23/08/2007

Raul Seixas

Ontem, dia 21 de agosto, foi o dia da Saudade. Num dia 21 de agosto, Raul morreu. Celebramos essa data homenageando o maluco com uma passeata pelas ruas de Sampa, cantando suas canções e celebrando sua memória.
Postarei aqui uma homenagem. Raul foi o cara que mais influenciou minha juventude.
Viva Raul Seixas!!!

Magia de Amor
(Raul Seixas)

Me fascina tua morte mal morrida
E tua luta prá ficar em tal estado
E teu beijo, tão fatal, nunca me assusta
Pois existe um fim pelo sangue derramado

Me fascinam os teus olhos quando brilham
Pouco antes de escolher quem te seduz
E me fascinam os teus medos absurdos
A estaca, o alho, o fogo, o sol, a cruz

Me fascina a tua força, muito embora
Não consiga resistir à frágil aurora
E tua capa, de uma escuridão sem mácula

Me fascinam os teus dentes assustadores
E teus séculos de lendas e de horrores
E a nobreza do teu nome, Conde Drácula

17/08/2007

Auto-aviso

Não deixe que ela (sim, aquela que representa seu passado, a dor no peito, a forca no pescoço e o nó na garganta) estragar teus dias imediatamente vindouros.

Não deixer que ela estrague teu minuto seguinte.

Ela não vale isso.

Ela não vale nada.

Não deixe que ela te vença. Não deixe que ela faça com que você se sinta um maldito cruel. Você não é. Você não é. Você não é.

Não deixe que seu pensamento caia nela. Ela não merece sequer isso.

Ela te fudeu. Ela se fudeu. Ela que continue se fudendo.

Você, que continue lutando contra tua depressão. Sem se sentir vítima de nada, nem culpado por nada. AS COISAS SÃO. O QUE FICOU PARA TRAS ESTÁ ESCRITO! É HORA DE ESCREVER PARA FRENTE e nas páginas seguintes, ela não será citada.

Ela que fique no passado que é o lugar dela, amarelando como a foto no armário.

TODO CONTATO COM ELA É PERIGOSO.

Ela quer afastar você do que você mais ama.

Ela não vai conseguir, pois você não lhe dará espaço.

Ela foi um vício. Hoje é apenas incômodo.

Ok?

07/08/2007

Como estou agora...

A música do Chico, copiada abaixo, fala do momento que estou vivendo agora.
São estes conselhos que quero seguir para me (re)encontrar e (re)conquistar meus objetivos, ainda que, por enquanto eu não saiba ao certo qual(quais) é(são).
Está difícil, mas EU VOU CONSEGUIR SER O QUE SEMPRE FUI!!!!!!!
;-)

Espero que frases como "Está provado, quem espera NUNCA alcança" soem às almas de vocês, como soa à minha.

P.S.: Três posts seguidos com músicas do Chico... Talvez eu esteja um tanto Chicólatra, mas afinal...

BOM CONSELHO

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado ou você se cansa
Está provado que quem espera nunca alcança.

Venha meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com o seu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes
Antes de pensar
Vou atrás de tudo
Vindo não sei de onde
Devagar é que não se vai longe.

Eu ouço bem o vento
Na minha cidade
Vou para a rua
E bebo a tempestade

Vou para a rua
E bebo a tempestade

Para Marlene e Vágner

Essa música, o Chico Buarque fez para a Zuzú Angel, quando ela perdeu o filho assassinado pela ditadura.
Tenho uma cunhada que perdeu um filho com leucemia há uns 10 anos e nunca mais se recuperou. Sua vida perdeu o sentido e ela espera tristemente a própria morte. É talvez, a pesoa mais triste que eu conheço.
Ela nunca lerá esse blog e nem saberá que ao escutar essa música do Chico Buarque lembrei dela e lamentei pela morte de meu sobrinho e de minha cunhada, sabendo que a morte dela é pior, pois é uma morte em vida.

