01/02/2009

MELHOR FILME QUE VI, ATÉ AGORA, EM 2009

O LUTADOR

com Mickey Rourke.

Música tema do Bruce Springsteen


Veja, ouça. E vá ao cinema

23/01/2009

Seu Cristiano e a Crise


FAZ três dias que Seu Cristiano não dorme.

Deita a cabeça no travesseiro e pensa e pensa e pensa... mas não dorme.

Faz tres dias que os maiores fantasmas do mundo moderno o amedrontam: O DESEMPREGO, AS CONTAS e O FRACASSO.

Cristiano não tem filhos. Mas tem uma mulher e ama. Cristiano morre de vergonha de sentir medo. E seu medo nasce da tola idéia de que sua mulher o ama porque ele tem sucesso.

- Que porra afinal é o sucesso? - pensa cristiano.

Começou moço na empresa. Garoto de recados, ajudante de contabilidade, auxiliar de controle de materiais, escriturário I, escriturário II, chefe da contabilidade e há uns tantos anos, contador.

Em 25 anos de trabalho, só chegou atrasado uma vez: quando morreu a mãe. Enterrou a velha e correu pra mesa: tinha relatórios a entregar.

Vinte e cinco anos de empresa e nenhum amigo. Porções de inimigos que lhe falavam pelas costas e riam-se de seu terno cinza e sua gravata preta e suas meias de algodão que cobriam um corpo delgado, sem músculos ou pelos, sem sonhos nem anseios.

Não casou por amor, casou por acaso, com uma moça tímida da expedição que foi obrigada a pedir demissão da empresa porque é inadimissível numa empresa séria como a PAPELINTER, dois funcionários de namoricos (namorico que rendeu um dos poucos puxões de orelha, do seu Narciso, o chefe geral). Mas com o tempo foi se apegando à moça. Ela cozinhava bem, coçava-lhe as costas e mais: era quieta.

Faz três dias que Seu Cristiano não dorme. Ele sabe que a crise, aquela que veio de fora com a força de uma marola, vai lhe tirar o emprego. Ele sabe mesmo, que maior que a crise foi a incapacidade gerencial do Seu Narciso de se prevenir para a marola, que fez com que as vendas despencassem, os pedidos minguassem e o lucro do patrão, o Seu Alaor, caísse.

- Filho da puta - pensa Seu Cristiano - o Narciso se comprometeu em importar e nem percebeu que o dólar ia subir?

Faz três dias que Seu Cristiano não dorme. Pela primeira vez na vida, será demitido. Pela primeira vez na vida, não terá o sobrenome PAPELINTER, pela primeira vez na vida será apenas o Seu Cristiano, sem filhos, sem sonhos e a partir de amanhã, sem emprego.

Deveria dormir, o Seu Cristiano. Ficar acordado na cama com preocupações nunca garantiu o emprego de ninguém...

PS.: Seu Narciso acumulará, durante a crise, o papel de Gerente Geral e Contador, e continuará cuidando da empresa do Seu Alaor como se fosse um caseiro cuidando de um sítio particular.

EDNALDO TORRES FELÍCIO
23/01/09
06:15hs

20/01/2009

!?

pois o cachorro morde teu pé
e não deixa você nadar
enquanto o sangue escorrendo da carne
te impulsiona para o alto
anjos disfarçados de mulheres
vigiam elefantes e te salvam

pois qualquer cigarro aceso
nunca deixa de ser Poeta
enquanto se consome em fogo
misto de câncer, amparo e solidão

pois qualquer barulho
com o mínimo de sincronia
no ouvido de um louco é blues
e quaisquer palavras
refletidas na retina de uma menina
é poesia

pois ninguém percebe
das janelas e janelas e janelas dos prédios
(e fora deles)
o muxoxo das rezadeiras
misturado aos gemidos falsos das prostitutas.

o sol se prepara pra nascer
enquanto tens à boca
um mamilo rosado
de uma santa pagã

EDNALDO TORRES FELICIO
20/01/09


hoje

hoje perdi meu emprego.

disseram que foi por causa da crise mundial.

fato é que perdi o emprego.

passei na experiência no dia 6 e hj dia 19 fui demitido.

não estou triste, nem desolado, nem perplexo.

realmente não tive nenhuma reação e ainda não tenho.

é isso...

07/01/2009

Há sol lá fora
há crianças brincando
há trabalho a ser feito
há vida transbordando do sol;

Há vento lá fora
cabelos negros esvoaçando
saias insistindo
em mostrar o que deveriam esconder;

Há cheiro de fumaça
de ônibus lotado de gente
de gente lotada de vida
de vida repleta de esperança;

Há cães fiéis aos seus donos
há donos fiéis aos seus cães
gatos sobre telhados
armando o bote nos passarinhos;

Há Igrejas enormes e vazias
há prisões pequenas e lotadas
há malandro espreitando ingênuos
há ingênuos perdidos em devaneios

Na penumbra de meu quarto escuro
tudo ouço
tudo sinto
mas não participo
Me furto de haver.

EDNALDO TORRES FELICIO

05/01/2009

1o post de 2009




A Bunda, que Engraçada

Drummond

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda


18/12/2008

QUIETO


Hoje estou quieto
sem rima e sem rumo



EDNALDO TORRES FELICIO
Há um silencio dentro de mim, esse silencio tem sido a fonte de minhas palavras.

