e outras... Percebeu que ele podia ouvir apenas quem ele quisesse ouvir, de acordo com seus interesses. Começou a falar também. Logo percebeu que umas centenas de pessoas o escutavam e por vezes se comunicavam com ele, embora ele não as conhecesse.
Descobriu que quando alguém repetia suas falas, era como se estivisse lhe aplaudindo. Percebeu também, que na sala havia gente de todo o mundo e que ele podia ouvir e falar com gente do outro lado do oceano, na mesma sala, sem sair de lá.
Ficou cansado, desocupou a cadeira, saiu da sala. Lá fora, o mundo ainda era cinza, com carros, sujeira, mendigos e sonhos frustrados. Dormiu.
No dia seguinte voltou mais cedo para a sala. Falou mais. Ouviu mais. Saiu mais tarde da sala. Dormiu menos. Voltou mais cedo. Intensificou a presença na sala e a ausência do mundo, conectando-se de tal forma à sala que não imaginava como viver sem ela.
Aos poucos, as células de sua pele deram lugar aos bits. Ele nem se dava conta. Apenas falava e ouvia e ouvia e falava.
Já não trabalhava, já nao produzia, sua alma virou software e seu corpo foi encontrado abandonado, no apartamento. Acreditava não precisar mais do mundo físico. Agora, ELE falava e O ouviam, como nunca acontecera em toda sua vida.
EDNALDO TORRES FELICIO
maio/2009
Olhou a sala ampla, com pessoas sentadas em cadeiras dispostas de forma aleatória, de olhos fechados, estando alí sem estar alí.
De repente, alguém levantou-se da cadeira e falou algo antes de sentar-se novamente e emudecer. Desordenadamente, várias passoas se levantaram, falaram e se calaram, seguidas por outras, que eram seguidas por outras e outras... Percebeu que ele podia ouvir apenas quem ele quisesse ouvir, de acordo com seus interesses. Começou a falar também. Logo percebeu que umas centenas de pessoas o escutavam e por vezes se comunicavam com ele, embora ele não as conhecesse.
Descobriu que quando alguém repetia suas falas, era como se estivisse lhe aplaudindo. Percebeu também, que na sala havia gente de todo o mundo e que ele podia ouvir e falar com gente do outro lado do oceano, na mesma sala, sem sair de lá.
Ficou cansado, desocupou a cadeira, saiu da sala. Lá fora, o mundo ainda era cinza, com carros, sujeira, mendigos e sonhos frustrados. Dormiu.
No dia seguinte voltou mais cedo para a sala. Falou mais. Ouviu mais. Saiu mais tarde da sala. Dormiu menos. Voltou mais cedo. Intensificou a presença na sala e a ausência do mundo, conectando-se de tal forma à sala que não imaginava como viver sem ela.
Aos poucos, as células de sua pele deram lugar aos bits. Ele nem se dava conta. Apenas falava e ouvia e ouvia e falava.
Já não trabalhava, já nao produzia, sua alma virou software e seu corpo foi encontrado abandonado, no apartamento. Acreditava não precisar mais do mundo físico. Agora, ELE falava e O ouviam, como nunca acontecera em toda sua vida.
EDNALDO TORRES FELICIO
maio/2009
29/05/2009
26/05/2009
Cintia
Você vai me Seguir
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Você vai me seguir aonde quer que eu vá
Você vai me servir, você vai se curvar
Você vai resistir, mas vai se acostumar
Você vai me agredir, você vai me adorar
Você vai me sorrir, você vai se enfeitar
E vem me seduzir
Me possuir, me infernizar
Você vai me trair, você vem me beijar
Você vai me cegar e eu vou consentir
Você vai conseguir enfim me apunhalar
Você vai me velar, chorar, vai me cobrir
e me ninar
Ontem, 25 de maio, foi aniversário da MULHER QUE AMO.
Pequeña Serenata Diurna
Chico Buarque
Composição: Sílvio Rodriguez
Vivo en un país libre
cual solamente puede ser libre
en esta tierra, en este instante
yo soy feliz porque soy gigante.
Amo a una mujer clara
que a muy me ama
sin pedir nada
o casi nada,
que no es lo mismo
pero es igual
Y si esto fuera poco,
tengo mis cantos
que poco a poco
muelo y rehago
habitando el tiempo,
como le cuadra
a un hombre despierto.
Soy feliz,
soy un hombre feliz,
y quiero que me perdonen
por este día
los muertos de mi felicidad.
