24/09/2007
e a chuva promete não deixar vestígios... 4 da matina, insone
Artista:Raul Seixas
Letra:
Acabei de dar um check up
na situação
o que me levou a re-ler Alice no País das Maravilhas
Ja chupei a laranja mecânica
e lhe digo mais
Plantei a casca na minha cabeça
Acabei de tomar meu Diempax, meu Valium 10 e outras pílulas mais.
Duas horas da manha, recebo nos peito um Triptanol 25 e vou dormir quase em paz.
E a chuva promete nao deixar vestigio.
E a chuva promete nao deixar vestigio.
E a chuva promete nao deixar vestigio...
21/09/2007
14/09/2007
BUKOWSKI - O BÊBADO GENIAL
A ilusão é de que você está simplesmente
lendo este poema
a realidade é que isto é
mais que um
poema.
isto é o canivete de um mendigo
isto é uma tulipa
isto é um soldado marchando
através de Madrid.
isto é você em seu próprio
leito de morte
isto é Li Po rindo
lá embaixo
isto não é a porra de um
poema.
isto é um cavalo adormecido
uma borboleta em
sua mente
isto é o circo do
demônio
você não está lendo isto
numa folha
a folha está lendo
você
pode sentir?
é como uma serpente. é uma águia esfomeada rodando pela sala
isto não é um poema. poemas são chatos
fazem você dormir
estas palavras forçam você
a uma nova
loucura
você foi abençoado, você foi atirado em uma
cegante área de
luz
o elefante sonha
com você
agora
a curva do espaço
se dobra e
gargalha
você pode morrer agora
você pode morrer agora como
todas as pessoas deveriam
morrer:
grandes,
vitoriosas,
escutando a música,
sendo a música,
retumbando,
retumbando,
retumbando.
12/09/2007
6 e quinze da matina de uma quarta feira qualquer
Acabo não satisfazendo nenhuma vontade nem outra.
Mas juro que por vezes imagino a lâmina da faca cortando meu pescoço.
Não me sinto motivado para nada, nem mesmo para o suicídio, quanto mais para a vida. Isso me incomoda.
Meu casamento é frio. Serão todos casamentos frios?
Sinto como se meu peito se enchesse de nuvem escura. Núvem de desassossego, núvem de tempestade que nunca cai, só esconde o sol. Quem dera ao menos chovesse em mim!!!
Hoje levantarei e visitarei meus clientes com a mesma alegria que um robô sente ao ser ligado para cumprir seu papel em qualquer linha de montagem, hoje passearei com o cão e cuidadrei do peixe (maldito peixe que não come!), hoje me arrastaree pelo dia sem objetivo traçado. Hoje vagarei errante pelas horas. E de noite não sentirei alegria nem tristeza. Nem medo, nem recompensa.
Tenho vontade de cortar os pulsos, de marcar a pele com a faca. Fazer cortes fundos no braço, no peito, no pescoço. Mas não tenho coragem. Não tenho saco de me cortar e ter que limpar o sangue.
Tenho pensado em colocar a cabeça no forno e ligar o gás. Funciona? Demora pra morrer?
Não quero sentir o mal estar que senti quando tentei me asfixiar, é ruim, tão ruim que você acaba desistindo.
Gostaria de algo rápido. Algo me me fizesse simplesmente desaparecer.
Vupt! Acabou...
10/09/2007
Belinha
Dizem que sempre falta uma palavra e é verdade. Nesses anos todos eu sei que sim, que sempre falta uma palavra, é verdade. Verdade. Pois procurei por Belinha, depois de 50 anos, 50 anos, para dizer para ela essa palavra. Sempre falta uma palavra, verdade verdadeira. E eu fui para dizer para Belinha essa palavra.
Vesti meu terno, pus o chapéu e saí. Saí, foi. Como nos tempos em que era moço, feliz. Nos tempos em que me apaixonei por ela. Eu nunca pensei que um amor assim pudesse me deixar perdido, quase louco. Amor grande. Amor para sempre. Pois é. Vesti meu terno, pus o chapéu e peguei um ônibus até Santo Amaro. Sentou-se uma moça ao meu lado e era uma moça bonita. Ah, e o perfume era muito bom e eu conversei com ela, conversei muito com ela, muito, até chegar à casa pr'onde eu ia. A casa que vi construída. Que vi, tijolo por tijolo. Eu nunca morei nela, mas era lá que Belinha morava, casada com outro. Que teve filhos e teve netos. Que vive hoje sozinha e que nem sabe que eu vou lá, entrar naquela casa, que vou dizer o que tenho pra dizer, depois de 50, 50 anos, que sempre falta uma palavra. Uma única palavra, que vou levando com meu terno e meu chapéu. E uma agonia no coração, profunda. Profunda. Que sempre falta uma palavra. Era agora.