Pedaço de mim
Chico Buarque/1977-1978

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

O QUE SERÁ? (À FLOR DA TERRA)

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

03/08/2007

entenderá se for você...

Meu bem, meu bem
será que você não vê,
não houve nada?
Só o passado rondando minha porta
feito alma penada...

hahahahahahahahahaha

Trecho do livro O lobo da Estepe sobre Depressão e depressivos

(...)


Outra era a de que pertencia ao grupo dos suicidas. E aqui é necessário esclarecer que não se devem considerar suicidas somente aqueles que se matam. Entre estes há suicidas que só o chegaram a ser por mero acaso, e de cuja essência do suicídio não fazem realmente parte. Entre os homens sem personalidade, sem características definidas, sem destino traçado, entre os homens incapazes e amorfos, há muitos que perecem pelo suicídio, sem por isso pertencerem ao tipo dos suicidas, ao passo que há muitos que devem ser considerados suicidas pela própria natureza de seu ser, os quais, talvez a maioria, nunca atentaram efetivamente contra a própria vida. O "suicida" - e Harry era um deles - não precisa necessariamente viver em relações particularmente intensas com a morte; isto se pode fazer sem que se seja um suicida. É próprio do suicida sentir seu eu, certo ou errado, como um germe da natureza, particularmente perigoso, problemático e daninho, que se encontrava sempre extraordinariamente exposto ao perigo, como se estivesse sobre o pico agudíssimo de um penedo onde um pequeno toque exterior ou a mais leve vacilação interna seriam suficientes para arrojá-lo no abismo. Esta classe de homens se caracteriza na trajetória de seu destino porque para eles o suicídio é a forma de morte mais verossímil, pelo menos segundo sua própria opinião. A existência dessa opinião, que quase sempre é perceptível já na primeira mocidade e acompanha esses homens durante toda sua vida, não representa, talvez, uma particular e débil força vital, mas, ao contrário, encontram-se entre os suicidas naturezas extraordinariamente tenazes, ambiciosas e até ousadas. Mas assim como há naturezas que caem em febre diante da mais ligeira indisposição, assim propendem essas naturezas a que chamamos "suicidas" e que sempre são muito mais delicadas e sensíveis à menor comoção, a entregar-se intensamente à coragem a autoridade suficientes para ocupar-se do homem, em vez de fazê-lo simplesmente no mecanismo dos fenômenos vitais, se tivéssemos uma verdadeira Antropologia, uma verdadeira Psicologia, tais fatos seriam conhecidos de todos.

O que foi dito acima a propósito dos suicidas só diz respeito obviamente à superfície; é psicologia, portanto uma parte da física. Do ponto de vista metafísico, o assunto aparece de outra forma e muito mais claro, pois, vistos assim, os "suicidas" se nos apresentam como perturbados pelo sentimento de culpa inerente aos indivíduos, essas almas que encontram o sentido de sua vida não no aperfeiçoamento e moldagem do ser, mas na dissolução, na volta à mãe, a Deus, ao Todo. Muitas dessas naturezas são inteiramente incapazes de cometer suicídio real, porque têm uma profunda consciência do pecado que isso representa. Para nós, entretanto, são, apesar disso, suicidas, pois vêem a redenção na morte e não na vida; estão dispostos a eliminar-se e a entregar-se, a extinguir-se e a voltar ao princípio.

