29/04/2011

a época mais linda da minha vida

Quando minha esposa ficou grávida, senti o que era "esperar" um bebê.

Esperar, no sentido de ESPERANÇA.

A gente fica nas núvens, com os pés plantados bem no chão. Ou no chão, com a cabeça bem no céu...

Foram meses lindos em que vi minha esposa se transformar como um bicho em mutação, ou melhor, em metamorfose.


E como ela ficou linda! Pés inchados, barriga enorme que ficava de lado na cama, seios repletos de alimento e uma calma tão pura...

Hoje meu menino tem 1 ano e 1 mês. É real a textura de sua pele, o som do seu riso, o toque de sua mão. É maravilhoso o peso dele no meu braço quando ele dorme no meu colo.

Mas é diferente daquela época, em que havia apenas a ESPERANÇA do ESPERAR.

Foi uma honra estar ao lado de minha esposa nesse momento sublime e belo. É uma honra estar vivo, para ver a vida recriar-se.

"... Eu vi a mulher preparando. Outra pessoa. O tempo parou prá eu olhar. Para aquela barriga. A vida é amiga da arte ..."

Um beijo, Cintia, minha esposa, meu amor.


Duet from Robin Cantrell on Vimeo.

27/03/2011

O CHEIRO DO RALO

UM DOS MELHORES FILMES NACIONAIS QUE JÁ VI!

Há um desconforto após o filme. O quanto dele tem em nós. O quanto somos ele?

"O Cheiro do ralo" é um soco no estômago. Uma ode ao capitalismo e a falta de... (caráter? ética?) existente em nome de mais e mais grana, ou mais poder.

Numa São Paulo velha e decadente, o ralo expõe merda que somos. O ralo é o bafo do demônio e o demônio é nossa sede de poder sobre o outro.

Mas ora bolas, se nós vivemos o mundo capitalista, se participamos jogar o jogo, se nos vendemos escravos por migalhas de pão, então somos responsáveis por todo o cheiro de merda desse esgoto moral que vivemos?

Triste mundo que estamos montando e deixando para nossos filhos. Tristes sonhos, tristes ralos. Tristes somos.

P.S.: A cada dia que passa, me pergunto se ainda há espaço para poesia nessa merda toda.

16/03/2011

ÁGORA (filmaço!)




Entrou para minha lista dos 10 melhores.

Me emocionou, me fez pensar. Me incomodou.

E como qualquer obra de arte, não me deixou dormir.

"Ágora", de Alejandro Amenábar ("Os Outros", "Mar Adentro") apareceu na minha tela num tópico perdido em uma comunidade do perdido Orkut.

Grata surpresa!

O filme é um grito (ou um minuto de silêncio?) contra a intolerância religiosa e um convite à reflexão que me lembrou Lennon em Imagine "Nada pelo que matar ou morrer E nenhuma religião também".

"Ágora" conta a História (com H maiúsculo) de duas grandes maldades cometidas em nome da fé. A primeira é a destruição da Biblioteca de Alexandria, a segunda você verá no filme.

Como seria bom se entendêssemos que não existe certo nem errado e que pudéssemos aceitar as verdades e credos alheios.Mas o credo alheio é tão absurdo a nós, quando o nosso credo é absurdo ao olhar do outro...

Talvez você entenda melhor  o que me motivou a escrever esse post se vir o filme.

Alugue. Baixe.

Tenho certeza de que no final, você o recomendará aos amigos, como faço agora.

Gonzaguinha - Ponto de Interrogação, Grito de Alerta, Explode Coração......

06/03/2011

QUAL É A TUA GAGUEIRA? - O DISCURSO DO REI

 


Assisti ao ótimo O DISCURSO DO REI.

Belo filme, que humaniza a figura do Rei (George VI, no caso, mas poderia ser qualquer um), escancarando seus medos, seus receios e suas dúvidas.

