18/09/2008
17/09/2008
16/09/2008
09/09/2008
Post dedicado a Adriana Peniche, um de meus amores
DEDICO O POST ABAIXO PARA UM GRANDE AMOR EM MINHA VIDA, ADRIANA PENICHE
Alento
Paulinho da Viola
Composição: Paulo César Pinheiro
Alento
Violão esquecido num canto é silêncio
Coração encolhido no peito é desprezo
Solidão hospedada no leito é ausência
A paixão refletida num pranto, ai, é tristeza
Um olhar espiando o vazio é lembrança
Um desejo trazido no vento é saudade
Um desvio na curva do tempo é distância
E um poeta que acaba vadio, ai, é destino
A vida da gente é mistério
A estrada do tempo é segredo
O sonho perdido é espelho
O alento de tudo é canção
O fio do enredo é mentira
A história do mundo é brinquedo
O verso do samba é conselho
E tudo o que eu disse é ilusão
Alento
Paulinho da Viola
Composição: Paulo César Pinheiro
Alento
Violão esquecido num canto é silêncio
Coração encolhido no peito é desprezo
Solidão hospedada no leito é ausência
A paixão refletida num pranto, ai, é tristeza
Um olhar espiando o vazio é lembrança
Um desejo trazido no vento é saudade
Um desvio na curva do tempo é distância
E um poeta que acaba vadio, ai, é destino
A vida da gente é mistério
A estrada do tempo é segredo
O sonho perdido é espelho
O alento de tudo é canção
O fio do enredo é mentira
A história do mundo é brinquedo
O verso do samba é conselho
E tudo o que eu disse é ilusão
30/08/2008
Perdendo a virgindade

Talvez, ela tenha sido por alguns instantes, a mulher mais linda do mundo.
Talvez, ela tenha sido por muito tempo, a mulher mais importante em minha vida.
Talvez tenhamos sido apenas um ledo engano;
Fato é que nos desnudamos entre o tremor da alma e a fome da carne.
Fato é que fui seu primeiro e ela minha primeira.
Fato é que fomos "um só", pela primeira vez, juntos;
Em seus seios passeei minha boca,
Em seus olhos refleti meu fogo,
Em meu peito ela deitou seu rosto;
Entre o medo e o desejo ela se ofereceu a mim,
Entre a timidez e a inocência a Mulher despertava,
Entre suas pernas, eu - tolo atapalhado-, nos iniciava...
Eram minhas as digitais sob o vestido.
Eram delas as digitas sobre a epiderme.
Eram nossos, os sussurros noite adentro...
Não foi nossa única,
Não foi nossa última,
Foi nossa primeira, vez.
A primeira vez de tanto tempo
A primeira noite de tantos anos
A última saudade sinto agora, do que éramos e já não somos;
Hoje, não somos mais um do outro
Hoje, nosso fogo é alheio
Hoje, os adolescentes cresceram e adultos, nem se falam.
Seus seios, de outra boca
Minha boca, de outros corpos
Nossos corpos, de outros sonhos.
sonha ela em outros peitos...
Nos fizemos
nos descobrimos
e nos perdemos...
Mas fomos e seremos
um do outro,
os intensos,
os primeiros.
Evoé!*
EDNALDO TORRES FELÍCIO
30/08/08
*evoé
do Lat. evoe < Gr. euví
interj.,
grito, brado das bacantes em honra de Dionísio (Baco), por ocasião das orgias.
