17/02/2008

Duas frases que me definem



"Sou tímido e espalhafatoso, torre traçada por Gaudí"
Caetano

e

"Sou sem sentido para o Céu, sem interesse pro inferno"
Marcelo Nova


Elas também definem minha noite.

15/02/2008

MILLÔR FERNANDES



Poesia Matemática

Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo octogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas dc Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar.
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade como, aliás, no resto da
Sociedade.

12/02/2008

Ai, que prazer não cumprir um dever!


LIBERDADE

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

31/01/2008

ORAÇÃO AO TEMPO

Nada mais propício do que uma ORAÇÃO AO TEMPO, depois de meu post de aniversáro:


Oração ao Tempo
Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...

28/01/2008

POST DE ANIVERSÁRIO (diga 33...)


Hoje completo 33 anos de vida.

33 anos, a idade de Cristo. (Embora Cristo teve todas as idades até 33, ou seja quem tem 10, 18, 2, 29, 31 anos também tem a idade de Cristo. Menos quem tem 34, pois o coitado finou-se antes de completá-los... Tadinho.)

Mas eis-me aqui. Sobrevivi a algumas coisas... Um apêndice supurado, 2 pneumonias, uma bronquite, um capotamento de carro, 2 crises de depressão, uma tentativa de suicídio, algumas mulheres chatas e outras tantas geniais... Também tive a sorte de não ser encontrado por nenhuma bala perdida, nenhum meteoro, nenhuma cratera de metrô... Serei um Hellraiser? (hehehe)

Nada me assustou mais do que ser internado numa clínica com depressão. Aquilo foi descer ao Inferno. Agora, sinto que estou escalando as paredes do Purgatório. Sei lá se chego ao Paraíso, mas vejo anjos em minha jornada e eles são minha esposa, minha filha, minha família, meus verdadeiros amigos e acreditem, meu cão. São Anjos lindos e vejo luz nos olhos de todos eles.

Não troco o homem que sou pelo jovem que fui, pois o jovem que fui fez crescer o Homem que sou.

Acho que meu maior aprendizado foi perdoar-me de minhas imperfeições. Aceitar-me humano e falível foi um desafio difícil, mas decisivo para meu bem-estar.

Minha esposa e filha dependem de mim, mas aprendi que tenho que ficar bem para que fiquemos bem. Como cuidá-las cutucando minhas feridas e expondo-as no espelho?

À medida em que o lutador envelhece, acumula cicatrizes, que o deixam mais belo e impõem respeito aos adversários. O maior adversário de todo o lutador é sua própria imagem no espelho. Aceitar o tempo é aceitar-se. Aceitar-se é fortalecer alma e uma alma fortelecida é que faz o homem conduzir sua família e sobreviver aos impulsos negativos.

Ainda tenho impulsos negativos. Terei para sempre. Procuro aprender a lidar melhor com eles e apreender as lições do dia anterior.

Um dia por vez. Um degrau por vez. Uma luta por vez.

Hoje, faço 33. Estou vivo, sou vivo, sou feliz.




EDNALDO TORRES FELÍCIO
33 anos e algumas horas

26/01/2008

OS DEZ MELHORES FILMES QUE JÁ VI







10. NOFERATU: O melhor filme de terror já feito. Sem computadores o diretor só usa sombras e um ator fantástico para dar vida ao vampiro mais medonho que já vi. O ator era tão genial, que anos mais tarde foi feito um filme chamado A SOMBRA DO VAMPIRO, que dizia que o ator Max Schreck, que fez o Nosferatu era um vampiro de verdade. Ah, Nosferatu foi feito em 1922! É o décimo em minha lista.

9. UM CORPO QUE CAI: Podia ser Festim Diabólico, podia ser Os Pássaros, qualquer filme do Hitchcok... Mas Um corpo que cai é para mim seu melhor (por desempate técnico, milésimos de segundo ou saldo de gols). Um homem que tem fobia à altura e tem que descobrir se a mulher que ele amou e que morreu está viva de novo ou tudo é loucura de sua cabeça doente. Sinto a fobia dele toda a vez que revejo o filme. Hitchcok faz a escada ficar graaaaaaaande lá embaixo...

8. O PODEROSO CHEFÃO (TRILOGIA): Juro que fiquei com dó de escolher apenas um filme desta genial trilogia que conta com os soberbos Marlon Brando e Al Pacino vivendo inesquecíveis Corleones. Filme pra macho. História de gãngster.

7. Dogville: O filme com a belíssima Nicole Kidman é daqueles que te perturbam de um jeito como se fosse um soco no estômago. O diretor optou por não fazer cenários, o filme tem uma linguagem quase de teatro, não há portas, paredes e todos os escrúpulos são falsos. Onde está a bondade humana, se é que ela existe?

6. LARANJA MECÂNICA: Kubrick maravilha o espectador! O líder de uma gangue é submetido a uma experiência para se adequar à sociedade: Lavagem cerebral? Talvez...