22/05/2009
Garçonete

Era um bar comum, numa rua de São Paulo, com Cake tocando no rádio, flyers colados na parede, risos e cigarros. Sentei-me ao balcão.
Atendeu-me vestindo um espartilho preto e seus seios pulavam em direção aos meus olhos.
Tinha tatuada no braço esquerdo uma pin-up que bem poderia ser Dona Maria Padilha (Salve Pomba Gira!).
Seus seios eram copos de leite fartos, sua cintura era fina como se fosse a América Central unindo exuberantes continentes e suas ancas, redondas sob o jeans baixo, bailavam entre as mesas, enquanto ela atendia aos pagãos.
Sabia que a cobiçava e parecia divertir-se com isso.
Por vezes, cruzava o olhar com o meu e provocando, me encarava a alma, sorrindo maliciosa, antes de levar a cerveja à mesa ao lado.
E quando eu menos esperava, ela abraçou a dona do bar e lhe deu um beijo úmido, intenso e apaixonado. "Vou jantar." Olhou pra mim e sorriu, antes de sumir cozinha adentro.
Fiquei congelado alguns minutos, mudo.
Paguei a conta e saí. Sabia que tinha visto Nefertiti em sua forma mais bela.
EDNALDO TORRES FELICIO
maio/2009
19/05/2009
Glória

Por que gosto tanto de ti?
.
Deve ser essa mania minha de achar diamante em meio à multidão, esse dom de ver estrelas em olhos doces e a infinita vontade de acreditar que pessoas essencialmente lindas existem.
.
Mas só um cego não enxerga tamanha luz no teu sorriso. Só um louco ignora as flores nascendo de teus passos, o calor do toque de tuas mãos e as asas prateadas que nascem desde suas costas, mas que escondes, por modéstia.
.
Não era difícil gostar de ti.
.
Como diabos não gostar dessa energia sagaz que transforma átomos em matéria, planos em ação, idéias em objetos?
.
Gostar de ti, afinal, foi obvio como aquecer-se sob o sol em fevereiro na Barra. Foi inevitável como a atração dos corpos celestes, foi a consequencia de eu ser o Poeta e você ser Poesia.
.
Poesia de Glória, descrita em prosa...
18/05/2009
para Danni Morena
Ligia
Chico Buarque
Composição: Tom Jobim
Eu nunca sonhei com você
Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba
Não vou à Ipanema
Não gosto de chuva
Nem gosto de sol
E quando eu lhe telefonei
Desliguei, foi engano.
Seu nome eu não sei,
Esquecí no piano as bobagens de amor
Que eu iria dizer
Não, Lígia, Lígia.
Eu nunca quis tê-la ao meu lado
Num fim de semana
Um choop gelado em Copacabana
Andar pela praia até o Leblon
E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão
O seu nome rasguei
Fiz um samba-canção
Das mentiras de amor
Que aprendí com você.
Lígia, Lígia.
E quando você me envolver nos seus braços serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo
Que um raio de sol
Ligia, Ligia.
16/05/2009
NOITE NA AORTA (RUA) AUGUSTA
São Paulo pulsa seus loucos
entre bares, baladas, mentiras e amores.
Meninas de mãos dadas,
meninos que se beijam,
casais convencionais
e porteiros de bordéis
dividem a mesma Augusta Rua.
Goles de cerveja
guimbas de cigarro,
tocos de maconha, agulhas e pó
circulam pela noite
enquanto um padre francês distribui comida aos mendigos
Buzinas cheias de malícia
sinalizam a cobiça
dos motoristas às putas nas calçadas
Tribos se trombam
e passam
entre olhares raivosos
Gritos de briga
misturados a risos amigos
tudo abafado pelo som alto de um carro azul...
Tudo pulsa na Aorta Augusta
da minha cidade cinza e bonita
surreal e etéria,
tangível e fria.
Em frente ao Tieta
um catador de latinhas
canta baixinho
lembrando de seu Cariri...
EDNALDO TORRES FELÍCIO
entre bares, baladas, mentiras e amores.
Meninas de mãos dadas,
meninos que se beijam,
casais convencionais
e porteiros de bordéis
dividem a mesma Augusta Rua.
Goles de cerveja
guimbas de cigarro,
tocos de maconha, agulhas e pó
circulam pela noite
enquanto um padre francês distribui comida aos mendigos
Buzinas cheias de malícia
sinalizam a cobiça
dos motoristas às putas nas calçadas
Tribos se trombam
e passam
entre olhares raivosos
Gritos de briga
misturados a risos amigos
tudo abafado pelo som alto de um carro azul...