Desci no mesmo ponto e o ônibus se foi. E o bonde se foi, não tem mais. Nem a paz daquela rua. Só reconheço a esquina em que eu ficava, no bar, entre um café e outro, a ver a felicidade de Belinha, a casa agitada, os filhos pela calçada. Dei balas e brinquedos para eles, escondido, que ela nunca me via. Ficou um mistério, foi. Mas, no fundo, no fundo, Belinha sabia quem era. Eu tenho certeza, não me engano. Ela sabia que eu é que dava balas e brinquedos, escondido, nunca a abandonei, nunca deixei a vida dela sozinha. Que meu amor era eterno. Mas hoje ela vai ficar sabendo de uma vez. Eu vou dizer a palavra que eu guardei, que ficou engasgada durante 50, 50, 50 anos. Nos olhos de Belinha, é. Pra ela saber. Saber de uma vez o que eu quero dizer, depois de 50 anos.
O portão é amarelo, meio aberto. Há cheiro de jasmim, o mesmo cheiro, Meu Deus. A parede é amarela e meio aberta. A mesma parede. Eu fui invadindo, decidido como nunca. Mas eu sempre fui decidido. Fui moço forte, fibrento, de briga. No trabalho e na vida. Meu pai era assim e me ensinou. Mas o problema, posso dizer: foi ela. Belinha me deixou lento, sem força nenhuma. Sem decisão pra resolver aquela situação. Eu a amava tanto, ela me amava tanto e casou com outro. Na minha cara, na frente do meu nariz. Casou por vingança, não sei. Por dinheiro, não sei. Por indecisão. Porque quis fazer outro destino. Foi o fim, o começo do meu desasossego. Fiquei inseguro, fraco, acabado de tudo. Meu fim, tão moço que era. Minha morte no mundo.
Bati frato na porta, assim. Fraco. Mas não demorou muito para eu pensar em bater com todos os meus nervos na porta. E sacudir o nome dela. E tirar o chapéu porque eu havia suado muito. Um sol de muito tempo. Um sol antigo. Meu chapéu é quente. Meu chapéu e meu terno. O mesmo terno quente.
Disse o seu nome lá pra dentro. A casa escura, sem abrir. "Belinha", como sempre tive vontade de dizer. Não gritei, só disse. Estava ali para dizer a palavra que faltava, que sempre falta uma palavra depois de 50, mais de 50 anos.
Ela, ela.
Ela veio rastejando até a porta. Rastejando a sombra dos chinelos. Cansada e sozinha que ela estava. Veio e me olhou. Demorou olhando para mim. Olhou, olhou e me viu. O mesmo chapéu e o mesmo terno e o mesmo sol. Foi aí que Belinha me abraçou, abraçou. Meu Deus, Belinha me abraçou, me fechou naquela casa. Trancou. E era agora como nunca foi. Como nunca mais será. Uma palavra que ficou em mim, envelhecida e tratata. Pois é. Tratada como num coração de formol. De forma que resolvi dizê-la, ali mesmo da porta, sem entrar, não entrei, não sei, a mesma porta amarela, o mesmo jasmim, o mesmo jardim. Porque sempre falta uma palavra, depois de 40, 50, 60 anos, não sei. Sempre faltará uma palavra.
Ela disse que ouviu dizer de minha vida, sim. De mulheres, de famílias. Mentira. Que eu tive filhos. Mentira. Que eu tentei me matar. Mentira. Mesmo a morte eu esperava morrer com ela. Todo tempo havia esperança, havia. Esperança. Eu tinha pressa, depois de 50 anos eu tinha pressa. Ela me mandou sentar, tomar um café. Não quis. Passou a vontade, como passageira. Esperou eu falar. Pois é. E só depois de 50 anos, 50 anos ou mais, olhando para o fundo da boca, das mãos, dos olhos dela, no mesmo portão, porta amarela, com o cheiro de jasmim, eu disse a palavra, a palavra que faltava, que sempre falta uma palavra.
