“As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender, e tenho pena.” José Saramago
O vídeo abaixo é uma adaptação do livro "A MAIOR FLOR DO MUNDO". É lindo. Veja com seus filhos, seus sobrinhos ou simplesmente com a criança que existe dentro de você.
“Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?...” Saramago
Espero que a criança dentro de ti goste tanto quanto a criança que sou gostou.
Minha Namorada Carlos Lyra Composição: Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
Se você quer ser minha namorada Ah, que linda namorada Você poderia ser Se quiser ser somente minha Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha Que ninguém mais pode ser... Você tem que me fazer um juramento De só ter um pensamento Ser só minha até morrer... E também de não perder esse jeitinho De falar devagarinho Essas histórias de você E de repente me fazer muito carinho E chorar bem de mansinho Sem ninguém saber porque... E se mais do que minha namorada Você quer ser minha amada Minha amada, mas amada pra valer Aquela amada pelo amor predestinada Sem a qual a vida é nada Sem a qual se quer morrer Você tem que vir comigo em meu caminho E talvez o meu caminho Seja triste pra você... Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois E você tem que ser a estrela derradeira Minha amiga e companheira No infinito de nós dois.
Comfortably Numb (tradução) Pink Floyd Composição: Waters And Gilmour
CONFORTAVELMENTE ENTORPECIDO
Olá? Há alguém aí? Acene se você puder me ouvir Há alguém em casa? Agora, vamos, Ouvi dizer que você está mal Bom, eu posso diminuir sua dor Te deixar de pé de novo
Relaxe Eu preciso de algumas informações primeiro Apenas coisas básicas Você pode me dizer onde dói?
Não há dor, você está desaparecendo Como a fumaça de um navio Distante no horizonte Sinto você apenas em ondas Seus lábios se movem mas Não consigo ouvir o que você diz Quando eu era criança eu tive uma febre Minhas mão pareciam dois balões E agora eu tenho essa sensação novamente Eu não consigo explicar, você não entenderia Esse não sou eu Eu me sinto confortavelmente entorpecido
Ok Apenas uma picada Não haverá mais... Aaaaaahhhhh! Mas você pode sentir um mal estar Você pode se levantar? Eu acredito que esteja funcioando. Ótimo. Isso manterá você em pé Vamos, agora você tem que ir
Não há dor, você está desaparecendo Como a fumaça de um navio Distante no horizonte Sinto você apenas em ondas Seus lábios se movem mas Não consigo ouvir o que você diz Quando eu era criança eu tive uma visão fugaz No canto do meu olho Eu me virei para olhar mas já tinha sumido Eu não consigo alcançá-la agora A criança cresceu e o sonho se foi Eu me sinto confortavelmente entorpecido
Tardes longas, solitárias e distantes, nas quais eu sentava em frente a T.V. esperando mais uma luta do SAVAMÙ. Esse desenho era uma série genial e foi um dos primeiros desenhos a tratar as crianças daquele longínquo anos 80 como seres pensantes.
MInha casa era a típica casa da periferia de antigamente: cômodos pequenos, parede de reboque a mostra, um cachorro que corria pelo quintal para latir pra qualquer barulho. Sob a laje quente eu ficava sozinho enquanto meus pais trabalhavam. Savamú era um dos heróis que me faziam sonhar.
Hoje revi a abertura do desenho, que posto aqui.
Quem se julgar da natureza o rei O dono e senhor das tempestades Jogar sem muita certeza Contra deuses e demônios
Ah! Ele se julgava o demolidor (x5)
Mas não sabia que seu mundo era pequeno E os insetos que vagam pelos charcos Tem poucas chances de alcançar o oceano
Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor!