27/08/2008
25/08/2008
PRAZER, MEU NOME É COCAÍNA
Não tenho nada a acrescentar aos vídeos abaixo:
e esse outro, com a Claudia Ohana
e esse outro, com a Claudia Ohana
23/08/2008
post dedicado a uma mulher especial (só ela sabe que é para ELA)
Renata Maria
Chico Buarque
Ela era ela era ela no centro da tela daquela manhã
Tudo o que não era ela se desvaneceu
Cristo, montanhas, florestas, acácias, ipês
Pranchas coladas na crista das ondas, as ondas suspensas no ar
Pássaros cristalizados no branco do céu
E eu, atolado na areia, perdia meus pés
Músicas imaginei
Mas o assombro gelou
Na minha boca as palavras que eu ia falar
Nem uma brisa soprou
Enquanto Renata Maria saía do mar
Dia após dia na praia com olhos vazados de já não a ver
Quieto como um pescador a juntar seus anzóis
Ou como algum salva-vidas no banco dos réus
Noite na praia deserta, deserta, deserta daquela mulher
Praia repleta de rastros em mil direções
Penso que todos os passos perdidos são meus
Eu já sabia, meu Deus
Tão fulgurante visão
Não se produz duas vezes no mesmo lugar
Mas que danado fui eu
Enquanto Renata Maria saía do mar
Chico Buarque
Ela era ela era ela no centro da tela daquela manhã
Tudo o que não era ela se desvaneceu
Cristo, montanhas, florestas, acácias, ipês
Pranchas coladas na crista das ondas, as ondas suspensas no ar
Pássaros cristalizados no branco do céu
E eu, atolado na areia, perdia meus pés
Músicas imaginei
Mas o assombro gelou
Na minha boca as palavras que eu ia falar
Nem uma brisa soprou
Enquanto Renata Maria saía do mar
Dia após dia na praia com olhos vazados de já não a ver
Quieto como um pescador a juntar seus anzóis
Ou como algum salva-vidas no banco dos réus
Noite na praia deserta, deserta, deserta daquela mulher
Praia repleta de rastros em mil direções
Penso que todos os passos perdidos são meus
Eu já sabia, meu Deus
Tão fulgurante visão
Não se produz duas vezes no mesmo lugar
Mas que danado fui eu
Enquanto Renata Maria saía do mar
21/08/2008
HOMENAGEM A RAUL SEIXAS

“Dr. Pacheco”
Lá vai nosso herói Dr. Paxeco
Com sua careca inconfundível
A gravata e o paletó
Misturando-se às pessoas da vida
Lá vai Dr. Paxeco
O herói dos dias úteis
Misturando-se às pessoas que o fizeram
Formado, reformado, engomado
Num sorriso fabricado
Pela escola da ilusão
Tem jeito de perfeito
No defeito
Sem ter feito com proveito
Aproveita a ocasião
Dr. Paxeco, vai doutorar
Dr. Paxeco, foi almoçar
Do Do Do Do Do Doutor
Do Do Do Do Do Doutor
Paxeco
Perdido, dividido, dirigido
Carcomido e iludido
Tem nos olhos o cifrão
Disfarça na fumaça
e acha graça
Sem saber que a rua passa
Entre a massa e o caminhão
Dr. Paxeco não vai voltar
Dr. Paxeco foi almoçar
Dr. Paxeco não vai voltar
Dr. Paxeco foi almoçar...
14/08/2008
three little birds
Three Little Birds (tradução)
Bob Marley
Composição: Bob Marley
Três Passarinhos
Não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.
Acorde hoje pela manhã
Sorria com o sol nascendo,
Três passarinhos
Estão em minha porta
Cantando doces canções
De melodias puras e verdadeiras,
Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.
Acorde hoje pela manhã
Sorria com o sol nascendo,
Três passarinhos
Estão em minha porta
Cantando doces canções
De melodias puras e verdadeiras,
Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh
Não se preocupe com isso, oh!
Tudo vai estar bem. Não se preocupe!"
"Não se preocupe com isso" – Eu não me preocuparei!
"Tudo vai estar bem."
Não se preocupe com isso,
'Tudo vai estar bem" – Eu não me preocuparei!
Não se preocupe com isso,
'Tudo vai estar bem."
Não se preocupe com isso!
Tudo vai estar bem!
Bob Marley
Composição: Bob Marley
Três Passarinhos
Não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.
Acorde hoje pela manhã
Sorria com o sol nascendo,
Três passarinhos
Estão em minha porta
Cantando doces canções
De melodias puras e verdadeiras,
Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.
Dizendo, não se preocupe com coisa alguma
Porque tudo
ficará bem.