CLARISSE LISPECTOR

30/11/2008

cintia, te amo



In My Life (tradução)
The Beatles

Composição: Lennon / McCartney

Em minha vida

Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns se foram e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns estão mortos e outros estão vivendo
Em minha vida, já amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você
Em minha vida...
Eu amo mais a você

21/11/2008

saidadeira




Gipsy woman told my mother before I was born
You got a boy child comin', 'll be a son of a gun
Gonna make pretty women jump and shout
Then the world gonna know what it's all about

'cause I'm here
Everybody knows I'm here
I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

I got a black cat bone, I got a mojo too
I got john the conqueror roots, I'm gonna mess with you
I'm gonna make you girls lead me by the hand
Then the world gonna know I'm a hoochie goochie man

I'm here
Everybody knows I'm here
Oh, I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

On the 7th hour
On the 7th day
On the 7th month
The 7th doctor say
He was born for good luck
And that you'll see
I got seven hundred dollars
Don't you mess with me

'cause I'm here
Everybody knows I'm here
I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

Oh, I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

Yeah, I'm a hoochie goochie man
Everybody knows I'm here

Hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
Oh, I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man
I'm a hoochie goochie goochie goochie man...

madrugada blues 2

madrugada blues

29/10/2008

para meu cumpadre e amigo Rogério



Caminhava pela rua morta.

Não estava mais perdido na cidade

Do que em si mesmo.



Deserta, escura e triste,

Era a rua que caminhava nele.



A rua oferecia-lhe as esquinas,

Os becos, os bares fechados,

Os fantasmas bizarros.



A rua mostrava-se como uma prostituta fria,

Seus pés apenas davam passagem ao asfalto,

À calçada, aos faróis,

À ladainha de um ou outro motor solitário que por vezes passava por ele.



Talvez ele sempre estivera ali

Esperando pelo amor na próxima esquina,

Pela esquina no próximo farol,

Pelo farol na eterna escuridão.



A rua passava por ele, pois estava perdida.

A rua estava perdida na cidade.

Não lhe cabiam as placas, a poeira e o tédio.

Não lhe cabia a solidão.



A rua acariciou-lhe os pés,

Antes que ele dobrasse a esquina,

E a deixasse.





EDNALDO TORRES FELICIO
(RUA AUGUSTA - SAMPA)

PEÇO DESCULPAS

Frei Betto

Estou gravemente enfermo.

Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, as economias familiares, o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.

Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade.

Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização.

Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e que o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos.

Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período.

Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação.

Para contê-la, o governo subiu os juros… e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou.

Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro.

Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.

Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado!

Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores.

Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.

Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência.

Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.

Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.

26/10/2008

EU VOLTEI, AGORA PRA FICAR

Hoje, eu estava no Pacaembu com minha família.

E meu time ganhou.

E meu time voltou para a divisão da qual ele nunca deveria ter saído.

E eu fiquei muito, muito feliz.

GRande festa, grande dia.

GRANDE CORINTHIANS.


21/10/2008

tirado do Blog do Azenha

100 HORAS DE INCOMPETÊNCIA

Atualizado e Publicado em 18 de outubro de 2008 às 15:31

por EDUARDO GUIMARÃES



Na tarde desta sexta-feira, a polícia invadiu o apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, mantinha duas reféns havia mais de 100 horas, em Santo André, no ABC paulista. Foi jogada uma bomba pela polícia e ouviram-se muitos tiros.



A ex-namorada de Lindemberg, Eloá, e sua amiga, ambas de 15 anos, saíram de maca e “gravemente feridas”, segundo a tevê Globo. O seqüestrador saiu ileso, caminhando.



Na quinta-feira, Naiara, amiga de Eloá, voltou ao cativeiro, com autorização da polícia, depois de ter sido libertada dois dias antes pelo seqüestrador. A desculpa da polícia é a de que a família de Naiara teria “autorizado” a menina a voltar ao cativeiro.



O Conselho Tutelar paulista questionou a polícia paulista por permitir a volta de Naiara ao cativeiro, dizendo que nem a família dela poderia ter dado qualquer autorização, pois a decisão seria exclusiva das autoridades e não poderia ter sido essa.



Nunca, em minha vida, ouvi falar que a polícia tivesse devolvido uma vítima a um seqüestrador, ainda mais sendo a vítima menor de idade. O desfecho trágico dessa tragédia revela uma estratégia absurda da polícia, uma incompetência total.



Ao menos a amiga de Eloá poderia ter sido poupada da violência.



O apresentador do SP TV, Carlos Tramontina, que transmitiu os primeiros dados da ação desastrada, não fez absolutamente nenhum questionamento à polícia. Eloá levou dois tiros. Sua amiga, Nayara, levou um tiro na face.



Pouco depois das 19 horas, o mesmo Tramontina divulgou que a assessoria do governo José Serra disse que Eloá não resistiu aos ferimentos e faleceu. Minutos depois, o mesmo Tramontina desmentiu a informação e deu justificativas para a ação da polícia.



Momentos depois, a morte de Eloá foi confirmada pelo portal UOL, mas a Globo ainda desmentia a informação. Em seguida, o UOL passou a difundir o desmentido do governo paulista.



Apesar da dor, o momento é de responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nessa operação policial estúpida, independentemente de o desfecho de tudo isso ser mais ou menos trágico, pois o seqüestrador não é mais culpado que a polícia.



Já no Jornal Nacional, depois das 20 horas, Fátima Bernardes manteve o tom acrítico e um oficial da PM atribuiu a culpa pela volta da garota Naiara ao cativeiro a ela própria, que teria chegado perto demais da porta do apartamento.



A polícia permitiu, autorizou, facilitou a aproximação da garota do cativeiro. E a culpa é de uma menina de 15 anos. Para a Globo e para a polícia de Serra.