5. 2001 – Uma odisséia no espaço: O filme começa na pré-história com macacos/homídeos e termina no espaço com um computador rebelde. No meio de tudo isso, Danúbio Azul, o Cosmo, o Ser-Humano, um computador que não aceita ordens e uma aula de cinema.

4. Lawrence da Arábia: Um oficial inglês vai para a Arábia e se apaixona pelo lugar. É o filme com algumas das cenas mais belas que já vi. Seqüências lindas do deserto. Poesia para os olhos. Tem uma cena, aliás, que é fantástica: por detrás da areia, surge um navio... Lindo, lindo, lindo...

3. CASABLANCA: Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Amor impossível em tempos de guerra. Pode parecer batido, mas não é. Belíssimo filme, pra ver acompanhado da melhor gata que você conseguir. E vibrar com cenas inesquecíveis como a banda francesa tocando a Marselhesa depois dos alemães mandarem que ela tocasse o hino da Alemanha. Du karai!

2. FELLINI 8 ½: Um diretor sem idéias para fazer um filme. Enquanto isso, ele relembra de todas as mulheres de sua vida. Fellini é o Garrincha do cinema. Suas cenas são improváveis e desconcertantes.

1. O SÉTIMO SELO: Um cavaleiro medieval, vindo das cruzadas e se questionando sobre Deus, encontra a Morte e a desafia para um jogo de xadrez. Genial. O melhor que já vi.


Esta lista é o que penso hoje, dia 26 de janeiro de 2008, mas confesso que há tempos ela não tem mudanças significativas. E a tua lista qual é?

Té +

24/01/2008

22/01/2008

DEFORMADORES DE OPINIÃO

Minha opinião in(con)formada
que Formadores de Opinião
insistem em (trans)formar...


Querem moldar minha opinão sobre como:
comer
pensar
foder
beijar
amar
matar
morrer
viver
consumir


Acham que podem
pelo jornal mudar
meu voto
meu jeito
meus sonhos
minhas angústias
meus delírios
meus gostos
meu eu (quem sou eu?)

Deformadores de Opinião
Com suas gravatas e suas roupas "descoladas" (tudo falso)
querem que EU seja
um RE TUM BAN TE
IMBECIL
como eles são.

Com sua cólera
seu medo
seu tédio
por detrás dos óculos
dos óculos
dos óculos
meninos com medo da mãe.


EU FODO QUEM EU QUERO!
EU CONSUMO O QUE QUERO!
ME FODO E ME CONSUMO
DE ACORDO COM MINHA PRÓPRIA OPINIÃO.

Opine, não...



EDNALDO TORRES FELÍCIO

14/01/2008

LEMINSKI...


quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta minha adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência

PAULO LEMINSKI


LÁPIDE 1
epitáfio para o corpo

Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito
são suas obras completas.

LÁPIDE 2
epitáfio para a alma

aqui jaz um artista
mestre em disfarces

viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte

deus tenha pena
dos seus disfarces

09/01/2008

GENITÁLIA DE METAL - Zé Ramalho

Metrópolis Dourada

Numa bola de cristal
Adivinha-se quem vai nascer
Quem olhar as profecias
Sabe o que irá dizer
Aquela voz do oráculo
Genitália de metal
Brônzeos seios de Aldebarã

Na metrópolis dourada
Que projeta o amanhã
Da sua bola de carne
Mas você também é um cometa
Na sua cauda quero me agarrar
E nos cabelos poderei dormir
Ah! Menina colorida
Não bata as asas quando sair

08/01/2008

ESPERANÇA - MÁRIO QUINTANA


Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
- ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

06/01/2008

VAMPIRO


Beber o sangue
com poesia

Beber poesia
com sangue

Amado
e temido
Temido
e cobiçado

Sob a capa
um suspiro:
A moça geme
às mãos do Vampiro

cedendo-lhe o pescoço,
o sangue,
a alma,
a carne
a carne
a carne

ela experimenta
o último e mais intenso
arrepio -
desvario -
antes da morte
ou da vida

eterna

EDNALDO TORRES FELÍCIO
06/01/2008
16:35hs

04/01/2008

2008



Que 2008 traga
a paz deste dia no parque,
com crianças
e aves,
uma mulher (A mulher)
e meu cão;

Que 2008 traga
chuvas rápidas e refrescantes de verão,
dias de sol quente
mas com brisa calma
e algumas núvens no céu
para que possamos brincar
com os desenhos que elas formam;

Que 2008 traga
tragos de bom vinho
(que eu saiba tragá-los e não estragá-los),
tragos coletivos -
pois nenhum trago é bom, sem amigos por perto!

Que 2008 traga
um trabalho que me complete,
do qual me orgulhe
e que seja apaixonante
como o olhar roubado da mulher alheia;

Que meu ano tenha menos ódio
e mais gratidão,
menos medo
e mais pecado
menos ruído
e mais sons
menos gritos
e mais paz...


Que seja de paz, o ano que acabou de nascer.