Acorde hoje pela manhã
Sorria com o sol nascendo,
Três passarinhos
Estão em minha porta
Cantando doces canções
De melodias puras e verdadeiras,
Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh
Não se preocupe com isso, oh!
Tudo vai estar bem. Não se preocupe!"
"Não se preocupe com isso" – Eu não me preocuparei!
"Tudo vai estar bem."
Não se preocupe com isso,
'Tudo vai estar bem" – Eu não me preocuparei!
Não se preocupe com isso,
'Tudo vai estar bem."
Não se preocupe com isso!
Tudo vai estar bem!
08/08/2008
04/08/2008
RODOVIÁRIA
"Todo o chão de rodoviaria é igual, cheio de guimbas de cigarro e catarro"
ON THE ROAD - JACK KEROUAK
E lá estava eu entre guimbas e catarro, agarrado à única coisa que me restou do casamento: uma mochila triste, com algumas cuecas, um par de camisas e uma solidao sem fim.
Nem fazia idéia de qual cidade do interior era aquela. Que importava? Fugia de mim mesmo, mas me encontrava em cada reflexo de janela de qualquer ônibus estacionado.
Fugia de mim, mas minhas memórias me perseguiam como se fossem um policial atrás de seu principal suspeito.
Era apenas mais um perdido na noite fria.
Ouvia ao longe adeus e olás, mas dentro de mim era a mesma fuga muda, cheia de medo e aflição.
Vinhos baratos corriam pelas veias e pela alma, mas nunca estive tão sóbrio.
A lembrança da casa e dos filhos distantes se confundiam com a última palavra Dela: Acabou.
Não me restava o trabalho "escravo", remunerado com esmolas, não me restava os vizinhos mudos ou a confusão da megalópole.
Lá estava eu: muleque perdido num exílio imposto por si mesmo. O fracasso das promessas diantes do Padre e do Juiz. O fracasso diante do espelho.
Agora, deitado atrás das cadeiras da rodoviaria de sei lá onde,não tinha de quem esconder o choro, mas não chorava.
O vento que cantava na orelha não me ninava e nem envergonhava. Eu era um que descera longe e não sabia para onde ia ou de onde viera.
Sem cigarros, sem álcool, sem futuro e com um passado distante, restava a mim o som de ônibus chegando a partindo em longos intervalos estéries com tristes silêncios etérios.
Nâo iria para lugar algum. Lá, naquele chão sujo, percebi que não tentava fugir Dela ou de Sampa ou do mundo: tentava fugir de mim. Mas onde fosse, meu fracasso e minha cobrança aguda me acompanhavam.
Curtos sonos interrompidos por novos ônibus.
Que me importa onde estava?
A Rodoviária e sua vida independente não me pertenciam, nem eu pertencia à Rodoviária. Naquela noite fui apenas o infeliz que dormiu atrás das cadeiras... Dormiu?
Fui o infeliz que despertou atrás das cadeiras e tentou uma nova vida, embarcando num ônibus novo, dalí para qualquer lugar, para qualquer destino, para qualquer morte, ou qualquer vida.
Não fazia ideia de onde o sol estivesse quando gastei meu último dinheiro para lugar nenhum...
O ônibus fechou a porta e pela janela ví a rodoviária ficando pra trás... Um punhado de luzes ficando menor a cada curva. Minha vida, um punhado de trevas ficando maior a cada esquina.
Nem sei onde estou. Não estou. Estive.
EDNALDO TORRES FELICIO
Qualquer data e qualquer hora
ON THE ROAD - JACK KEROUAK
E lá estava eu entre guimbas e catarro, agarrado à única coisa que me restou do casamento: uma mochila triste, com algumas cuecas, um par de camisas e uma solidao sem fim.
Nem fazia idéia de qual cidade do interior era aquela. Que importava? Fugia de mim mesmo, mas me encontrava em cada reflexo de janela de qualquer ônibus estacionado.
Fugia de mim, mas minhas memórias me perseguiam como se fossem um policial atrás de seu principal suspeito.
Era apenas mais um perdido na noite fria.