Isso é a vida real? Isso é só fantasia? Pego na minha terra Sem poder escapar da realidade Abra seus olhos Olhe para o céu e veja Eu sou apenas um pobre menino, Eu não preciso de nenhuma compaixão Porque eu venho fácil, fácil vou E possuo altos e baixos De qualquer jeito que o vento soprar, para mim não me importa realmente para mim
Mamãe, acabei de matar um homem Coloquei uma arma em sua cabeça Puxei o gatilho, agora ele está morto Mamãe, a vida acabou de começar Mas agora eu vou ter que jogar tudo fora Mamãe, ooo Não foi minha intenção te fazer chorar Se eu não voltar outra vez esta vez amanhã Continue, continue, Como se nada realmente importasse
Tarde demais, chegou minha hora Sinto arrepios em minha espinha Meu corpo está doendo toda hora Adeus a todos - eu agora tenho que partir Tenho que deixar todos vocês para trás E encarar a verdade Mamma, ooo - (de qualquer maneira o vento sopra) Eu não quero morrer Às vezes eu desejo nunca ter nascido
Eu vi uma pequena silhueta de um homem Palhaço, palhaço você fará o fandango Trovões e relâmpagos - me assustam muito Gallileo, Gallileo, Gallileo, Gallileo, Gallileo Figaro - magnífico;
Mas eu sou apenas um pobre menino e ninguém me ama Ele é só um pobre menino de uma pobre família Poupe sua vida desta monstruosidade O que vem fácil, vai fácil - você vão me deixar ir? Em nome de Deus! Não - nós não o deixaremos ir – Deixe-o ir Em nome de Deus! Nós não o deixaremos ir - deixe-o ir Em nome de Deus! Nós não o deixaremos ir - deixe-me ir Não o deixe ir - deixe-me ir (nunca) Nunca deixe-o em vão - deixe-me ir Nunca deixe-me em vão – ooo Não, não, não, não, não, não, não – Oh mamma mia, mamma mia, mamma mia deixe-me ir Belzebu, tem um diabo reservado pra mim pra mim? pra mim? Então você acha Que pode me parar e cuspir em meus olhos? Então você acha que pode me amar E me deixar morrer? Oh baby - não pode fazer pra mim, baby Apenas saia – Apenas saia logo daqui!
Ooh yeah, ooh yeah Nada realmente importa Qualquer um pode ver Nada realmente importa Nada realmente importa Pra mim...
Estava conversando com minha mulher na sala de nosso apartamento que fica no 5o andar, eu na cadeira do micro e ela no sofá. Senti o chão tremer, mas achei que era a cervejada que tomei a tarde.
Minha esposa disse: "O apartamento tá tremendo!"
Eu sorri e ela insistiu: "Tá sim, olha a televisão!"
Nossa TV fica sobre uma banqueta e balançava muito. Nesse momento, senti a cadeira balançar. Colocamos a coleira no cachorro e saímos assustados de casa.
Demorou bastante. A sensação é horrível, no chaveiro o molho de chaves balançava. Pensei que o prédio ia cair.
Fomos para a rua e esperamos um tempo até voltarmos para casa e ver pela TV a notícia do tremor.
O pior é que eu aposto que a Veja ou o Estadão vão dizer que a culpa foi do Lula...
Ah, na TV falou que o tremor foi de 5,2 na escala Richter (é assim que escreve?), mas deu um 7.0 de cagaço na minha escala cogoçônica...
Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder O que não dá mais pra ocultar e eu não quero mais calar Já que o brilho desse olhar foi traidor E entregou o que você tentou conter O que você não quis desabafar e me cortou
Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim Como se fosse o sol desvirginando a madrugada Quero sentir a dor desta manhã
Nascendo, rompendo, rasgando, tomando meu corpo e então eu Chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando Feito louca, alucinada e criança Sentindo o meu amor se derramando Não dá mais pra segurar explode coração
Essa personagem de Os Simpsons disse num episódio: "O blues não foi feito para você ficar feliz, mas para as pessoas se sentirem tristes." Excelente definição.
Essa música do Belchior me lembrou Pessoa e esse poema lindo, que vimos com amigos numa peça há muito tempo, quando ainda tinhamos sonhos.
ANIVERSÁRIO No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto. Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma, De ser inteligente para entre a família, E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, O que fui de coração e parentesco. O que fui de serões de meia-província, O que fui de amarem-me e eu ser menino, O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... A que distância!... (Nem o acho...) O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa, Pondo grelado nas paredes... O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), O que eu sou hoje é terem vendido a casa, É terem morrido todos, É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, Por uma viagem metafísica e carnal, Com uma dualidade de eu para mim... Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---, As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça! Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus! Hoje já não faço anos. Duro. Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada. Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
Só para loucos, isso é só para loucos... Caretas não! Só para loucos, isso é só para loucos... Ahaaaa...
Colhendo cogumelos na varanda de cristal A avenida paralela toma forma de aspiral Colhendo cogumelos pra fazer um chá legal Ficar muito louco curtindo um visual
Só para loucos, isso é só para loucos... Caretas não! Só para loucos, isso é só para os raros...
Confesso abestalhado nunca vi nada igual O banheiro era refúgio, recanto espiritual Lá em cima no instante que eu guardava livros raros, em cima da mesa, perto do vaso Colhendo sempre flores do espaço do universo, espinhos do destino fazem parte dos meus versos