Assim como toda força pode converter-se em fraqueza (e em certas circunstâncias deve fazê-lo, necessariamente), assim, ao contrário, o suicida típico pode fazer de sua aparente debilidade uma força e um escudo, o que acontece aliás com certa freqüência. A estes pertenciam também Harry, o Lobo da Estepe. Como milhares de seus semelhantes, fazia da idéia de que o caminho da morte estava pronto para ele a qualquer momento, não uma quimera juvenil e melancólica, mas antes encontrava nesse pensamento um apoio e um consolo. É verdade que nele, como em todos os homens de sua espécie, cada comoção, cada dor, cada desesperada situação da vida, despertava imediatamente desejo de livrar-se de tudo por meio da morte. Mas, pouco a pouco, foi transformando em seu interior essa tendência numa filosofia que era, na verdade, propensa à vida. A profunda convicção de que aquela saída de emergência estava constantemente aberta lhe dava forças, fazia-o sentira curiosidade de provar seu sentimento até às últimas instâncias. E quando se via na miséria, podia às vezes sentir com furiosa alegria uma espécie de prazer em sofrer: "Estou curioso por saber até que ponto um homem pode resistir. E quando alcançar o limite do suportável, basta abrir a porta e escapar." Há muitos suicidas que extraem força extraordinária deste pensamento.

Por outra parte, a todos os suicidas é familiar a luta contra a tentação do suicídio. Cada um deles sabe muito bem, em algum canto de sua alma, que o suicídio, embora seja uma fuga, é uma fuga mesquinha e ilegítima, e que é mais nobre e belo deixar-se abater pela vida do que por sua própria mão. Tendo consciência disso, a mórbida consciência que é praticamente a mesma daqueles satisfeitos consigo mesmos, os suicidas em sua maioria são impelidos a uma luta prolongada contra o próprio vício. O Lobo da Estepe era bastante afeito a esse tipo de luta; nela já havia combatido com várias armas. Finalmente, aos quarenta e seis anos de idade, deu com uma idéia feliz, mas não inofensiva, que lhe causava, não raro, algum deleite. Fixou a data de seu qüinquagésimo aniversário como o dia no qual se permitiria o suicídio. Nesse dia, convencionara consigo mesmo, podia usar a saída de emergência, segundo a disposição que demonstrasse. Então poderia ocorrer-lhe o que fosse, enfermidades, miséria, sofrimentos e amarguras, que tudo teria um limite, nada poderia estender-se além daqueles poucos anos, meses e dias, cujo número era cada vez menor. E na realidade suportava agora com mais facilidade males que antes o teriam atormentado profundamente, males que o teriam comovido até as raízes. Quando por qualquer motivo as coisas iam particularmente más, quando novas dores e perdas se vinham juntar à desolação, ao isolamento e ao desespero de sua vida, podia dizer aos seus algozes: "Esperai mais dois anos e eu vos dominarei." E logo se punha a imaginar o dia de seu qüinquagésimo aniversário, quando, logo pela manhã, começariam a chegar as cartas de felicitações, enquanto ele, tomando da navalha, despedir-se-ia das dores e fecharia a porta atrás de si. Então a gota das juntas, a depressão do espírito e todas as dores de cabeça e do estômago poderiam procurar outra vítima.


Herman Hesse


25/07/2007

"PATRÃO VELHO" ou "OCULTAR-SE"

"Detesta o patrão no emprego,
Sem ver que o patrão sempre esteve em você"
RAUL SEIXAS


Quantas vejas sou cruel comigo a ponto de me tornar pequeno?
Quantas vezes coloco o dedo na ferida só para ter sangue pra lamber?
E o fórceps que usei para sair do útero onde me ocultava?

Quantas vezes é água ardente que coloco em minhas chagas?
Quantas vezes é medo e ódio (misturados) o que vejo no espelho?
Quanto de mim boicota o "eu" que posso ser?

Onde, em que ponto de minha mente, está o grande censor de mim?
Onde guardo minhas imperfeições para não sabê-las humanas?

De onde Diabos, tirei a idéia de que sou Deus
e que Deus não pode errar?

Como, afinal, terminar este... (poema?) ?
É preciso mesmo terminá-lo?

...?

EDNALDO TORRES FELÍCIO
26/07/07
02:08
26/07/07

19/07/2007

MÍDIA GOLPISTA 10 X 0 LULA

MÍDIA GOLPISTA 10 X 0 LULA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 523

. A mídia conservadora (e golpista) derrotou o Presidente Lula por 10 a zero, na queda do avião da TAM.

. O presidente Lula fala à Nação nesta sexta feira.