Falta.
Marcelino Freire nasceu em Sertânia-PE, no ano de 1967. Vive em São Paulo, vindo do Recife, desde 1991. É autor, entre outros, dos livros eraOdito (aforismos, 2ª edição, 2002) e BaléRalé (contos, 2003), ambos publicados pela Ateliê Editorial. Em 2004, idealizou e organizou a antologia Os cem menores contos brasileiros do século. Em 2005, lançou Contos Negreiros, seu primeiro livro pela editora Record. O conto "Belinha", acima, foi extraído do livro Angu de sangue (contos, 2000), também publicado pela Ateliê Editorial. Mais informações sobre autor e obra no eraOdito e aqui.
23/08/2007
Raul Seixas
Postarei aqui uma homenagem. Raul foi o cara que mais influenciou minha juventude.
Viva Raul Seixas!!!
Magia de Amor
(Raul Seixas)
Me fascina tua morte mal morrida
E tua luta prá ficar em tal estado
E teu beijo, tão fatal, nunca me assusta
Pois existe um fim pelo sangue derramado
Me fascinam os teus olhos quando brilham
Pouco antes de escolher quem te seduz
E me fascinam os teus medos absurdos
A estaca, o alho, o fogo, o sol, a cruz
Me fascina a tua força, muito embora
Não consiga resistir à frágil aurora
E tua capa, de uma escuridão sem mácula
Me fascinam os teus dentes assustadores
E teus séculos de lendas e de horrores
E a nobreza do teu nome, Conde Drácula
17/08/2007
Auto-aviso
Não deixer que ela estrague teu minuto seguinte.
Ela não vale isso.
Ela não vale nada.
Não deixe que ela te vença. Não deixe que ela faça com que você se sinta um maldito cruel. Você não é. Você não é. Você não é.
Não deixe que seu pensamento caia nela. Ela não merece sequer isso.
Ela te fudeu. Ela se fudeu. Ela que continue se fudendo.
Você, que continue lutando contra tua depressão. Sem se sentir vítima de nada, nem culpado por nada. AS COISAS SÃO. O QUE FICOU PARA TRAS ESTÁ ESCRITO! É HORA DE ESCREVER PARA FRENTE e nas páginas seguintes, ela não será citada.
Ela que fique no passado que é o lugar dela, amarelando como a foto no armário.
TODO CONTATO COM ELA É PERIGOSO.
Ela quer afastar você do que você mais ama.
Ela não vai conseguir, pois você não lhe dará espaço.
Ela foi um vício. Hoje é apenas incômodo.
Ok?
07/08/2007
Como estou agora...
São estes conselhos que quero seguir para me (re)encontrar e (re)conquistar meus objetivos, ainda que, por enquanto eu não saiba ao certo qual(quais) é(são).
Está difícil, mas EU VOU CONSEGUIR SER O QUE SEMPRE FUI!!!!!!!
;-)
Espero que frases como "Está provado, quem espera NUNCA alcança" soem às almas de vocês, como soa à minha.
P.S.: Três posts seguidos com músicas do Chico... Talvez eu esteja um tanto Chicólatra, mas afinal...
BOM CONSELHO
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado ou você se cansa
Está provado que quem espera nunca alcança.
Venha meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com o seu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes
Antes de pensar
Vou atrás de tudo
Vindo não sei de onde
Devagar é que não se vai longe.
Eu ouço bem o vento
Na minha cidade
Vou para a rua
E bebo a tempestade
Vou para a rua
E bebo a tempestade
Para Marlene e Vágner
Tenho uma cunhada que perdeu um filho com leucemia há uns 10 anos e nunca mais se recuperou. Sua vida perdeu o sentido e ela espera tristemente a própria morte. É talvez, a pesoa mais triste que eu conheço.
Ela nunca lerá esse blog e nem saberá que ao escutar essa música do Chico Buarque lembrei dela e lamentei pela morte de meu sobrinho e de minha cunhada, sabendo que a morte dela é pior, pois é uma morte em vida.
Pedaço de mim
Chico Buarque/1977-1978
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
O QUE SERÁ? (À FLOR DA TERRA)
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho
O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido
O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo
03/08/2007
entenderá se for você...
será que você não vê,
não houve nada?