Você já deve ter visto a sinopse do filme: um Rei que chega ao poder, mas que gagueja. E é ajudado por um médico nada convencional. 

Como acontece quando a gente tem contato com algo bom, o filme me pôs a pensar. 

A gagueira do Rei era a tradução de sua insegurança.

Qual seria minha gagueira? Meu dente torto, que envergonha meu sorriso? Meus quilos a mais, que dificultam a compra de camisas? Minha arrogância que afasta os amigos de mim?

(por coincidência, parei de escrever este texto para ser chamado de soberbo, arrogante e egoísta por minha esposa)

Minha insegurança e minha incapacidade de concluir as coisas são formas de gagueira do dia-dia, rateadas de agir que pausam demasiamente movimentos simples, como terminar uma tarefa iniciada.

Gagueiras da alma.

Nã-Nã-Nã-Não há há há fim p-p-para este p-p-p-post

20/02/2011

Johnny Cash




Pai e filho

Não é hora de fazer uma mudança
Apenas relaxe e vá com calma
Você ainda é jovem, esse é seu problema
Há tanta coisa que você precisa saber
Encontre uma garota, se estabeleça e se você quiser pode se casar
Olhe para mim, estou velho mas sou feliz.

Eu já fui como você é agora
E sei que não é fácil
Ficar calmo quando você descobre algo acontecendo
Mas vá com calma, pense bastante na razão
Pense em tudo que você possui
Pois você ainda vai estar aqui amanhã,
Mas seus sonhos podem não estar

Como posso tentar explicar
Porque quando eu faço ele se afasta de novo
E é sempre a mesma história de sempre
A partir do momento em que eu pude falar,
Fui obrigado a ouvir
Agora há um caminho e eu sei
Que eu tenho que ir embora.

Não é hora de fazer uma mudança,
Apenas sente-se e vá devagar
Você ainda é jovem, esse é seu problema,
Há tanta coisa que você tem que passar
Encontre uma garota, se estabeleça e se você quiser pode se casar
Olhe para mim, estou velho mas sou feliz

Todas as vezes que eu chorei guardando em mim
Todas as coisas que eu sabia
É difícil, mas é mais difícil de ignorá-lo,
Se eles estivessem certos, eu concordaria,
Mas são eles que não me conhecem
Agora há um caminho, e eu sei
Que eu tenho que ir embora
Eu sei que eu tenho que ir embora.




Father And son

It's not time to make a change
Just relax and take it easy
You're still young that's your fault
There's so much you have to know
Find a Girl, settle down and if you want you can marry
Look at me. I am old, but I'm happy

I was once like you are now
And I know that it's not easy
To be calm when you found somethin' going on
But take your time think a lot why
Think of every thing you've got
For you'll still be here tomorrow
But your dreams may not

How can I try to explain cause
When I do he turns away again
And it's always been the same same old story
From the moment I could talk
I was ordered to listen
Now there's a way and I know
That I have to go away

It's not time to make a change
Just sit down and take it slowly
You're still young that's your fault
There's so much you have to go through
Find a Girl, settle down and if you want you can marry
Look at me I am old but I'm happy

All the times that I have cried keeping
All the things I knew inside
It's hard but it's harder to ignore it,
If they were right I'd agree
But it's them that know not me
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go away





14/02/2011

#prasemprefenomeno


O ex-jogador de futebol Falcão, disse certa vez que o jogador morre duas vezes e que a primeira morte é quando ele para de jogar.

Hoje Ronaldo Fenômeno colocou um ponto final em sua vitoriosa carreira. Um gênio da bola. Um Fenômeno.

Humildemente, pediu desculpas à torcida corinthiana por não conseguir vencer uma Libertadores. Chorou pelo fracasso. Chorou de verdade. Chorou pela frustração de não conseguir um título e pela dor de saber-se falível, vencível, humano.

Ao não vencer seu último desafio Ronaldo viu-se homem, e como tal, frágil.