Ouvia ao longe adeus e olás, mas dentro de mim era a mesma fuga muda, cheia de medo e aflição.
Vinhos baratos corriam pelas veias e pela alma, mas nunca estive tão sóbrio.
A lembrança da casa e dos filhos distantes se confundiam com a última palavra Dela: Acabou.
Não me restava o trabalho "escravo", remunerado com esmolas, não me restava os vizinhos mudos ou a confusão da megalópole.
Lá estava eu: muleque perdido num exílio imposto por si mesmo. O fracasso das promessas diantes do Padre e do Juiz. O fracasso diante do espelho.
Agora, deitado atrás das cadeiras da rodoviaria de sei lá onde,não tinha de quem esconder o choro, mas não chorava.
O vento que cantava na orelha não me ninava e nem envergonhava. Eu era um que descera longe e não sabia para onde ia ou de onde viera.
Sem cigarros, sem álcool, sem futuro e com um passado distante, restava a mim o som de ônibus chegando a partindo em longos intervalos estéries com tristes silêncios etérios.
Nâo iria para lugar algum. Lá, naquele chão sujo, percebi que não tentava fugir Dela ou de Sampa ou do mundo: tentava fugir de mim. Mas onde fosse, meu fracasso e minha cobrança aguda me acompanhavam.
Curtos sonos interrompidos por novos ônibus.
Que me importa onde estava?
A Rodoviária e sua vida independente não me pertenciam, nem eu pertencia à Rodoviária. Naquela noite fui apenas o infeliz que dormiu atrás das cadeiras... Dormiu?
Fui o infeliz que despertou atrás das cadeiras e tentou uma nova vida, embarcando num ônibus novo, dalí para qualquer lugar, para qualquer destino, para qualquer morte, ou qualquer vida.
Não fazia ideia de onde o sol estivesse quando gastei meu último dinheiro para lugar nenhum...
O ônibus fechou a porta e pela janela ví a rodoviária ficando pra trás... Um punhado de luzes ficando menor a cada curva. Minha vida, um punhado de trevas ficando maior a cada esquina.
Nem sei onde estou. Não estou. Estive.
EDNALDO TORRES FELICIO
Qualquer data e qualquer hora
30/07/2008
3D sound "Holophonics" - OUÇA SE TIVER FONES DE OUVIDO
São vídeos geniais. OUÇA COM FONE DE OUVIDO!!! É IMPRESSIONANTE!
TEMPESTADE
TEMPESTADE
26/07/2008
PARA DONA TURMALINA, amiga.

São 1:13 da matina
Estou alcoolico
estou feliz
Minha vida é boa
Minha esposa é boa
Meu som é bom
Bom é meu cão
Agora, 1:14hs
ouço Clapton
e imagino Deus
no alto de suas núvens
rindo de suas criações:
Crianças que nunca crescem...
Deus é um velho brincalhão.
Somos todos crianças, Suas criações, Seus crianções...
Tudo o que Ele quer ser, e não pode...
Bjos Dona Turmalina, Pedra do Serrado
EDNALDOTORRESFELICIO
22/07/2008
BB King, Albert King & Stevie Ray Vaughan- The Sky is Crying
VIVA O BLUES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Roger Waters & Eric Clapton - Wish you were Here AO VIVO
Wish You Were Here (tradução)
Queria que Você Estivesse Aqui
Então, então você acha
que consegue distinguir
O céu do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir
um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?
Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?
Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui
Essa apresentação foi para arrecar jundos pras vítimas do tsunami
Queria que Você Estivesse Aqui
Então, então você acha
que consegue distinguir
O céu do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir
um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?
Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?
Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui
Essa apresentação foi para arrecar jundos pras vítimas do tsunami
21/07/2008
George Harrisson, Eric Clapton, Ringo Starr, Phil Collins and Elton John

While My Guitar Gently Weeps (tradução)
The Beatles (George Harrison)
Enquanto Minha Guitarra Gentilmente Chora
Eu olho você toda, vejo o amor que aí dorme
Enquanto minha guitarra gentilmente chora
Eu olho para o chão e vejo que precisa ser limpo
Ainda minha guitarra gentilmente chora
Eu não seu porque ninguém te disse
Como desdobrar seu amor
Eu não sei como alguém te controlou
Eles compraram e venderam você
Eu olho o mundo e eu noto que ele está girando
Enquanto minha guitarra gentilmente chora
Com todo erro certamente precisamos aprender
Ainda minha guitarra gentilmente chora
Eu não sei como você foi divertida
Você foi pervertida também
Eu não seu como você foi invertida
Ninguém te alertou
Eu olho você toda, vejo o amor que aí dorme
Enquanto minha guitarra gentilmente chora
Eu olho você toda
Ainda minha guitarra gentilmente chora
19/07/2008
DERCY CHEGANDO AO CÉU

DERCY NO CÉU
"PORRA! Puta queo pariu São Pedro! Deus demorou pra caralho pra me tirar daquela merda! Fica com esses anjos pau no cú e não me tirava de lá!
Caralho! Ae São Pedro, traz uma gelada que eu to com a perereca ardendo! Caralheo, como é bonito aqui..."
São Pedro sorri e diz: "Bem vinda irmã, tente maneirar no linguagar."
E Dercy reponde: "Manerar o caralho! Vai tomar no cú, ô barbudo..."
Dercy passa pelos portões do céu sem perceber que por baixo da barba, São Pedro segura uma gargalhada...
"Bem vinda, Dercy..." - pensa o Santo.
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Que Deus dê serenidade aos familiares da Dercy.
A morte, afinal, é sempre sem graça.
P.s.: Foto com Grande Otelo no filme A BARONEZA TRANSVIADA, de 1957
16/07/2008
Mulher desnuda
Era casada. Não tinha filhos e quase não tinha marido.
Não consegui entender como alguém simplesmente não enlouquecia com aqueles seios exuberantes e aquela coxa morena e dormia como um tolo todas noites sem tocar a Deusa Morena... Mas enfim, talvez entendesse: eram casados há tantos anos que cada calcinha nova ou baby-doll transparente que ela usava para ele parecia mais uma piada de mal gosto do que uma tentativa desesperada de salvar um relacionamento.
De toda forma, eu não tinha nada a ver com isso. Ela era linda e carente. Seus cabelos negros pediam por um chamego e sua boca pedia qualquer tipo de excitação. Ela queria se sentir desejada de novo. Como se fosse apenas para provar-se diante do espelho de si mesma que ainda era Mulher e ainda provocava cobiça. Minha sorte é que ela estava tão cega que não percebia a multidão de homens que a seguiam tropeçando em toda a sensualidade que brotava de um corpo de seios grandes e bunda farta, uma daquelas mulheres que seus olhos não conseguem deixar de ver no meio de uma multidão. Não, eu não tinha nada a ver com sua delicada forma de sentir desejo, seu tesão recolhido e não disfarçado, sua luxúria travestida de ternura.
E ela não tinha nada a ver com o fato de eu ser um canalha. Típico poeta perdido de boteco, com sonhos guardados e uma porção de carícias na ponta dos dedos, daquelas que fazem virar os olhos das mulheres sensíveis e de libido fácil. Nas suas próprias palavras ela "casara com um bonzinho, mas queria na verdade um maldito". E o maldito era eu, por pura sorte (minha).
Enfim, depois de mais uma noite de negativa do marido (obrigado marido), ela aceitou meu convite. Trocamos tanta energia e ela gritou como há tempos não gritava e ela gemeu como há tempos não gemia e seu corpo moreno, refletido no espelho era todo tremor e querência.
Foi um despertar da Mulher escondida sobre os poros da epiderme arrepiada e um desnudar da roupa de esposa que escondia a Mulher.
Como bom canalha, sumi. Talvez tenha aberto caminho para outros poetas canalhas (e todos são canalhas) ou para o reencontro entre o marido bobo e a Mulher.
Não sei, não me importo. Ela me rendeu alguns delírios e um ponto
final
ou seriam
reticências...?
EDNALDO TORRES FELICIO
17/07/08
13:19hs
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