Só o passado rondando minha porta
feito alma penada...
hahahahahahahahahaha
Trecho do livro O lobo da Estepe sobre Depressão e depressivos
(...)
Outra era a de que pertencia ao grupo dos suicidas. E aqui é necessário esclarecer que não se devem considerar suicidas somente aqueles que se matam. Entre estes há suicidas que só o chegaram a ser por mero acaso, e de cuja essência do suicídio não fazem realmente parte. Entre os homens sem personalidade, sem características definidas, sem destino traçado, entre os homens incapazes e amorfos, há muitos que perecem pelo suicídio, sem por isso pertencerem ao tipo dos suicidas, ao passo que há muitos que devem ser considerados suicidas pela própria natureza de seu ser, os quais, talvez a maioria, nunca atentaram efetivamente contra a própria vida. O "suicida" - e Harry era um deles - não precisa necessariamente viver em relações particularmente intensas com a morte; isto se pode fazer sem que se seja um suicida. É próprio do suicida sentir seu eu, certo ou errado, como um germe da natureza, particularmente perigoso, problemático e daninho, que se encontrava sempre extraordinariamente exposto ao perigo, como se estivesse sobre o pico agudíssimo de um penedo onde um pequeno toque exterior ou a mais leve vacilação interna seriam suficientes para arrojá-lo no abismo. Esta classe de homens se caracteriza na trajetória de seu destino porque para eles o suicídio é a forma de morte mais verossímil, pelo menos segundo sua própria opinião. A existência dessa opinião, que quase sempre é perceptível já na primeira mocidade e acompanha esses homens durante toda sua vida, não representa, talvez, uma particular e débil força vital, mas, ao contrário, encontram-se entre os suicidas naturezas extraordinariamente tenazes, ambiciosas e até ousadas. Mas assim como há naturezas que caem em febre diante da mais ligeira indisposição, assim propendem essas naturezas a que chamamos "suicidas" e que sempre são muito mais delicadas e sensíveis à menor comoção, a entregar-se intensamente à coragem a autoridade suficientes para ocupar-se do homem, em vez de fazê-lo simplesmente no mecanismo dos fenômenos vitais, se tivéssemos uma verdadeira Antropologia, uma verdadeira Psicologia, tais fatos seriam conhecidos de todos.
O que foi dito acima a propósito dos suicidas só diz respeito obviamente à superfície; é psicologia, portanto uma parte da física. Do ponto de vista metafísico, o assunto aparece de outra forma e muito mais claro, pois, vistos assim, os "suicidas" se nos apresentam como perturbados pelo sentimento de culpa inerente aos indivíduos, essas almas que encontram o sentido de sua vida não no aperfeiçoamento e moldagem do ser, mas na dissolução, na volta à mãe, a Deus, ao Todo. Muitas dessas naturezas são inteiramente incapazes de cometer suicídio real, porque têm uma profunda consciência do pecado que isso representa. Para nós, entretanto, são, apesar disso, suicidas, pois vêem a redenção na morte e não na vida; estão dispostos a eliminar-se e a entregar-se, a extinguir-se e a voltar ao princípio.
Assim como toda força pode converter-se em fraqueza (e em certas circunstâncias deve fazê-lo, necessariamente), assim, ao contrário, o suicida típico pode fazer de sua aparente debilidade uma força e um escudo, o que acontece aliás com certa freqüência. A estes pertenciam também Harry, o Lobo da Estepe. Como milhares de seus semelhantes, fazia da idéia de que o caminho da morte estava pronto para ele a qualquer momento, não uma quimera juvenil e melancólica, mas antes encontrava nesse pensamento um apoio e um consolo. É verdade que nele, como em todos os homens de sua espécie, cada comoção, cada dor, cada desesperada situação da vida, despertava imediatamente desejo de livrar-se de tudo por meio da morte. Mas, pouco a pouco, foi transformando em seu interior essa tendência numa filosofia que era, na verdade, propensa à vida. A profunda convicção de que aquela saída de emergência estava constantemente aberta lhe dava forças, fazia-o sentira curiosidade de provar seu sentimento até às últimas instâncias. E quando se via na miséria, podia às vezes sentir com furiosa alegria uma espécie de prazer em sofrer: "Estou curioso por saber até que ponto um homem pode resistir. E quando alcançar o limite do suportável, basta abrir a porta e escapar." Há muitos suicidas que extraem força extraordinária deste pensamento.