EDNALDO TORRES FELÍCIO
04/01/2008
03:15hs

30/12/2007

Conto de reveillón

Se detestava cada vez que pensava nela.
Se detestava cada vez que imaginava o cheiro do corpo dela, o gosto da carne dela, a bunda dela na mão dele.
Tinha se detestado muito nos últimos dias...
Tinha enlouquecido de desejo e desilusão no útlimo encontro, tinha esquecido de como era ruim aquela sensação no peito, corroendo o amor-próprio, corroendo o próprio encanto.
Afinal, o que era ela em sua vida? Ou o que era sua vida sem ela?
Sabia que ela conhecera outras camas em outros sonhos. Sabia que ele era, dela, o pesadelo. Sabia que ela era, dele, a insônia.
E ele caminhava sozinho pela Rua Augusta. E ele tinha devaneios e mal via as mesas dos bares, espalhadas pelas calçadas sujas. E ele era um louco urbano pensando nela nela nela nela nela.
Foi perto do Vitrine, que viu a Outra. Talvez um pouco menor, talvez um pouco mais magra. Não tão bela. Mas servia. 100 pratas. 100 pratas. Sem perguntas. Sem romance.
No Hotel Savoy, ele torceu para que Ela encorporasse na Outra. Para que a Outra gemesse como Ela, para que Ela não fosse outra. Claro que não deu certo.
Ele se detestou e continuou animalesco, afinal, se não era Ela, a Outra lhe garantiria ao menos o gozo...
A noite de Ano Novo não livrou-lhe, afinal do velho fantasma: O velho maldito amor.



EDNALDO TORRES FELÍCIO
São Paulo, próximo à noite de reveillón

26/12/2007

WISKEY BAR... THE DOORS - Post Etílico pré reveilón



TRADUÇÃO DA MÚSICA

WHISKEY BAR/CANÇÃO DE ALABAMA


Então, me mostre o caminho
Para o mais próximo whiskey bar
Oh, não pergunte por que
Oh, não pergunte por que

Se nós não encontrarmos o caminho
Para o próximo whiskey bar
Eu acho que vamos morrer
Eu acho que vamos morrer
Eu acho, eu acho
Eu acho que vamos morrer

Oh, lua de Alabama
E hora de dizer adeus
Nós perdemos nossa boa e velha mãe
E precisamos de whiskey, oh, você sabe por que

Então, me mostre o caminho
Para a próxima garota
Oh, não pergunte por que
Oh, não pergunte por que

Se nós não encontrarmos o caminho
Para a próxima garota
Eu acho que vamos morrer
Eu acho que vamos morrer
Eu acho, eu acho
Eu acho que vamos morrer

Oh, lua de Alabama
E hora de dizer adeus
Nós perdemos nossa boa e velha mãe
E precisamos de whiskey, oh, você sabe por que

25/12/2007

POST DE NATAL

Numa manhã de Natal, nada como o genial Bukowski

CONVERSA ÀS TRES E MEIA DA MADRUGADA

às três e meia da madrugada
a porta se abre
e há passos na entrada
que trazem um corpo,
e uma batida
e você repousa a cerveja
e vai ver quem é.

com os diabos, ela diz,
você não dorme nunca?

e ela entra
com o cabelo nos rolinhos
e num robe de seda
estampado de coelho e passarinho

e ela trouxe a sua própria garrafa
à qual você gloriosamente acrescenta
2 copos;
o marido, ela diz, está na Flórida
e a irmã manda dinheiro e vestidos para ela,
e ela tem procurado emprego
nos últimos 32 dias.

você diz a ela
que é um cambista de jóquei e
um compositor de jazz e canções românticas,
e depois de uns dois copos
ela não se preocupa com cobrir
as pernas
com a beira do robe
que está sempre caindo.

não são pernas nada feias,
na verdade são pernas ótimas,
e logo você está beijando uma
cabeça cheia de rolinhos,

e os coelhos estão começando a
piscar, e a Flórida é longe, e ela diz
que não somos realmente estranhos
porque ela tem me visto na entrada.

e finalmente
há muito pouca coisa
para dizer.

22/12/2007

DESABAFO

Estou cansado (verdadeiramente cansado) de entender razões alheias sem que ninguém entenda as minhas.

12/12/2007

MANO CHAO




Mi vida, lucerito sin vela,
mi sangre de la herida,
no me hagas sufrir más.
Mi vida, bala perdida
por la gran vía, charquito de arrabal.
no quiero que te vayas,
no quiero que te alejes cada día más y más.
Mi vida, lucerito sin vela (aquí no pegamos los ojos)
mi vida, charquito d'agua turbia,
burbuja de jabón,
mi último refugio, mi última ilusión,
no quiero que te vayas cada día más y más.
Mi vida, lucerito sin vela,
mi sangre de la herida,
no me hagas sufrir más.
(aquí no pegamos los ojos, aquí no pegamos los ojos)
Mi vida

08/12/2007

MURILO MENDES

Pré-história

Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Cai no álbum de retratos.