Impossível não ver-se nele.

O Fenômeno nos acostumou a assistir suas vitórias dentro e fora do campo, vencendo lesões, incredulidade, chacotas. Mas ninguém vence sempre. E o tempo venceu Ronaldo.

O mesmo tempo que enlouqueceu meu pai, judiou do coração de minha mãe, mas que fez nascer meus dois filhos e fortalecer meus sonhos.

Diferente do jogador de futebol, nós que somos trabalhadores "comuns" morremos algumas vezes em nossa carreira, quando nos desligamos de uma empresa (por vezes no susto de uma notícia na sexta-feira à tarde) ou quando frustramos nossos projetos profissionais.

De comum entre nós e Ronaldo o mesmo choro sentido pelos tombos, quedas e derrotas. A mesma força impulsionando a não aceitar as lesões, as dores do copo e da alma.

Nem o tempo nos para. O máximo que o tempo consegue é nos dar uma pausa e nos obrigar a mudar os rumos da vida, dos planos, do ser.

Ronaldo, não precisa se desculpar de nada, a vida é assim: dura, seca, concreta... E nós somos lindos, por ser gente e de vez em quando, falhar.

#prasemprefenomeno

EDNALDO TORRES FELICIO
14/02/2011
15:38HS


03/02/2011

[DR. OSMAR] Uma Vergonha !


Essa saída precoce do Corinthians da Libertadores/2011, deve ser considerada uma vergonha. Que na verdade começou com aquele empate contra os reservas do Goiás, na última rodada do brasileirão de 2010. Esse Tolima que despachou o Corinthians é um time muito fraco, que não tem estrelas, não tem tradição e formado às pressas para este torneio. Desclassificar-se contra um time como esse, tem que ser mesmo uma vergonha.

Quem errou ? Todo mundo, menos o torcedor.

Agora é hora de juntar os cacos, mas não para remontá-los, mas para jogá-los fora. É a hora certa para se ver, quem serve e quem não serve, enxugar o elenco, tomar medidas administrativas urgentes, desde as categorias de base… enfim, reorganizar a casa.

Com a derrota de ontem, o Corinthians perdeu muito dinheiro, perdeu prestígio, peredu marketing , perdeu sonhos, só não pode é perder o rumo e o prumo. E tem que começar já no domingo contra o Palmeiras.

Mas há um serviço urgente , para ontem. Pedir desculpas ao torcedor. É ele quem está nas ruas, no trabalho, escutando as gozações de praxe. E se o time não reagir, o “bando de loucos” começa a perder a autoestima, o autoconceito, o orgulho próprio. Isso pode gerar desamor em alguns, desesperança em outros, depressão em um bocado e pior… revolta, e anarquismo não saudável.



05/01/2011

Tardes de infância

para minha amiga Andreia Barban e à ótima notícia que ela nos deu


Tardes da infância.
Estudava de manhã e vadia toda a tarde.
Poucos, raros amigos.

Tardes da infância
Deitado na cama da mãe
Entre um cochilo e outro

Olhava as cortinas da janela
Estufadas pelo vento
Tais quais travesseiros de ar

Era feliz
O sol doce aquecia meu corpo
e a brisa soprava minh´alma

Tardes de infância
Pernas magrelas enormes
Mãos cruzadas sob a nuca

E a sensação gostosa de vida inteira pela frente


EDNALDO TORRES FELICIO
05/01/2010

03/01/2011

Amou


Amava.

Amava muito.

Amor de fogo,
Amor de alma,
Amor de carne,
Amor de vida.

Amava.

Já não ama mais.

Sobrou carinho, rosas, vinhos e velas.

Sobraram olheiras, colheitas destroçadas, escombros e tumulto.

Amava. Amava de verdade.

Acabou.

(e tudo é silêncio)


EDNALDO TORRES FELICIO
02/01/2011

02/01/2011

A REDE SOCIAL


Meu primeiro filme de 2011 foi A REDE SOCIAL, do diretor David Fincher.