Por outra parte, a todos os suicidas é familiar a luta contra a tentação do suicídio. Cada um deles sabe muito bem, em algum canto de sua alma, que o suicídio, embora seja uma fuga, é uma fuga mesquinha e ilegítima, e que é mais nobre e belo deixar-se abater pela vida do que por sua própria mão. Tendo consciência disso, a mórbida consciência que é praticamente a mesma daqueles satisfeitos consigo mesmos, os suicidas em sua maioria são impelidos a uma luta prolongada contra o próprio vício. O Lobo da Estepe era bastante afeito a esse tipo de luta; nela já havia combatido com várias armas. Finalmente, aos quarenta e seis anos de idade, deu com uma idéia feliz, mas não inofensiva, que lhe causava, não raro, algum deleite. Fixou a data de seu qüinquagésimo aniversário como o dia no qual se permitiria o suicídio. Nesse dia, convencionara consigo mesmo, podia usar a saída de emergência, segundo a disposição que demonstrasse. Então poderia ocorrer-lhe o que fosse, enfermidades, miséria, sofrimentos e amarguras, que tudo teria um limite, nada poderia estender-se além daqueles poucos anos, meses e dias, cujo número era cada vez menor. E na realidade suportava agora com mais facilidade males que antes o teriam atormentado profundamente, males que o teriam comovido até as raízes. Quando por qualquer motivo as coisas iam particularmente más, quando novas dores e perdas se vinham juntar à desolação, ao isolamento e ao desespero de sua vida, podia dizer aos seus algozes: "Esperai mais dois anos e eu vos dominarei." E logo se punha a imaginar o dia de seu qüinquagésimo aniversário, quando, logo pela manhã, começariam a chegar as cartas de felicitações, enquanto ele, tomando da navalha, despedir-se-ia das dores e fecharia a porta atrás de si. Então a gota das juntas, a depressão do espírito e todas as dores de cabeça e do estômago poderiam procurar outra vítima.
Herman Hesse
25/07/2007
"PATRÃO VELHO" ou "OCULTAR-SE"
Sem ver que o patrão sempre esteve em você"
RAUL SEIXAS
Quantas vejas sou cruel comigo a ponto de me tornar pequeno?
Quantas vezes coloco o dedo na ferida só para ter sangue pra lamber?
E o fórceps que usei para sair do útero onde me ocultava?
Quantas vezes é água ardente que coloco em minhas chagas?
Quantas vezes é medo e ódio (misturados) o que vejo no espelho?
Quanto de mim boicota o "eu" que posso ser?
Onde, em que ponto de minha mente, está o grande censor de mim?
Onde guardo minhas imperfeições para não sabê-las humanas?
De onde Diabos, tirei a idéia de que sou Deus
e que Deus não pode errar?
Como, afinal, terminar este... (poema?) ?
É preciso mesmo terminá-lo?
...?
EDNALDO TORRES FELÍCIO
26/07/07
02:08
26/07/07
19/07/2007
MÍDIA GOLPISTA 10 X 0 LULA
MÍDIA GOLPISTA 10 X 0 LULA
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 523
. A mídia conservadora (e golpista) derrotou o Presidente Lula por 10 a zero, na queda do avião da TAM.
. O presidente Lula fala à Nação nesta sexta feira.
(Clique aqui para ler o que o Presidente Lula deve dizer)
. O Governo reagiu atrasado, quando já estava na lona.
. Não há nenhuma relação entre a crise do apagão e a queda do avião da TAM – é o que mostram os primeiros indícios.
. Os primeiros indícios revelam que: ou o avião teve um problema mecânico, ou o piloto errou.
(O Jornal Nacional – o Jornal Nacional !!! – revelou que, desde sexta feira, o avião da TAM tinha um problema no reversor .... Deve ser culpa da falta de infra-estrutura do Governo Lula ...)
. Não tem nada a ver com grooving, com chuva, com intensidade do tráfego, com o tamanho da pista – nem nada daquilo que a Miriam Leitão chama de “logística” (e a falta de, no Governo Lula).
. Porém, a mídia conservadora (e golpista) só cobre a crise aérea e o apagão da infra-estrutura.
. Os indícios ? Não interessam.