(Clique aqui para ler o que o Presidente Lula deve dizer)

. O Governo reagiu atrasado, quando já estava na lona.

. Não há nenhuma relação entre a crise do apagão e a queda do avião da TAM – é o que mostram os primeiros indícios.

. Os primeiros indícios revelam que: ou o avião teve um problema mecânico, ou o piloto errou.

(O Jornal Nacional – o Jornal Nacional !!! – revelou que, desde sexta feira, o avião da TAM tinha um problema no reversor .... Deve ser culpa da falta de infra-estrutura do Governo Lula ...)

. Não tem nada a ver com grooving, com chuva, com intensidade do tráfego, com o tamanho da pista – nem nada daquilo que a Miriam Leitão chama de “logística” (e a falta de, no Governo Lula).

. Porém, a mídia conservadora (e golpista) só cobre a crise aérea e o apagão da infra-estrutura.

. Os indícios ? Não interessam.

. Para a mídia conservadora (e golpista) só interessa colar no Presidente Lula e no seu Governo a marca da ineficiência.

. A mídia conservadora (e golpista) ultrapassou, na queda do avião da TAM, todos os índices de fúria golpista que atingiu na crise do mensalão.

. Talvez porque:

. 1) a popularidade do presidente Lula continue inabalada, é o que demonstrará amanhã, sexta, nova pesquisa da revista Carta Capital;

. 2) porque já está assegurado que o crescimento da economia em 2007 será superior a quatro por cento, com inflação abaixo da meta – e o mesmo se deve repetir ano que vem, segundo a pesquisa Focus, que o Banco Central promove com cem agentes financeiros PRIVADOS.

. A mídia conservadora (e golpista) só tem uma saída: derrubar o Governo Lula num golpe.

. Como ? Começa na mídia e depois se vê...

. Chama-se o embaixador Gordon ...

. E o Governo não reage.

. O Governo do presidente Lula acredita, provavelmente, que a mídia vá promover uma auto-correção.

. É melhor acreditar em Papai Noel ...

. O Presidente Lula pensa que vive numa democracia, em que a imprensa é livre.

. Livre de que ?, como se pergunta a professora Marilena Chauí.

. Aquilo de que o Presidente Lula e este Governo mais precisam é de um porta-voz.

. Franklin Martins construiu – NO VÍDEO – uma imagem de credibilidade e de tranqüilidade.

. Porém, agora, parece ter submergido às tarefas – inúteis - de Ministro: cuidar da publicidade do Governo, e montar uma TV que tem tudo para ser um exercício de boas intenções com traço de audiência.

. E na hora em que a vaca vai pro brejo, aparece um porta-voz que ninguém conhece e que gagueja.

. Francamente, um porta-voz que gagueja ...

. Com o PT, o Governo Lula já sabe que não conta.

. Por exemplo, o Senador Aloísio Mercadante se especializou em engordar a mídia conservadora (e golpista) com a denúncia de que vai haver um apagão energético – o que a Ministra Dilma Roussef nega.

. O Senador Eduardo Suplicy, do PSDB, ainda que filiado ao PT, entrou para a bancada do presidente eleito José Serra.

. O Governo Lula parece a seleção feminina de vôlei – tem seis match points na mão e não fecha o jogo ...

07/07/2007

Velho eu de agora

18 e 32 anos. Idades diferentes. A mesma solidão.
Mudou o tédio, é verdade. Hoje ele é mais ácido, mas complexo, mais triste, menos esperançoso.
Mudou também o corpo. Mais adiposo, mais marcado, mais cáustico, menos humano.
Desço a rua e não sei o que procuro. Não me encontro. Não sei se sou o garoto ou o homem maduro. (maduro?)
Tudo se resume à escuridão da noite e à procura por mais trevas. Menos vida, mais escuro. Isso não mudou nada.

