Enquanto estou deitado na minha cama à noite Eu não quero crescer Nada nunca parece dar tornar certo Eu não quero crescer
Como você se vira num mundo de neblina Que está sempre mudando as coisas Faz eu desejar que eu pudesse ser um cachorro
Quando eu vejo o preço que você paga Eu não quero crescer Eu nunca quero ser desse jeito Eu não quero crescer
Parece que as pessoas tornam-se coisas Que elas nunca querem A única coisa para se viver é hoje
Eu vou fazer um buraco na minha TV Eu não quero crescer Abrir a cômoda dos remédios Eu não quero crescer
Eu não quero ter que gritar bem alto Eu não quero que o meu cabelo caia Eu não quero me encher de dúvida Eu não quero ser um bom escoteiro Eu não quero ter que aprender a contar Eu não quero ter a maior quantia Não, eu não quero crescer
Quando eu vejo meus pais brigarem Eu não quero crescer Todos eles saem e bebem a noite toda Eu não quero crescer
Eu prefiro ficar aqui no meu quarto Não lá fora, a não ser tristeza e melancolia Eu não quero viver num grande túmulo velho na rua majestosa
Quando eu vejo o noticiário das 5 Eu não quero crescer Pentear seus cabelos e engraxar seus sapatos Eu não quero crescer
Ficar por aí na minha velha cidade natal Não quero gastar nenhum dinheiro Eu não quero um grande empréstimo Trabalhar duro Eu não quero flutuar numa vassoura Me apaixonar, casar e aí crescer
Como diabos eu cheguei aqui tão depressa? Não, eu não quero crescer
"Ela era a secretária do gerente. Seu nome era Carmem – mas, apesar do nome espanhol, ela era loira e usava vestidos colados de tricô, sapatos de salto agulha, meias de nylon, cinta-liga, trazia a boca muito pintada, porém, ah, ela sabia rebolar, sabia mexer, ondulava os quadris quando vinha com os pedidos até a mesa, voltava do mesmo modo para o escritório, a rapaziada de olho em cada movimento, em cada contração de sua bunda; oscilando, serpenteando, rebolando. Não sou um galanteador. Nunca fui. Pra ser galã, é preciso ter a lábia doce. Nunca fui bom em passar a lábia numa mulher. Mas, finalmente, com Carmem me pressionando, levei-a até um dos transportes de carga que descarregávamos nos fundos do galpão e a peguei de pé, atrás de um desses caminhões. Foi bom, foi quente; pensei no céu azul e em praias amplas e limpas, porém ao mesmo tempo foi triste – faltava, na certa, algum sentimento humano que eu desconhecia ou com o qual não sabia lidar. Eu tinha erguido aquele vestido de tricô acima da minha boca contra seus lábios carregados de batom escarlate e gozei entre duas caixas lacradas com o ar cheio de cinzas e com ela pressionada contra um caminhão imundo e descascado na misericordiosa escuridão."
“As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender, e tenho pena.” José Saramago
O vídeo abaixo é uma adaptação do livro "A MAIOR FLOR DO MUNDO". É lindo. Veja com seus filhos, seus sobrinhos ou simplesmente com a criança que existe dentro de você.
“Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?...” Saramago
Espero que a criança dentro de ti goste tanto quanto a criança que sou gostou.
Minha Namorada Carlos Lyra Composição: Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
Se você quer ser minha namorada Ah, que linda namorada Você poderia ser Se quiser ser somente minha Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha Que ninguém mais pode ser... Você tem que me fazer um juramento De só ter um pensamento Ser só minha até morrer... E também de não perder esse jeitinho De falar devagarinho Essas histórias de você E de repente me fazer muito carinho E chorar bem de mansinho Sem ninguém saber porque... E se mais do que minha namorada Você quer ser minha amada Minha amada, mas amada pra valer Aquela amada pelo amor predestinada Sem a qual a vida é nada Sem a qual se quer morrer Você tem que vir comigo em meu caminho E talvez o meu caminho Seja triste pra você... Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois E você tem que ser a estrela derradeira Minha amiga e companheira No infinito de nós dois.
Comfortably Numb (tradução) Pink Floyd Composição: Waters And Gilmour
CONFORTAVELMENTE ENTORPECIDO
Olá? Há alguém aí? Acene se você puder me ouvir Há alguém em casa? Agora, vamos, Ouvi dizer que você está mal Bom, eu posso diminuir sua dor Te deixar de pé de novo
Relaxe Eu preciso de algumas informações primeiro Apenas coisas básicas Você pode me dizer onde dói?
Não há dor, você está desaparecendo Como a fumaça de um navio Distante no horizonte Sinto você apenas em ondas Seus lábios se movem mas Não consigo ouvir o que você diz Quando eu era criança eu tive uma febre Minhas mão pareciam dois balões E agora eu tenho essa sensação novamente Eu não consigo explicar, você não entenderia Esse não sou eu Eu me sinto confortavelmente entorpecido
Ok Apenas uma picada Não haverá mais... Aaaaaahhhhh! Mas você pode sentir um mal estar Você pode se levantar? Eu acredito que esteja funcioando. Ótimo. Isso manterá você em pé Vamos, agora você tem que ir
Não há dor, você está desaparecendo Como a fumaça de um navio Distante no horizonte Sinto você apenas em ondas Seus lábios se movem mas Não consigo ouvir o que você diz Quando eu era criança eu tive uma visão fugaz No canto do meu olho Eu me virei para olhar mas já tinha sumido Eu não consigo alcançá-la agora A criança cresceu e o sonho se foi Eu me sinto confortavelmente entorpecido
Tardes longas, solitárias e distantes, nas quais eu sentava em frente a T.V. esperando mais uma luta do SAVAMÙ. Esse desenho era uma série genial e foi um dos primeiros desenhos a tratar as crianças daquele longínquo anos 80 como seres pensantes.
