28/11/2010

OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

Este post é dedicado ao companheiro Bemvindo Sequeira, que ontem leu este belo poema em sua twittcam e percebeu que Vinícius foi profético, que ao escrever OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO , Vinícius previa o Lula, nosso TORNEIRO PRESIDENTE.






Operário em Construção
Vinicius de Moraes

Era ele que erguia casas
Onde antes so' havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Nao sabia por exemplo
Que a casa de um homem e' um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa quer ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pa', cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com sour e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento

Alem uma igreja, à frente
Um quatel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Nao fosse eventuialmente
Um operário em contrucão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
`A mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma subita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operario em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua propria mao
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que nao havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu tambem o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois alem do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edificio em construção
Que sempre dizia "sim"
Comecam a dizer "não"
E aprendeu a notar coisas
A que nao dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pes andarilhjos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução

Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão nao queria
Nenhuma preocupação.
- "Convencam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.

Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se subito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vao sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porem, por imprescindivel
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Nao dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobra-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Sera' teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Nao ves o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Nao podes dar-me o que e' meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um siêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silencio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arratarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperanca sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razao porem que fizera
Em operário construido
O operário em construção

07/10/2010

Sabe por que amo o Corinthians?
Porque aprendi com meu pai.
Meu pai, hj com Alzheimer, 85 anos nas costas, fez promessa de só cortar o cabelo quando o Timão fosse campeão nos anos de fila.
Cortou o cabelo em 77 sorrindo.
meu pai, com quem eu via jogos na TV
Meu pai, com quem eu ouvia jogos no rádio.

Sofri e comemorei com o velho.

Hj ele mal me reconhece, mas lembra do Corinthians.

Fala tanto do Riva quanto do Ronaldo.

Amo meu pai e amo o Corinthians.

O Corinthians é minha história, é minha vida é meu amor.

Assim como meu pai. Assim como minha filha que vai no Paca comigo desde que tinha uns 5 aninhos e com 13 chorou a eliminação da Libertadores como chorou a subida da segunda.

Não tenho esperanças na cura do meu. O Alzheimer dele não tem cura.

Hj perdi a esperanças no título desse ano.

Escrevo isso chorando.

Estou triste.

Obrigado novamente ao dono do tópico.

Achei que era só eu quem estava triste com o jogo de hj

a frustração venceu a esperança

26/08/2010

entre. e fique à vontade (2)
















Entre.
Abra seu coração e permita-se sentir.

Estou aqui e aí dentro de você.
Apascento seus pesadelos e nino teus sonhos.
Teus sonhos mais belos.

Está aqui e também dentro de você toda minha luz.
Não tenha medo, o escuro são apenas olhos fechados.

Nem mesmo o elefante e sua imponência têm minha majestade
Nem mesmo o vento e sua liberdade tem minha amplidão.

Minhas palavras estão em você, pois te fiz imagem e semelhança minha logo após inventar o dia e a noite.

Olhe para dentro de sí, em seu íntimo
E você me verá.

Tua aorta
Miocárdio
Angina
Tua alma

Em tudo teu tem algo meu

Prazer, você me chama Deus.

Está pronto para Me ouvir?



EDNALDO TORRES FELÍCIO



entre. e fique à vontade

















"Somos, cada vez mais, os nossos defeitos, não nossas qualidades."
José Saramago



Entre.
Abra as portas de sua mente e permita-se deixar sentir.

Estou aqui.
Estão aqui meus sonhos e pesadelos.
Os mais belos e os mais nojentos.

Estão aqui meu escuro e a luz falsa que faço brilhar pra você me ver.
Queria te atrair pela minha escuridão, mas você fugiria.

Sou um pavão com penas faltantes, tal qual um sorriso banguela de um velho ancião.

Entre e deixe que minhas palavras entrem em ti.
Sinta o contacto físico de meu cérebro pegajoso através de seus olhos
o teu pensamento, sou eu quem está guiando
(pelo menos enquanto você me lê).

Entre.
Escancare-se.
Entrarei em ti.
Pelo cerebelo.
Pelo córtex.
Pela áurea.

Entre.


Prazer, sou Lúcifer.


EDNALDO TORRES FELÍCIO

08/08/2010

REHAB

Sabe aquela música da Amy Winehouse em que ela diz que tentaram interna-la numa clínica e ela disse: "não, não, não"?

Pois é, colocamos meu pai numa clínica (de repouso) e ele nem pode dizer "não não não". E se disse, ensurdecemos nossos ouvidos.

Na verdade, a Vida e o Tempo, esse casal maluco que tudo atropela, não nos deu chance de falar "não não não" e se falamos, de surdo se fizeram Tempo e Vida.