Bom filme, trilha bacana, diálogos e sequencias rápidas, como deve ser um filme sobre a net.

Sem spoilers, mas o personagem principal do filme é o atual heroi das empresas e do sistema capitalista: um cara predador, com grandes idéias, pouco caráter e claro, sucesso (ou imagem de).

Às favas com os escrúpulos! Amizade, bom senso, caráter fazem parte do dicionário dos derrotados. O Capitalismo se impõe com garras afiadas e se você não joga seu jogo é excluído.

E daí se traiu amigos, roubou idéias, tem caráter duvidoso se você é um bilionário?

Triste sistema capitalista que mostra do Homem o pior que existe nele, para inveja dos outros homens.

Conheci alguns tantos empresários assim. Pouquíssimos escrúpulos, alguma grana.

Mas quem se importa?

Veja o filme. Torne-se biolionário. Foda-se.


EDNALDO TORRES FELICIO


31/12/2010

feliz ano novo


Morava sozinho, vivia sozinho e como não podia ser diferente, passava o Reveillón sozinho.

A dor da solidão ficava aguda e feria-lhe o peito especialmente nos dez minutos após a meia-noite, quando os fogos gritavam pela janela e as pessoas se abraçavam pelas ruas, fazendo-o aumentar o volume do DVD.

Feliz Ano-Novo.

29/12/2010

4:42hs


4:42hs

O bebê engatinha em direção ao rabo do cachorro, que olha desconfiado.

Sentado ao computador (ou à mesa dele hehehe) penso o quanto estou agradecido ao mundo pela Vida.

Há uma paz de primavera em minha casa.

Minha esposa dorme silenciosa em posição fetal.

Devo tudo a ela. Ela deve tudo a mim.

Devemos tudo ao cachorro, ao bebê e à Vida.

Nosso ecossistema está completo.

Raul (o Bebê) veio oxigenar as plantas, fermentar o pão, espalhar amor na corrente sanguínea.

Quando ele estava na barriga da mãe, sabia que iria amá-lo, mas não imaginava que esse amor fosse uma cachoeira, um jorro, uma explosão.

Meu peito se abre e eu o acolho. O envolvo com uma energia azulada.

Tem tanto de mim nele, tanto de mãe e ele é uma pessoa completamente diferente de nós.

Como não crer em Deus ao vê-lo descobrir o mundo, desenvolver habilidades simples de um ser humano tais como: andar, segurar um objeto, falar...?

Não creio no Deus das Igrejas, mas nesse Deus de mim que faz meu peito inchar de alegria e amor. Tanto amor não sou eu, é mais do que sou, é além. É Deus.

Olhar meu filho brincando com seus quadrados coloridos é estar em comunhão com Deus.

Escrever esse texto de madrugada é uma prece. Uma prece de louvor e agradecimento. A Deus, á Vida.

Meu filho, Raul.

EDNALDO TORRES FELÍCIO
4:51hs
29/12/2010

P.S.: Como de bobo meu cachorro não tem nada, fugiu antes que o bebê alcançasse-lhe o rabo.

;-)

20/12/2010

medidas


MEDIDAS
(para meu amigo Sylvio Passos)

Tenho um sofá
que é o único a ver meu choro
quando penduro a máscara de sorriso
ao chegar das Ruas Augustas
cheirando whisky.

Ele é meu guia
em meus pesadelos
ele é meu censor, gestor, carrasco
e amigo.

Mostra meus erros
e me consola depois do jarro de lágrimas
alisa meus cabelos
e me põe pra dormir
dizendo no seu mutismo de sofá:
"shiiiii amanhã é outro dia."

Tenho um sofá
que é o único a ver meu choro,
meus medos, minhas aflições.

Tenho um sofá
que me acorda no dia seguinte

porque não é confortável.