Para uma mulher com quem dividi o sono e o desertar

"Nada mais lindo e misterioso do que uma mulher acordando, seus gestos, a dramaturgia, o arranque para a vida ou a inércia nos teus braços.
Os barulhos de uma mulher acordando, a música dos ossos se espreguiçando, os gerúndios tantos das ações e silêncios, o chuveiro ao longe a nos dizer tantos desejos e coisas, meu Deus, aquela água já escorre linda e faz pocinhas líricas nas saboneteiras...
Quantas dúvidas e quantas certezas acordam juntas quando uma mulher acorda."

Xico Sá

23/06/2007

"REPOSTANDO"

Fala Galera!!!

Já postei essa, mas o sempre excelente texto do Xico Sá
( http://ponteaereasp.nominimo.com.br/ ) falando sobre a Augusta me fez subir meu poemeto.
Eis aqui minhas MENINAS DA AUGUSTA

MENINAS DA AUGUSTA


Meninas na Augusta brincam de putas
Se mastigam em chicletes, tietes.

Meninas na Augusta brincam injustas
Cobram beijos e afagos, diabos!

Meninas na Augusta sob luz que ofusca
Beijinhos e bundinhas, calcinhas.

Pára um carro: passa a mão
Beija a boca, enche a cara. E vai...

Eu passo e vejo tudo,
Passeando à noite com meu cachorro e minha poesia.

Meninas da Augusta...
Putas?

Sejamos seus filhos
Repousemos tranqüilos.

E que o manto negro da Noite como chuva fina
Proteja o trabalho de nossas meninas.

Na Augusta.
Na Vida.

EDNALDO TORRES FELÍCIO
10/04/07
00:45hs


espero que tenha gostado...

abçs!

19/06/2007

essa é a história de uma menino que tinha um amigo que voava...

Este Post é para minha filha e todos os meus sobrinhos e sobrinhas.


A História de Jorge

Jorge Ben Jor

Ei, xará!
Ei, xará!
Ei, xará!

Olha,
essa é a história de uma menino
Que tinha um amigo que voava
E Jorge se chamava

Ninguém acreditava no menino que não voava
Quando ele dizia que tinha uma amigo
que falava, brincava e até voava

Todo mundo dele caçoava

Um dia, Jorge soube de tudo
E voou para toda gente ver

O espanto foi geral
E o menino que não voava feliz da vida gritava:

"Voa, Jorge!
Voa, Jorge!

Voa, Jorge, voa
Voa, Jorge, Jorge voa

Voa bem alto, Jorge
E traz uma estrela pra mim

Jorge amigo meu
Meu amigo Jorge

Jorge amigo anjo
Anjo amigo Jorge

Voa bem alto, Jorge
E traz uma estrela pra mim

Jorge amigo meu
Meu amigo Jorge!

Jorge!!!!

Voa, Jorge, Jorge voa
Voa, Jorge, Jorge voa

Ei Xará, Jorge é meu amigo!!!!!
Jorge é meu amigo que voa, Xará

Eu tenho um amigo que voa, Xará!!!!!

Olha lá meu amigo voando!!!!

Voa
Jorge voa...

Voa
Jorge voa...

************************************************************************************

Amo vocês. Que amigos 'Jorge" sempre voem pra vocês.
;-)


14/06/2007

Relatos da madruga

Relatos da madrugada

São tres, quatro da manhã? O que importa!

Minha alma está deitada dentro do meu corpo, acanhada e preguiçosa.
O apartamento todo dorme. Dorme no escuro. A única luz é a da tela. Minh´alma também está escura.

Engraçado não é ter medo do escuro, mas ter medo da luz. Engraçado é ter um metro e noventa e se sentir pequeno. Engraçado é ser vertical, andar vertical e se sentir deitado.

Quais as origens de minhas dores? Se tudo é equilíbrio por que me sinto numa corda bamba sem rede de proteção?

Quanto tempo até afastar outro amor de mim? Quanto tempo até afastar todos e lamentar a solidão? Nem meu cão me suporta. Nem meu espírito me suporta.