Meu velho não suportou o peso do Tempo. Lembrando Drumond, os ombros do meu pai suportaram o mundo, mas sua mente pediu licença e, em intervalos cada vez menores, foi se afastando de seu corpo e da realidade.

Tentamos enganar o tempo. Enchemos a casa de meu pai de rampas, barras, apoios... mas o Tempo, senhor da Vida, é uma locomotiva louca e sem maquinista... quem engana essa máquina desgovernada?

A doença de meu pai não tem cura. Cada vez ele se lembrará menos do recente, cada vez se ausentará mais do presente e seu corpo será um barco à deriva. Como cuidar de um barco no redemoinho se ainda somos apenas canoas?

Coloquei meu pai numa clínica. Fingi que não ouvi seus "não não não".

Ser forte é fazer o necessário, fazer o que ninguém tem coragem de fazer.

Coloquei meu pai numa clínica e mesmo que eu tenha dito "não não não", dei as costas, limpei os olhos e dirigi meu carro.

O Tempo e a Vida nem se deram conta. Eles continuam assim como nós, de uma forma ou de outra...

Feliz Dia dos Pais, meu Grande Velho Francisco.

25/07/2010

pai. te amo.

eu não sabia que doía tanto, uma mesa num canto uma sala um jardim...

(no dia de hoje decidimos que o melhor é internar o meu pai numa clínica de repouso. É o melhor para ele.)

15/06/2010

Homens podem chorar (ou a derrota do Brasil na Copa de 1982)

Em 1982 o Brasil tinha um time maravilhoso e ainda assim foi eliminado da Copa pela Itália, perdendo de 3x2.

Tinha eu 7 anos.

Lembro que quando acabou o jogo contra a Itália, as lágrimas encheram meus olhos e eu saí correndo pelo quintal para que meu irmão, 6 anos mais velho que eu, não repetisse o que ele sempre ouvira de meu pai: "Homem não chora, moleque".

Era uma tarde de ensolarada, minha mãe havia lavado lençóis e cobertores e eles secavam no varal. Esconder-me por lá, entre cheiros de roupa limpa, era o mais perto que eu podia ter de um afago materno (ela também diria - como disse tantas outras vezes durante minha vida - que meus sentimentos eram tolices), e ali, entre os lençóis que ela havia lavado, me sentia entre seus braços, com seu cheiro de mãe, me protegendo.

De repente, entre as frestas dos lençóis, vi sentado na porta da cozinha, se escondendo pelos mesmos motivos que eu, meu irmão, chorando silenciosamente, na mesma dor da derrota. Na mesma aflição da solidão, precisando apenas de um abraço ou um grito de gol.

Foi uma das primeira e únicas vezes que me senti junto de meu irmão. Ainda que chorando em cantos diferentes nossas dores eram de um mesmo abandono de uma mesma frustração.

Outras Copas vieram. O Brasil ganhou algumas e perdeu outras tantas. A vida levou meu irmão e trouxe ele de volta alguns anos depois.

Em 1982 descobri que o melhor nem sempre ganha na vida e que irmãos podem chorar (ainda que escondidos do mundo ou de si mesmos).



post dedicado ao meu irmão EDSON

14/06/2010

CHE COMPLETARIA 82 ANOS NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA


O NASCEDOR
Por Eduardo Galeano

Por que será que o Che
Tem este perigoso costume
De seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam,
O manipulam
O atraiçoam
Mais ele renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será por que Che
Dizia o que pensava e fazia o que dizia?
Não será por isso que segue sendo
tão extraordinário,
Num mundo onde palavras
e atos tão raramente se encontram?
E quando se encontram
raramente se saúdam
Por que não se reconhecem?

via http://www.vermelho.org.br

12/06/2010

?


Sentou-se.
Diante de si havia bifurcações intermináveis.

Olhou o céu azul sem fim.
Pensou no mar e seu (falso) horizonte.

Lançou um curto olhar para trás:
seus erros e acertos marcados
com pegadas (nada/quase) frágeis.

Suspirou.

Mirou suas pernas cruzadas.
Sapatos surrados nos pés,
solas surradas na alma,
dedos sem raízes no chão.

Ouviu o vento
sopro sem vida, infinito e etéreo - indiferente -
a apagar marcas
que ficaram de onde/por onde andou.

Examinou as próprias mãos
e viu-se mais velho, mais calejado,
mais duro, menos menino.

Levantou-se.

Caminhou.

Qualquer bifurcação que escolhesse
daria sempre em lugar algum.

Lugar algum.