Tudo pulsa na Aorta Augusta
da minha cidade cinza e bonita
surreal e etéria,
tangível e fria.
Em frente ao Tieta
um catador de latinhas
canta baixinho
lembrando de seu Cariri...
EDNALDO TORRES FELÍCIO
14/05/2009
passárgada

Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
09/05/2009
CONFISSIONÁRIO
DETESTO MINHA IRMÃ.
Ontem, depois de mais um show que ela fez quando fui visitar meus pais, descobri o adjetivo que mais lhe cabe: ABSURDA.
Minha irmã é absurda. Um aborto de sí mesma. Uma pessoa em constante boicote de si própria para se fazer de vítima perante o mundo.
Ela não é má. Ela não é louca. Ela não é esquizofrênica. Ela é absurda.
Se me descrevessem alguém como ela, eu acharia falso. Mas ela existe. ABSURDAMENTE ELA EXISTE.
Que pena que ela more com meus pais. Visito-os menos do que poderia porque não tenho saco de andar 30 km num transito doido para agüentar provocações de uma mulher absurda.
Embora ela tenha sido gerada pela mesma mãe e tenhamos o mesmo pai não somos irmãos.
Ela é absurda.
Ontem, depois de mais um show que ela fez quando fui visitar meus pais, descobri o adjetivo que mais lhe cabe: ABSURDA.
Minha irmã é absurda. Um aborto de sí mesma. Uma pessoa em constante boicote de si própria para se fazer de vítima perante o mundo.
Ela não é má. Ela não é louca. Ela não é esquizofrênica. Ela é absurda.
Se me descrevessem alguém como ela, eu acharia falso. Mas ela existe. ABSURDAMENTE ELA EXISTE.
Que pena que ela more com meus pais. Visito-os menos do que poderia porque não tenho saco de andar 30 km num transito doido para agüentar provocações de uma mulher absurda.
Embora ela tenha sido gerada pela mesma mãe e tenhamos o mesmo pai não somos irmãos.
Ela é absurda.
05/05/2009
02/05/2009
O DIA EM QUE TIREI UM SARRO DO JOSÉ SERRA, GOVERNADOR E VAMPIRO

Abertura do Ano da França no Brasil. Evento bonito no Parque da Luz, aqui em Sampa. Meia noite. Tochas iluminando o parque. Artistas franceses decoraram o velho Parque com instalações que misturavam fogo, fumaça e música. Muita gente para ver a bela exposição.
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Em meio à muvuca, cercado de repórteres e seguidores, eis que aparece o José Serra, o Vampiro Brasileiro, aquele que já se acha Presidente do País em 2010, ladeado por Kassab, seu filho draculino, visitando as obras expostas.
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Me aproximei e gritei alto, erguendo o polegar: "Serra!"
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Ele olhou e sorriu largo. Estava orgulhoso de si. Achava que eu era seu eleitor.
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Em seguida emendei: "Vai perder outra Eleição! 2010 é Dilma! Viva Lula!!!"
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Ao ouvir minhas palavras, a face do Governador sobreu metamorfose: seu sorriso quase humano sumiu, sua cara fechou-se, mostrando sua face Vampiresca. Ao seu lado, Kassab riu (RIU MESMO). As pessoas ficaram quietas, surpresas. Serra me encarando muito nervoso. Estávamos muito próximos. Achei que, se ele pulasse, conseguiria morder minha jugular. Ri de meu pensamento. Alguém gritou ao fundo "É Lula!!!"
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Dei as costas ao Governador e saí soberbo. Escutei ainda mulher gritar "Vai pra casa, otário", se referindo, imagino, a mim (ela tinha voz de tucana Cansada). MInha esposa emendou incisiva: "Ele já falou com o Porcão, não precisa falar com porquinhos."
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Saímos rindo enquanto minha filha dizia: "Ae Pai... uhúúúú´Mandou bem!!!" MInha afilhada bateu em minha mão e sorriu me dizendo "Tio, você é ótimo!"
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kkkkkkkk Não podia deixar de contar isso a vocês. O sorriso do Vampiro que se transformou numa fração de segundos numa cara amarrada. FOI LINDO.
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ESTOU ME AMANDO. hahahahahhahahahahah
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Abraços
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