Tres ou quatro da matina? Quem se importa! Dorme a Rua Augusta das putas tristes, dorme Sampa dos homens tristes e eu insone nem triste nem feliz - indiferente.

"Reza, reza o rio, córrego pro rio, rio pro mar."
Caetano

Sabe, ainda vou estar em paz comigo mesmo, como já estive um dia (sim, sei que isso existe e é possível) pra escutar o prazer da água correndo pro mar, pelas pedras do rio...

20/05/2007

AVE LÚCIFER

Ave Lúcifer
MUTANTES

Composição: Arnaldo Dias Baptista - Ritta Lee Jones - Élcio Decário

As maçãs envolvem os corpos nus
Nesse rio que corre
Em veias mansas
Dentro de mim

Anjos e arcanjos
Repousam neste Éden infernal
E a flecha do selvagem
Matou mil aves no ar

Quieta, a serpente
Se enrola nos seus pés
É Lúcifer da floresta
Que tenta me abraçar

Vem amor
Que um paraíso
Num abraço amigo
Sorrirá pra nós
Sem ninguém nos ver
Prometo
Meu amor macio
Como uma flor
Cheia de mel
Pra te embriagar
Sem ningém nos ver

Tragam luvas negras
Tragam festas e flores
Tragam copos e dores
Tragam incensos e odores
Mas tragam Lúcifer pra mim
Em uma bandeja pra mim.

PABLO NERUDA

Vinte Poemas de Amor – XX

tradução de Fernando Assis Pacheco

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda

02/05/2007

O ÚLTIMO ROMÂNTICO

Este post é especial para minha amiga Andreza


O Último Romântico

Lulu Santos

Composição: Lulu Santos, Antônio Cícero e Sérgio Souza

Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único

Talvez eu seja o último romântico
Dos litorais desse Oceano Atlântico
Só falta reunir a zona norte à zona sul
Iluminar a vida já que a morte cai do azul

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande pra poder chorar

Me dá um beijo, então
Aperta minha mão
Tolice é viver a vida assim sem aventura
Deixa ser
Pelo coração
Se é loucura então melhor não ter razão

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande pra poder chorar

29/04/2007

BRIGA

Depois da pesada confusão ficou um silêncio mórbido.
Nem vencido nem vencedor.
Um cachorro assustado dormindo com medo.
A tensão muda espalhando rabiscos nas paredes e estragando os quadros.
Piano cerrado.

Da estória da briga, apenas estrias tristes na pele.
Nem um pio
nem uma prece
Nem um pranto.

Apenas silêncio aterrador
Transformando a casa
num túmulo de mortos-vivos.


EDNALDO TORRES FELÍCIO
29/04/06

Fernando Pessoa (Alvaro de Campos)

      TABACARIA

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    Álvaro de Campos, 15-1-1928

MONSTRO

Que espécie de monstro sou eu?
Um covarde. Deveria acabar logo comigo. Me enfiar no grande breu da morte e poupar os que amo do que eu sou.
Não tenho esperanças em relação a mim.
Não tenho não tenho e não tenho.
Não melhoro. Não aprendo, não apreendo.
Quando desperto e sou realmente o que sou fico na mais completa solidão e culpa.
Perdi meus sonhos. Perdi meu caminho.
O que eu quero pra mim daqui a tres anos? Não sei...
Não sei mais o que quero pra mim nem na próxima segunda feira!
Acordo, trabalho, me exponho e não tenho objetivo.
Carrego a vergonha de ser alimentado por quem eu deveria alimentar. Carrego o peso do fracasso. 32 anos e nenhum acerto. O que construí? O que deixarei?
Passarei meteórico e não deixarei rastros, senão alguns escombros.
Tinta queimada.
Andar sem direção ou esperança de um porto seguro. Andar sem destino.
Ah, como eu queria ser sozinho e não ter chance de magoar ninguém!
Não tenho coragem de me matar nem de continuar vivo.
Alienado, muleque, monstro.
Morto-vivo.