"Dane-se!" pensou
"não me importa a margem,
mais que a travessia.
não me importa a morte,
mais que a vida."

Dobrou à esquerda
e nunca mais
foi visto ali, igual, o mesmo.

Pior, por vezes melhor,
mas nunca
o mesmo.


EDNALDO TORRES FELICIO
12/06/2010
por volta de 01:00hs

(o vento continua seu canto...)

25/05/2010

Kriptonita e o meu Herói


Colocaram Kriptonita na alma do meu herói.
Tiraram sua força, sua lucidez.
sua saúde, seu bom-senso.

Ele me levava nos ombros
e era enoooorme aos meus olhos de criança.
Ele podia carregar qualquer peso
(eu achava que ele carregava até o peso do tempo).

Mas o tempo foi pesando sobre seus ombros
(pesando mais que eu, que virei homem)

Ele foi se encurvando e tombando

Já não era mais o Herói
era um bebê frágil
precisando de mim.

Insano, doente, triste.
Aquele que está hoje no leito não é mais o meu herói da infância
mas será sempre meu pai.

E em minha cabeça terá sempre bigodes enormes
braços de ferro e um coração do tamanho do mundo

Será sempre o homem em que me espelhei

E não haverá Kriptonita no mundo
(chame a Kriptonita de Alzheimer, Parkinson ou o Diabo!)
que tornará frágil meu amor por ele.

EDNALDO TORRES FELICIO
25/05/10

07/05/2010

do blog do Juca Kfouri

Serenata

Por RICARDO PIRANI*

Na noite passada eu tive um sonho.

Sonhei que 35 mil pessoas faziam, juntas, ali num bairro nobre de São Paulo, uma serenata.

Cantavam num só coro, fitando a mesma janela.

Gritavam, pediam, suplicavam.

Até choravam.

Faziam o que fosse preciso.

E tudo aquilo por um simples sorriso.

Foram quase duas horas de cantoria alucinada.

Por duas vezes, a janela se iluminou.

Mas quis o destino que o tal sorriso não viesse.

Não tem nada não.

Lá estavam as 35 mil pessoas aplaudindo e insistindo em acreditar no amor.

Por que amor que é amor, é incondicional.

E aquilo não foi sonho.

Foi e será sempre somente ti, Corinthians!

*Ricardo Pirani é um torcedor corintiano.

22/04/2010

Sou da IGREJA UNIVERSAL e sempre serei

IRMÃOS

sábado de madrugada estava eu perdido, estava mal mesmo, indeciso sobre o caminho, sozinho, titubeando como há tempos, em um bar, já quase caído, quando encontrei um amigo pastor que me encontrou, abordou e começou a pregar sua palavra, sobre as verdades as quais prontamente me identifiquei.

emocionado fiquei, e espero que fiquem vós também.

na hora aceitei minha conversão e solícito crente me tornei.

hoje, nesse domingo considero-me membro da Igreja Universal.

espero que compreenda e se felicite comigo, que essa atitude não mantenha nossa amizade distante. acho normal, muitas pessoas vão e participam da mesma filosofia, durmo tranquilo pois não fui o primeiro e nem serei o último, amém, obrigado!

divido com vós um sermão da minha igreja, igreja universal, com meu amigo pastor de curitiba à frente do grupo, aleluia irmã! amém!

21/04/2010

como estou me sentindo em 21 de abril de 2010

Não Vou Me Adaptar

Composição: Arnaldo Antunes

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar (3x)

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
É que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Me adaptar!

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Não vou!

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou!
Não vou me adaptar! Eu não vou me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...


16/04/2010

HEY YOU

Ei você! aí fora no frio
Ficando sozinho, ficando velho, você pode me sentir?

Ei você! Parado aí nos corredores
Com os pés sarnentos e sorriso fraco, você pode me sentir?

Ei você! não os ajude a enterrar a luz
Não se entregue sem antes lutar.

Ei você! aí fora porque quer
Sentado nu, pelo telefone você poderia me tocar?

Ei você! com seu ouvido no muro
Esperando por alguém para pedir ajuda, você poderia me tocar?

Ei você! você me ajudaria a carregar a pedra?
Abra seu coração, eu estou chegando em casa

Mas isso era só uma fantasia
O muro era muito alto como você pode perceber
Não importa de que forma ele tentou
Ele não conseguiu se libertar
E os vermes comeram o cérebro dele.

Ei você! aí fora na estrada
Fazendo o que lhe disseram, você pode me ajudar?

Ei você! aí fora além do muro
Quebrando garrafas no corredor, você pode me ajudar?

Ei você! não me diga que não há nenhuma esperança
Junto nós resistimos, divididos nós cairemos.