MInha casa era a típica casa da periferia de antigamente: cômodos pequenos, parede de reboque a mostra, um cachorro que corria pelo quintal para latir pra qualquer barulho. Sob a laje quente eu ficava sozinho enquanto meus pais trabalhavam. Savamú era um dos heróis que me faziam sonhar.
Hoje revi a abertura do desenho, que posto aqui.
Quem se julgar da natureza o rei O dono e senhor das tempestades Jogar sem muita certeza Contra deuses e demônios
Ah! Ele se julgava o demolidor (x5)
Mas não sabia que seu mundo era pequeno E os insetos que vagam pelos charcos Tem poucas chances de alcançar o oceano
Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor! Ele se julgava o demolidor!
Isso é a vida real? Isso é só fantasia? Pego na minha terra Sem poder escapar da realidade Abra seus olhos Olhe para o céu e veja Eu sou apenas um pobre menino, Eu não preciso de nenhuma compaixão Porque eu venho fácil, fácil vou E possuo altos e baixos De qualquer jeito que o vento soprar, para mim não me importa realmente para mim
Mamãe, acabei de matar um homem Coloquei uma arma em sua cabeça Puxei o gatilho, agora ele está morto Mamãe, a vida acabou de começar Mas agora eu vou ter que jogar tudo fora Mamãe, ooo Não foi minha intenção te fazer chorar Se eu não voltar outra vez esta vez amanhã Continue, continue, Como se nada realmente importasse
Tarde demais, chegou minha hora Sinto arrepios em minha espinha Meu corpo está doendo toda hora Adeus a todos - eu agora tenho que partir Tenho que deixar todos vocês para trás E encarar a verdade Mamma, ooo - (de qualquer maneira o vento sopra) Eu não quero morrer Às vezes eu desejo nunca ter nascido
Eu vi uma pequena silhueta de um homem Palhaço, palhaço você fará o fandango Trovões e relâmpagos - me assustam muito Gallileo, Gallileo, Gallileo, Gallileo, Gallileo Figaro - magnífico;
Mas eu sou apenas um pobre menino e ninguém me ama Ele é só um pobre menino de uma pobre família Poupe sua vida desta monstruosidade O que vem fácil, vai fácil - você vão me deixar ir? Em nome de Deus! Não - nós não o deixaremos ir – Deixe-o ir Em nome de Deus! Nós não o deixaremos ir - deixe-o ir Em nome de Deus! Nós não o deixaremos ir - deixe-me ir Não o deixe ir - deixe-me ir (nunca) Nunca deixe-o em vão - deixe-me ir Nunca deixe-me em vão – ooo Não, não, não, não, não, não, não – Oh mamma mia, mamma mia, mamma mia deixe-me ir Belzebu, tem um diabo reservado pra mim pra mim? pra mim? Então você acha Que pode me parar e cuspir em meus olhos? Então você acha que pode me amar E me deixar morrer? Oh baby - não pode fazer pra mim, baby Apenas saia – Apenas saia logo daqui!
Ooh yeah, ooh yeah Nada realmente importa Qualquer um pode ver Nada realmente importa Nada realmente importa Pra mim...
Estava conversando com minha mulher na sala de nosso apartamento que fica no 5o andar, eu na cadeira do micro e ela no sofá. Senti o chão tremer, mas achei que era a cervejada que tomei a tarde.
Minha esposa disse: "O apartamento tá tremendo!"
Eu sorri e ela insistiu: "Tá sim, olha a televisão!"
Nossa TV fica sobre uma banqueta e balançava muito. Nesse momento, senti a cadeira balançar. Colocamos a coleira no cachorro e saímos assustados de casa.
Demorou bastante. A sensação é horrível, no chaveiro o molho de chaves balançava. Pensei que o prédio ia cair.
Fomos para a rua e esperamos um tempo até voltarmos para casa e ver pela TV a notícia do tremor.
O pior é que eu aposto que a Veja ou o Estadão vão dizer que a culpa foi do Lula...
Ah, na TV falou que o tremor foi de 5,2 na escala Richter (é assim que escreve?), mas deu um 7.0 de cagaço na minha escala cogoçônica...
Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder O que não dá mais pra ocultar e eu não quero mais calar Já que o brilho desse olhar foi traidor E entregou o que você tentou conter O que você não quis desabafar e me cortou
Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim Como se fosse o sol desvirginando a madrugada Quero sentir a dor desta manhã
Nascendo, rompendo, rasgando, tomando meu corpo e então eu Chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando Feito louca, alucinada e criança Sentindo o meu amor se derramando Não dá mais pra segurar explode coração