. Para a mídia conservadora (e golpista) só interessa colar no Presidente Lula e no seu Governo a marca da ineficiência.
. A mídia conservadora (e golpista) ultrapassou, na queda do avião da TAM, todos os índices de fúria golpista que atingiu na crise do mensalão.
. Talvez porque:
. 1) a popularidade do presidente Lula continue inabalada, é o que demonstrará amanhã, sexta, nova pesquisa da revista Carta Capital;
. 2) porque já está assegurado que o crescimento da economia em 2007 será superior a quatro por cento, com inflação abaixo da meta – e o mesmo se deve repetir ano que vem, segundo a pesquisa Focus, que o Banco Central promove com cem agentes financeiros PRIVADOS.
. A mídia conservadora (e golpista) só tem uma saída: derrubar o Governo Lula num golpe.
. Como ? Começa na mídia e depois se vê...
. Chama-se o embaixador Gordon ...
. E o Governo não reage.
. O Governo do presidente Lula acredita, provavelmente, que a mídia vá promover uma auto-correção.
. É melhor acreditar em Papai Noel ...
. O Presidente Lula pensa que vive numa democracia, em que a imprensa é livre.
. Livre de que ?, como se pergunta a professora Marilena Chauí.
. Aquilo de que o Presidente Lula e este Governo mais precisam é de um porta-voz.
. Franklin Martins construiu – NO VÍDEO – uma imagem de credibilidade e de tranqüilidade.
. Porém, agora, parece ter submergido às tarefas – inúteis - de Ministro: cuidar da publicidade do Governo, e montar uma TV que tem tudo para ser um exercício de boas intenções com traço de audiência.
. E na hora em que a vaca vai pro brejo, aparece um porta-voz que ninguém conhece e que gagueja.
. Francamente, um porta-voz que gagueja ...
. Com o PT, o Governo Lula já sabe que não conta.
. Por exemplo, o Senador Aloísio Mercadante se especializou em engordar a mídia conservadora (e golpista) com a denúncia de que vai haver um apagão energético – o que a Ministra Dilma Roussef nega.
. O Senador Eduardo Suplicy, do PSDB, ainda que filiado ao PT, entrou para a bancada do presidente eleito José Serra.
. O Governo Lula parece a seleção feminina de vôlei – tem seis match points na mão e não fecha o jogo ...
07/07/2007
Velho eu de agora
Mudou o tédio, é verdade. Hoje ele é mais ácido, mas complexo, mais triste, menos esperançoso.
Mudou também o corpo. Mais adiposo, mais marcado, mais cáustico, menos humano.
Desço a rua e não sei o que procuro. Não me encontro. Não sei se sou o garoto ou o homem maduro. (maduro?)
Tudo se resume à escuridão da noite e à procura por mais trevas. Menos vida, mais escuro. Isso não mudou nada.
Para uma mulher com quem dividi o sono e o desertar
Os barulhos de uma mulher acordando, a música dos ossos se espreguiçando, os gerúndios tantos das ações e silêncios, o chuveiro ao longe a nos dizer tantos desejos e coisas, meu Deus, aquela água já escorre linda e faz pocinhas líricas nas saboneteiras...
Quantas dúvidas e quantas certezas acordam juntas quando uma mulher acorda."
Xico Sá
23/06/2007
"REPOSTANDO"
Já postei essa, mas o sempre excelente texto do Xico Sá
( http://ponteaereasp.nominimo.com.br/ ) falando sobre a Augusta me fez subir meu poemeto.
Eis aqui minhas MENINAS DA AUGUSTA
MENINAS DA AUGUSTA
Meninas na Augusta brincam de putas
Se mastigam em chicletes, tietes.
Meninas na Augusta brincam injustas
Cobram beijos e afagos, diabos!
Meninas na Augusta sob luz que ofusca
Beijinhos e bundinhas, calcinhas.
Pára um carro: passa a mão
Beija a boca, enche a cara. E vai...
Eu passo e vejo tudo,
Passeando à noite com meu cachorro e minha poesia.
Meninas da Augusta...
Putas?
Sejamos seus filhos
Repousemos tranqüilos.
E que o manto negro da Noite como chuva fina
Proteja o trabalho de nossas meninas.
Na Augusta.
Na Vida.
EDNALDO TORRES FELÍCIO
10/04/07
00:45hs
espero que tenha gostado...
abçs!